Casarões históricos de Luziânia sofrem com a falta de conservação

Uma das cidades mais antigas de Goiás, a histórica Luziânia é também uma das que mais sofre com o descaso na preservação do patrimônio cultural, que inclui dezenas de casarões, a igreja Nossa Senhora do Rosário de Santa Luzia (ou simplesmente Rosário), tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional). A cidade conta ainda com ambiente bucólico, que lembra o seu passado áureo de três séculos atrás.

Algumas casas estão prestes a desmoronar

Mas hoje, o que se vê pela cidade é certa desvalorização por toda a história do seu passado. Boa parte dos casarões centenários está sem manutenção. Alguns deles em total abandono. Os que foram reformados foram frutos de inciativas privadas, sem ajuda da prefeitura ou de outro órgão público. “Aqui não há uma política séria de preservação desse patrimônio, especialmente desses casarões”, conta o proprietário de um desses velhos casarões que prefere o anonimato.

No centro da cidade a maioria das velhas construções já foi demolida para dar lugar a novas edificações onde atualmente abrigam diferentes tipos de comércio.

Colégio Estadual Professor Meireles, no Centro da Cidade foi erguido nos tempos áureos da cidade, mas sua estrutura precisa de reforma

O bairro do Rosário é onde ainda pode ser visto essas verdadeiras relíquias. Lá também fica a igreja que dá nome à localidade cuja construção data de 1769.  Utilizando mão de obra de escravos, o templo é em estilo colonial com interior barroco, e que tem a assinatura do arquiteto Ignácio da Costa Xavier. A igreja do Rosário encontra-se em bom estado.

A partir da Lei Estadual nº 8.915 sancionada em 13 de outubro de 1980, a Igreja do Rosário foi tombada como patrimônio histórico e artístico.

As casas que foram reformadas recentemente tiveram custos bancados pelos proprietários, sem ajuda da prefeitura local, afirmam populares do Bairro Nossa Senhora do Rosário

Uma nova reforma (da igreja) foi iniciada no período de julho de 1999 pelo Iphan com o intuito de restaurar a igreja após ter sido interditada por risco de desabamento. Técnicas modernas de restauração foram utilizadas e alguns túmulos foram abertos (algumas pessoas teriam sido sepultadas no interior da igreja), no entanto nenhuma ossada foi encontrada.

Muitos casarões perto na rua da Igreja Rosário estão em estado crítico e não há providências para restauração

A Igreja do Rosário, além de referência para a cidade, é de uma grande importância para a comunidade local, atuando como centro cultural onde, há mais de dois séculos, é realizada a maior festa religiosa do município de Luziânia, a Festa do Divino Espírito Santo. Nela acontecem folias de rua.

Para o casal de moradores do bairro Rosário, Anselmo Oliveira e Eleuza Moreira, a prefeitura local acertou em proibir a passagem de caminhões perto da igreja, mesmo assim, deveria haver uma política mais séria para cuidar dos casarões, pois a cada ano, menos casarões restam na cidade.

Os moradores do Bairro Nossa Senhora do Rosário, Anselmo e Eleuza: prefeitura deveria ter uma política eficiente para cuidar dos casarões da cidade

Em uma das poucas ações para preservar a história da cidade, a prefeitura de Luziânia proibiu o tráfego de caminhões na principal via que atravessa o bairro.

Casa da Cultura de Luziânia, inaugurada na estrutura de um casarão: imóvel precisa de reparos, detalhes em madeira estão apodrecendo, como janelas e laterais paralelas ao telhado

Já há algum tempo um dos velhos casarões abriga a Casa da Cultura e que fica na principal avenida local, mas que já necessita de manutenção. O casarão está com a pintura degradada devido à ação do tempo. As janelas e outros itens do imóvel apresentam desgastes.

O Blog do Amarildo entrou em contato com a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Luziânia, mas até o fechamento da matéria não havia obtido resposta sobre as providências  do órgão acerca da preservação dos casarões antigos.

Em uma das poucas ações positivas da prefeitura, órgão proibiu passagem de caminhões nas imediações da Igreja Nossa Senhora do Rosário para preservar o principal patrimônio cultural da cidade. Monumento foi construído há mais de 200 anos por escravos

 

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