Sem apoio, Projeto Geladeira do Livro está perto do fim no Guará

“A ideia, em si, é uma boa proposta, mas desde que tivesse planejamento, monitoramento, organização e fiscalização por parte de seus idealizadores e comunidade. Só que colocar uma geladeira em uma praça e enchê-la de livros para que a comunidade usufrua desse benefício e flua espontaneamente, infelizmente, é querer demais”. Essa é a visão de uma moradora da QE 28, ouvida pela reportagem do Jornal GuaráHOJE/Cidades, durante visita da equipe à quadra, onde há uma geladeira depredada e com poucos livros, alusivos ao antigo projeto Geladeira do Livro, que começou há cerca de dois anos no Guará, mas que agora está quase abandonado.
A reportagem do GuaráHOJE/Cidades foi a quatro dessas praças de que se tem notícia do funcionamento dessa iniciativa. Logo na primeira delas, no Parque Denner, ao lado de uma PEC (Ponto de Encontro Comunitário), onde até o início deste ano havia uma dessas geladeiras, lá já não estava mais. Dali foi retirada não se sabe por quem nem o motivo do sumiço. Há seis meses, a geladeira foi vista pela equipe de reportagem, mas com livros no chão.
De lá, a reportagem foi à Praça da QE-30. A geladeira ali estava pelo menos no local, embora bem deteriorada, com a porta principal e a do congelador sem dobradiças, apenas encostada ao refrigerador. Os livros, alguns em boas condições, mas amontoados de qualquer maneira. Há sinais também de muito mofo devido às chuvas, pois os equipamentos, devido à deterioração, agora entram água.

Sem função social
Um casal que estava sentado em um banco da Praça da QE-30, ao ser ouvido pela reportagem, lamentou e criticou o abandono da geladeira de livros. “A iniciativa é boa, aliás, muito similar ao que já se faz em paradas de ônibus no Plano Piloto, mas peca por falta de apoio e organização”, resume o engenheiro mecânico João Paulo Damasceno, 27, que reside na QE 30.
Já Tatielly Lopes, que acompanhava João Paulo foi mais incisiva. “Sem incentivos oficiais e quem organize não funciona e acaba não tendo utilidade social”.
Na QE 28, há duas geladeiras do projeto, uma em bom estado ao lado de outra que tem apenas uma cortina em tecido laminado servindo como porta. Estas vêm cumprindo seu objetivo social, segundo informou a moradora de uma casa que fica em frente à praça, onde estão as duas ‘geladeiras-bibliotecas’. “Vejo pessoas que passam por aqui pegando ou deixando livros. Eu não utilizo desse serviço porque não me interessa, mas acho uma boa ação”, diz a dona de casa Larissa Morais.

Geladeira com livros mofados na QE 17: abandono

Mofo
Com cheiro de mofo no interior, porém em bom estado e com livros razoavelmente conservados e arrumados, mas em pequena quantidade. Foi assim que a reportagem deparou-se com o exemplar da Praça da QE-17. Mas com seu uso já sendo distorcido, servindo de espaço para manifestações políticas.
A vendedora de títulos de capitalização Maria das Graças Bispo, embora não more na QE-17, trabalha há muitos anos por lá e diz que vê pessoas lendo e colocando livros na inusitada e improvisada biblioteca ao ar livre. “Às vezes, passam motoristas que saem dos carros e doam livros para a biblioteca. Então, ela não deixa de ser importante”, depõe.
A reportagem conseguiu ouvir por telefone um amigo dos responsáveis pela idealização dessa ação social. Segundo essa fonte, partiu do casal Lucas Rafael e Fernanda Morgani a disseminação pelo Guará II dessas bibliotecas. De acordo ainda com essa fonte, a ação social improvisada acabou se expandindo para outras cidades do DF, chegando a contar com incentivos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), mas que acabou por perdê-lo, levando ao abandono da iniciativa.
A assessoria da Administração Regional do Guará, ouvida pela reportagem, disse que essa iniciativa não conta com o respaldo oficial do Executivo local, que declarou não ter conhecimento desse projeto. Revelou ainda que o administrador André Brandão não é contra esse tipo de iniciativa, mas que vê com reservas atitudes como essa, que podem gerar objetivos diversos para o qual foi criado.

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