Administrador do Guará sai em defesa da comunidade na primeira audiência da Luos na cidade

A atitude do administrador do Guará, André Brandão, durante a primeira reunião para debater a Lei do Uso e Ocupação do Solo (Luos) na cidade surpreendeu até as lideranças acostumadas a ver os administradores defender projetos de interesse do Executivo. Durante o evento, André deixou claro vai apoiar os moradores na defesa da não  transformação de lotes residenciais em comerciais da forma que está proposto na Luos para o calçadão que margeia o Guará II e nas ruas das descidas das praças.

De acordo com André, as reclamações dos moradores deixaram claro que não querem comércios nessas áreas. Ele acredita que o projeto precisa de adequação, e a proposta para trazer mais comércio à orla do Guará precisa ser revista. “Nesse ponto estou do lado da comunidade, entendo a necessidade de colaborar com o governo, mas o próprio Executivo precisará entrar em consenso, e acredito que nada será feito com a desaprovação dos moradores”, comentou.

Apesar da posição do administrador André Brandão, muitas lideranças saíram ‘atirando’ contra as novas propostas da Luos. “O que estão querendo fazer é simplesmente trazer mais e mais comércios para o Guará, e nós não precisamos de tudo isso, é mais para tentar fazer caixa”, esbravejou Klecius Oliveira.

Pedro Augusto, da Associação de Moradores do Lúcio Costa: “É preciso preservar espaços destinados a serviços públicos”

Um grupo de moradores do Lúcio costa, composto por membros da associação de moradores do bairro, além outras lideranças também falou sobre o projeto. Para Pedro Augusto, presidente da mesma associação, o que mais chamou atenção foi a proposta de transformar espaços públicos destinados para entidades de interesse social em áreas comerciais. “É preciso respeitar o que já estava estabelecido, e não sair mudando tudo de uma hora para outra”, comentou. Ele ainda disse que está preocupado com a especulação imobiliária.

Outra liderança do bairro presente, Meri Moraes questiona o prejuízo ao meio ambiente caso o projeto seja aprovado da forma que está proposto. “No Lúcio Costa, esse prejuízo é certo, e espero que o governo reveja alguns pontos”, citou.

Um dos representantes do governo que marcou presença na reunião, o assessor da Governadoria, Rossio Barreto, disse que ficou  surpreso com a quantidade de assuntos que a comunidade trouxe para o debate, mas que o foco da reunião era de fato o projeto da Luos. “Mesmo assim, vai levar alguns desses assuntos para o Executivo, além da posição dos moradores sobre a proposta da Luos”, disse. Ele ainda garantiu que o Governo de Brasília não tem interesse em fazer algo que a comunidade não quer, acalmando assim as lideranças presentes.

Sobre as reclamações de uma suposta transformação de lotes residenciais em comerciais na orla do Guará, Rossio disse que o governo vai dar uma resposta pertinente ao caso, mas que não deve desagradar aos moradores.

O assessor da Governadoria, Rossio Barreto disse que governo dará resposta convincente aos moradores

O projeto da nova Luos continua em debate. Na terça (27), é a vez da comunidade do SIA discutir o tema, mas qualquer pessoa pode participar. Já no dia 27 de julho haverá uma nova reunião no Campus da Ceilândia, quando o governo espera receber representantes de todas as cidades do DF.

A previsão da chegada do projeto à Câmara Legislativa é entre agosto e setembro deste ano.

O anteprojeto de Lei do Uso e Ocupação do Solo-Luos tem por objetivo definir novos parâmetros urbanísticos e de infraestrutura nas regiões administrativas que compõem o Distrito Federal.

 

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