Campanha Corte e Compartilhe causa emoção nas doadoras no Metrô-DF

Vera Lúcia Alves Santos chorou. Mas foi um choro de contentamento. Sim, as pessoas também choram quando se sentem felizes. “Que esse pedaço do meu cabelo cortado possa ajudar na cura de quem realmente precisa”, ela disse. Aos 68 anos, dois filhos, quatro netos e um bisneto, a servidora pública aposentada fez, na tarde desta segunda (17), um ato de extrema solidariedade.

Vera saiu do Guará e desembarcou na Estação Central da Rodoviária. Passou ali e viu aquela gente cortando cabelos. Parou. Perguntou o que era. Não pensou duas vezes. Aguardou a sua vez. E cortou os seus cabelos grisalhos. “Eu doei as minhas mechas com amor, com toda a minha energia e pensamento positivo.” Enxugando as lágrimas de alegria, às 15h20, Vera seguiu para o embarque. Partiu com leveza.

Assim, durante o dia, as histórias se sucederam na Estação Central durante o lançamento do Corte e Compartilhe, campanha solidária do Metrô-DF que incentiva usuários, mulheres e homens a doarem mechas de cabelo para transformá-las em perucas.

Essas perucas serão usadas por pacientes com câncer de mama. O objetivo é resgatar a autoestima dessas mulheres, o que pode ajudar também no tratamento da doença. A ação, executada por meio de uma parceria com o Hélio – Centro de Formação Profissional – se repetirá nesta quarta (19) e nos dias 24, 26 e 31/10,  sempre das 9h às 17h. Os cortes são gratuitos.

Vera Lúcia embarcou. De cabelo novo, missão cumprida. “Sigo  renovada por dentro e por fora”, disse. A miudinha Flávia, de seis anos, também decidiu cortar os longos cabelos. Veio da Asa Norte, trazida pela mãe, Ingrid Nunes, 20, que chorava enquanto as mechas caíam no chão. “Não tenho caso de câncer na família. Vim porque sei que vou fazer uma mulher feliz.” Flávia sabia que a doação de seus cabelos seria para uma causa boa: “Minha mãe me disse que vai ajudar uma mulher que tem câncer”. E o que é câncer? “É uma doença triste”, respondeu a miudinha, com os olhos marejados e, agora, cabelos mais curtos.

Houve também quem tivesse esperado por esse momento. Renata Viana, 27, agente de estação do Metrô-DF, deixou o cabelo crescer durante todo o ano. “Sempre quis participar. Solidariedade é fazer uma boa ação”, disse ela, que doou pelo menos 20cm dos seus longos cabelos pretos.

Cada um ali tinha uma história para contar. Uma das mais marcantes foi a da estudante Valéria Pires Soares, de 21 anos, moradora de Ceilândia. Sozinha, a moça foi à Estação Central. Quando chegou a hora de cortar, Valéria não se conteve de emoção. Cada fio que caía, as lágrimas escorriam. Chorou bastante. E havia um motivo muito particular: “Minha irmã morreu em dezembro. Ela estava com leucemia. A gente fez tudo para salvá-la, mas não foi possível”.

Autoexame
Na abertura do Corte e Compartilhe, Márcia Rollemberg, colaboradora do governo de Brasília, ressaltou a importância da campanha: “Isso é cidadania. E o caminho é esse”. Ela também chamou atenção para que as mulheres façam o autoexame, fundamental para a detecção precoce da doença.

A diretora-presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Maria Thereza Falcão, elogiou a inciativa: “É bonito ver tantas pessoas envolvidas no mesmo esforço”. E chamou atenção para que as mulheres não deixem de realizar a mamografia.

Daniela Diniz, diretora técnica do Metrô-DF, que representou o presidente Marcelo Dourado, disse que, na mulher, perder o cabelo é a parte mais sensível do tratamento. “É quando não se pode mais enganar a si mesma”. E refletiu: “A ação do Corte e Compartilhe muda quem doa e quem recebe”.

Luiz Marcelo Silva Caetano, 33, educador do Instituto Hélio de Formação Profissional, resumiu a causa: “Essa ação não tem dinheiro que pague”. Do outro lado da Estação, voluntariamente, o músico Felipe Sobral, de 26 anos, apresentou-se nesta segunda (17). Ele também aderiu à causa. Em meio a tantos cortes – no  fim da tarde, 70 foram realizados –, lágrimas e histórias muitas, o músico tocou Stand by me. Talvez a canção seja símbolo desse momento. A vida é feita de uma gente que conta com outra gente, que conta com outra gente, que vai arrebanhando gente. Quando gente se junta e resolve fazer o bem, o resultado só pode ser muito bom. Sorrisos podem ser sinônimos de lágrimas. E vice-versa.

Não deixe de doar:
E, neste ano, a campanha do Metrô-DF foi ampliada. Quem quiser também pode doar lenços, bonés e chapéus para os pacientes. Eles podem ser doados nas Estações Central e Praça do Relógio e nos postos de coletas das estações Águas Claras, Ceilândia Centro e Terminal Samambaia.

Nesta quarta (19), a campanha segue também, além de Central, para a Estação Praça do Relógio, com alunos da Coobel – escola de Estética, que farão cortes gratuitos das 10h30 às 12h30 e das 13h às 16h30.

Outubro Rosa
O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa, que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, de empresas e de entidades.

Serviço:
Corte e Compartilhe

Datas: 19, 24, 26 e 31/10 (Estação Central)
Horário: Das 9h às 17h
*19 e 26/10 (Praça do Relógio)
Horário: 10h30 às 12h30 e 13h às 16h30

Texto: Marcelo Abreu/Ascom/Metrô-DF

Fotos: Paulo Barros/Metrô-DF

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