MEIO AMBIENTE – Parque do Guará ‘vive’ dias de abandono e destruição

Texto e fotos: Amarildo Castro – Assunto do momento, as negociações para uma suposta venda da Área 28A do Parque Ezechias Heringer, por parte do governo, continua dando o que falar. E nos últimos dias a mídia trouxe à tona as propostas do governo para que a área possa ser liberada para a venda. Entre as propostas estão compensações ambientais e ampliação da reserva em 87 hectares. Fora isso, não há novidades, e sim muita polêmica sem nenhum resultado prático para o Parque do Guará, como é conhecido. O órgão responsável pelo local é o Instituto Brasília Ambiental (Ibram).

Nos últimos dias, em duas visitas, a reportagem do Jornal GuaráHOJE/Cidades percorreu boa parte da Área 29 e 28, essa mesma região que fica no Guará II, uma delas faz fronteira com a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA), e outra, é o chamado Mirante do parque.
Após o fumaceiro das queimadas, na semana passada, a reportagem (com Amarildo Castro) adentrou na Área 27, aquela ali em frente à Candangolândia.

Para surpresa, o fogo ardeu por lá mais de duas horas, sem que um só caminhão do Corpo de Bombeiros aparecesse no local. No ano passado, durante incêndio ali no Lixão da QE 36, agora desativado, na mesma área 27, o mesmo Corpo de Bombeiros alegou não ter água nem equipamentos suficientes para apagar incêndio no Parque do Guará, porque uma única viatura que fica carregada com água pode ser chamada para ocorrências mais graves, como algum incêndio residencial.

Cerca está toda depredada
Cerca está toda depredada

Mas a caminhada continuou. Dentro da mesma reserva há degradação de todo tipo. Tem até resíduos de concreto usados na obra do BRT e também grandes erosões provocadas possivelmente pela degradação da vegetação nativa.

Às margens do Córrego Guará, a situação é crítica. Uma grande erosão tomou conta da curva do córrego, ali perto da EPGu. Nos últimos 10 anos, nunca houve nenhuma tentativa de recuperação desse tipo de problema.

Mirante do parque
Já na Área 29, onde está o Mirante do parque, e que recebeu investimentos de uma construtora por meio de compensações ambientais, a situação também preocupa. As melhorias ali feitas, apenas o plantio de mudas é destaque para o meio ambiente. O restante diz respeito ao lazer para a comunidade, e não tem nada a ver com preservação ambiental. Mesmo assim, dos já implantados no local, alguns equipamentos estão depredados. Um banheiro ecológico está fechado e no lugar foram improvisados banheiros químicos comuns.

Outro bem público que chama atenção é a antiga sede do parque. Anteriormente, o próprio Ibram chegou a anunciar que pretendia usar o espaço para alunos de escolas públicas para aulas de educação ambiental. E hoje o que se vê é uma construção quase desmoronando, e interditada.
Os demais equipamentos instalados no Ezechias, também, começam a dar ‘ares’ de que precisam de manutenção, entre eles o parquinho para crianças.

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Antiga sede está interditada e com riscos de desabamento há pelo menos seis meses

Segurança
Outra demanda que é motivo de reclamações por parte da comunidade é a segurança (ou falta dela). Os policiais, do Batalhão Florestal, não estão atuando há pelo menos três anos. “Caminho sempre aqui, mas posso afirmar que não é seguro”, disse Isaac Naves, morador da QE 36.

Ibham garante verba de R$ 800 mil por compensação ambiental

Por meio de nota, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) informa que o Parque Ecológico Ezechias Heringer está inserido no programa Brasília nos Parques (Decreto nº 37.115/2016), que é um projeto do governo de Brasília envolvendo várias secretárias, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema).

E diz que o ponto de partida desse programa foi justamente o Parque Ecológico Ezechias Heringer, que recebeu a primeira atividade no dia 18 de junho deste ano, com o Circuito Vida Ativa.

O Ibham informa ainda que há também um Termo de Compensação ambiental/florestal assinado, devido pela Secretaria de Estado de Mobilidade do Distrito Federal (SEMOB), relativo às obras da EPTG, no valor de R$ 800.000,00, destinado ao Ezechias Heringer para a aquisição de veículos de combate a incêndio. Este recurso deve ser aplicado ainda este ano.

De acordo com o órgão, muitas áreas degradadas do Parque já receberam plantios de recuperação provenientes da compensação florestal, e outras áreas ainda serão alvo de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas.

O Ibram lembra que as áreas ocupadas irregularmente no parque estão em processo de desocupação. Além disto, tramita na Câmara Legislativa do Distrito Federal Projeto de Lei Complementar nº 24/2015 que trata da regularização fundiária do Parque, no sentido de definição de suas poligonais. O IBRAM aguarda o andamento deste PL na Câmara.

Já a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), segundo o Ibram, realizou o levantamento das obras irregulares no Parque Ezechias Heringer, os responsáveis já foram intimados em outubro de 2015. Ao aplicar a Matriz Multicriterial de Impacto Territorial (MARIT), verifica-se que a área não é passível de regularização; está com a nota elevada em relação ao índice de criminalidade e ainda encontra-se em processo de consolidação.

Enquanto isso na CLDF…

O deputado Rodrigo Delmasso (PTN), atualmente padrinho político do Guará, na Comissão de Meio Ambiente da CLDF, luta para que a 28 A seja preservada como área ambiental. Segundo suas afirmações, enquanto permanecer à frente da comissão lutará pela qualidade de vida da cidade, “e o não adensamento populacional é uma questão vital”, afirma Delmasso.

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