ARTIGO – Com quadras deterioradas, jovens em geral perdem interesse pelo futsal e vôlei no Guará

Por Amarildo Castro – Já faz algum tempo que venho observando a situação das quadras esportivas no Guará. Estou falando dessas quadras de futsal e algumas preparadas para vôlei e basquete. Depois do grande interesse da juventude por esse tipo de equipamento nos anos 90 e início da década de 2000, nota-se uma mudança de comportamento da juventude e da falta de manutenção desses equipamentos.

Há cerca de dez anos, em uma época diferente da de hoje, veio o surto dos campos sintéticos, e as pobres quadras, já prontas, foram ficando esquecidas. Mas para não dizer bobagens, no mesmo período, o Guará ganhou umas três delas novinhas em folha. Mas desde então, só se vê descaso com as pobres quadras, antes, amadas pelos jovens. Muitas eram palcos de torneios e peladas animadas nas tardes de sábados, domingos e até no meio de semana, mais no período da noite.

Na QE 40, única quadra de futsal existente perto na linha férrea está sem uma das traves: falta completa de manutenção

A vida foi mudando, mas eu nunca perdi o contato com o futebol. Nasceu meu filho (único homem de um total de três) e mesmo depois dos 40 anos, voltei a estar mais próximo desse esporte, o futebol. Como achei que uma escolinha era pouco para que o garoto, hoje prestes a completar 11 anos, pudesse se desenvolver, por isso, precisaria mais de contato com a bola. E então, voltei às quadras para ajudá-lo. E olha a alegria e a decepção ao mesmo tempo: as quadras do Guará, locais onde sempre frequentamos, estão vazias, sujas, maltratadas em geral. Para piorar, maioria delas não é possível ver ninguém com interesse na pelota. Ficam lá para que moradores apenas deem uma voltinha nas proximidades com seus cães ou reclamam que estão abandonadas. Por outro lado, como estão vazias, ficou fácil demais para treinar o garoto, com cones, treino de habilidades, entre outros tipos de ação para que o menino fique bom de bola, a paixão dele.

Mas no fundo ele também precisa correr com a garotada da sua idade, numa pelada de quadra. E isso praticamente ficou impossível de se fazer no Guará e a estratégia é encontrar lugares fora da cidade ou alguns poucos momentos, como na QE 40, onde um grupo ainda joga à noite.

No Setor de Oficinas do Guará II, quadra está muito deteriorada e também não recebe manutenção: uso desses equipamentos também está perdendo o interesse por parte dos jovens

Fica aí minha decepção com as quadras do Guará, mas ao mesmo tempo, vazias, eu também consigo usá-las com meu garoto, mesmo em estado precário.

E aproveito aqui para lembrar os tempos áureos das peladas na quadra da QI 04 do Guará, ao lado do Jeferson Maximino, hoje conselheiro tutelar, do Heloi, que não sei por onde anda e mais uma rapaziada lá, que alguns não me lembro mais o nome. Isso, na década de 90, a gente fazia acontecer nas tardes de sábado e domingo lá na QI 04, e a quadra de futsal e a bola eram nossas companhias, sem droga, sem celular e sem cachaça, só com o nosso esporte preferido, o futsal.

Amarildo Castro é editor do Blog do Amarildo

 

 

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