CLDF adia mais uma vez ‘julgamento’ de Sandra Faraj e deputada respira, mas em situação difícil

A deputada distrital Sandra Faraj (SD) poderá ser julgada nesta quarta-feira (22) e não ontem (20) como estava estabelecido. A Mesa Diretora da Câmara Legislativa adiou sua decisão sobre o pedido de cassação da parlamentar, apresentado pela ONG Adote um Distrital. Ainda assim, Sandra não deve ter tempo suficiente para impedir que a investigação chegue à Corregedoria da Casa. Até o momento, a tendência é de que, dos quatro distritais que fazem parte do comando da Casa, três votem pela continuidade do processo contra Faraj.

Sandra é primeira-secretária da Mesa, mas não vai participar das discussões sobre seu caso. Ela é acusada de ter recebido notas fiscais da empresa Netpub, pedido o ressarcimento à Câmara Legislativa por meio de verba indenizatória e não ter pagado pelo serviço. O caso foi denunciado pelo sócio da empresa, Filipe Nogueira. De acordo com ele, a parlamentar teria embolsado R$ 150 mil, em um período de um ano.

O primeiro a se pronunciar oficialmente sobre as denúncias contra Sandra foi Robério Negreiros (PSDB), segundo-secretário da Mesa. Antes da reunião do comando da Câmara ontem (20), ele protocolou seu posicionamento favorável às investigações. “É necessário que a Casa tenha mais transparência. Então, para sanar qualquer dúvida, é melhor que o caso seja investigado e que se acabe com todas as ilações”, disse o tucano.

O presidente da Casa, Joe Valle (PDT), e o vice, Wellington Luiz (PMDB), devem acompanhar o posicionamento de Negreiros. Mas eles não adiantam o voto. “Essa é a posição dele (Negreiros). Nós precisamos tomar uma decisão colegiada. E ela será tomada na quarta (22)”, garantiu Joe.

Manifesto no Eixo Monumental nesta tarde de terça-feira (21) pedia celeridade nas investigações contra deputados distritais

O único que deve votar contra a abertura de processo é Raimundo Ribeiro (PPS), terceiro-secretário da Mesa. Por dois motivos: primeiro, pela proximidade que tem com a distrital. Segundo, porque também está, também de certa forma, no olho do furacão e pode virar réu no processo que investiga suposto esquema de corrupção envolvendo emendas da saúde na Câmara Legislativa.

“Eu tinha me preparado para votar. Mas, como o advogado da deputada fez o pedido para apresentar novos argumentos, deixei meu voto favorável para dar mais prazo à defesa. Agora, a decisão da Mesa é colegiada, por isso não vou me pronunciar antes, até por ter mais experiência de vida e respeitar as formalidades”, declarou Ribeiro, que nega existir pressão dos investigados da Drácon no processo de Sandra Faraj.

 Nos bastidores, a abertura de processo contra Sandra é dada como certa, “Ela ganhou mais um tempo, mas, com o que tem aí, não haverá escapatória. A decisão já está praticamente tomada. No entanto, não podemos tirar dela o direito de se defender”, explicou um colega.

Durante a reunião de ontem (20), a concessão de mais prazo para a distrital foi consenso. Os integrantes da Mesa querem evitar o clima de perseguição e dar todos os prazos pedidos pela deputada.

O temor era de que, com o fato novo apresentado pelos advogados da distrital – a falta de registro na Receita da nota fiscal emitida pela Netpub, em fevereiro de 2016 –, eles acabassem apresentando recurso na Justiça, sob o argumento de que a Mesa não garantiu a ampla defesa da parlamentar. (Com informações do portal www.metropoles.com e fotos de Amarildo Castro)

 

 

 

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