GOIÁS – Após privatização da BR 050, entre Cristalina e Catalão, comércio ‘marginal’ está quase falido

Por Amarildo Castro – A privatização da BR 050, entre Cristalina e Catalão, em Goiás, está transformando a vida tanto de motoristas quanto comerciantes lindeiros às margens da pista nesse trecho, de 180 quilômetros. As obras tiveram início em 2014, e mais recentemente passam por fase acelerada da duplicação do trecho. No momento, o consórcio responsável pelos trabalhos, o MGO Rodovias anuncia que 50 quilômetros já estão prontos, e o restante da duplicação ainda deve durar pelo menos dois anos. Mas o que era para serem apenas motivos de elogios traz preocupação, pelo menos para um grupo de comerciantes que trabalham às margens da rodovia há muito tempo. No trecho, lojas estão às moscas devido ao fechamento de vários retornos. Com isso, o movimento, reclamam os empresários, despencou.

Estabelecida em um ponto às margens da via há mais de 20 anos, Nilva Bortoloti, sócia proprietária do restaurante e hotel e posto de combustível Sonho Verde, empreendimento a 28 quilômetros de Cristalina, e a 150 quilômetros de Brasília, em direção à também goiana Catalão, reclama que após as obras da MGO Rodovias, e com o fechamento do principal retorno que dava acesso ao empreendimento, seu movimento caiu 60%, e teve que mandar mais da metade dos funcionários embora, gerando prejuízos trabalhistas e perdas de venda na ordem de R$ 1 milhão. “Ficou muito ruim, e o movimento é baixíssimo, pois a maior parte dos clientes eram pessoas que vinham de São Paulo ou do Triângulo Mineiro em direção a Brasília, e sem um retorno ao lado, eles passam e vão embora”, comenta.

Restaurante Sonho Verde está entre os mais afetados

Ela informa que já tentou várias vezes negociar com a MGO, e que em julho do ano passado o retorno próximo ao seu empreendimento chegou a ser reaberto, e foi fechado novamente sem aviso nenhum. Ela diz que não conseguiu negociar com a MGO Rodovias e continua com problemas, e já entrou na Justiça para tentar uma solução.

Mais à frente, cerca de 30 quilômetros, o posto Ponto Alta parece sofrer ainda mais com as obras. “Aqui acabou quase tudo, os clientes sumiram e sobrou só prejuízo”, reclama o gerente, Mário Marcelo Cruz. Ele informa que a obra ‘comeu’ um pedaço do negócio, e ficou inviável trabalhar, e já demitiu mais de 20 funcionários. “Vamos tentar construir um posto novo, mas está difícil”, diz.

Em nota, a MGO Rodovias esclarece que todos os retornos regulamentados implantados nos trechos já duplicados e em duplicação na BR-050, no Estado de Goiás, atendem o previsto no contrato de concessão e são aprovados pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, que regula e fiscaliza a execução das obras e serviços da concessionária, de acordo com parâmetros pré-estabelecidos. Cabe à concessionária cumprir o determinado em contrato, inclusive fechando acessos i e retornos irregulares na rodovia.

No que diz respeito aos dois empreendimentos comerciais citados, segue a nota, nas proximidades de ambos há opções de retornos regulamentados nos dois sentidos da rodovia.

Restaurante – Viaduto no km 125, a 3,6 quilômetros do local (possibilita retorno de Norte para Sul) e retorno provisório implantado a três quilômetros (possibilita retorno de Sul para Norte).

Posto de serviço – Viaduto no km 140, a 8,5 quilômetros do local (possibilita retorno) e outro retorno a quatro quilômetros do local, no outro sentido da rodovia.

GALERIA DE FOTOS

Apesar da abertura de alguns retornos, agora mais modernos, em muitos trechos a falta deles atinge até 15 quilômetros em linha reta. Muitos foram fechados, como esse da foto
No Restaurante Sonho Verde o movimento caiu mais de 60%
Posto de combustível vazio é reflexo das obras:  crise para comerciantes antigos

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*