Coleta seletiva volta, mas deixa o Guará I de fora. Lideranças cobram implantação definitiva

 

Por Zuleika Lopes – O que foi anunciado às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, a volta da Coleta Seletiva em quatro regiões administrativas, entre elas o Guará, pegou a população de surpresa e a grande maioria ficou insatisfeita. A reportagem do Blog do Amarildo decidiu ouvir o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), para se certificar que as quadras anunciadas não continham erros de localização. Ficou constatado que realmente, todo o Guará I ficou de fora da coleta  realizada por caminhões especiais, bem como as quadras 13, 15,17, 19 e 38 a 46 do Guará II.

Por meio de sua assessoria de imprensa o SLU se posicionou e disse que é apenas o começo para o retorno total da passagem dos caminhões de coleta por todas as quadras. O serviço inicia pelo Setor de Oficinas Sul-Quadras 1 a 19- quarta-feira e sábado à tarde; Guará II- QI23 a 33- quarta e sábado, (incluindo 24,25, 26, 28, 30, 32 até 33; No Polo de Moda, acontecerá às quartas e sábados pela manhã; e no Setor de Indústrias (SIA), os trechos de 1 a 10, às segundas e sextas-feiras à noite.

Em nota, o SLU informa que, a partir de outubro, todas as regiões do DF serão atendidas com coleta seletiva. Enquanto isso não acontece em outros pontos do Guará, a população poderá depositar os recicláveis no Papa Entulho que será inaugurado dia 23 de junho, no SRIA II QE 25, Área Especial do Cave, Guará (próximo à feira permanente).

Os representantes de quadras e prefeitos comunitários das áreas que não serão beneficiadas, não se conformam. Foi com indignação que recebi a notícia dessa pseudo volta da Coleta Seletiva, afirmou a prefeita Célia Caixeta. “Na minha opinião, o SLU não tem que ficar cantando aos 4 ventos que a Coleta Seletiva voltou no Guará. Para dizer que voltou de verdade, ela teria que acontecer sistematicamente em todas as quadras. Segundo: se era para ser parcial, que atendesse a quem faz o dever de casa. Por exemplo: moro na QE 46, onde sou prefeita comunitária, e faço um trabalho incansável de conscientização na minha comunidade quanto a importância da separação do lixo”, esclarece.

Caixeta argumenta que: “Passei a informação aos moradores, pois além do Informativo Fique Por Dentro QE 46, temos um grupo do WhatsApp, e todos ficaram indignados, pois a grande maioria faz essa separação. Aqui na minha casa é sagrado separar o lixo. Mas dá pena saber que ele vai no caminhão comum e que vai perder-se mais da metade dele. O governo tem que ter essa responsabilidade de implantar verdadeiramente a Coleta Seletiva, e a população tem o dever de separar o lixo. O meio ambiente, nossos filhos e netos irão ficar agradecidos!’, disse indignada a prefeita.

Lixo separado por moradores, mas há preocupação de como a coleta seletiva vai funcionar

Para o morador da 19 e professor da Escola da Natureza, localizada no Parque da Cidade, Adholpo Fuíca a volta da Coleta Seletiva, além de deixar várias quadras de fora ainda recomeça sem um trabalho junto às escolas do Guará. “É fundamental o envolvimento das crianças neste processo de reeducação ambiental. Trata-se do futuro deles. Deveriam envolver a Coordenadoria Regional de Ensino, na Semana do Meio Ambiente, onde os pais também receberiam um bilhetinho avisando da volta da coleta. Será uma loucura se a Coleta Seletiva não ocorrer em todas as quadras”, alertou o professor de Educação Ambiental.

A moradora da Quadra 16 do Guará I, Cleidiomar de Oliveira Mota, apesar de ser vendedora autônoma e dona de casa não deixou de reciclar e separar o que pode ser reutilizado. “Tenho mais de 50 potinhos de cappuccino que guardei para a volta da Coleta Seletiva. E uma pena. Gostaria de doar para quem faz trabalho artesanal. Retiro o papel da embalagem e o potinho serve para guardar temperos e restos de comida ou caldos na geladeira”, frisa a moradora.

A prefeita da QE 46, Célia Caixeta diz que é preciso a implantação completa da colet

Para a Graça da 42, primeiro o governo deveria fazer um trabalho de conscientização ambiental. “Deveriam multar. Quando multa dói no bolso as pessoas aprendem. Têm pessoas que colocam lixo na lixeira no domingo sabendo que os caminhões não passam. Coleta Seletiva aqui na minha quadra nunca funcionou”, esclarece.

Pentecostes pagou

A cooperativa Recicle a Vida, de Ceilândia, foi a responsável por catar e separar todo o lixo produzido durante a famosa Festa de Pentecostes, realizada há vários anos no TaguaPark. Este ano, os organizadores da festa religiosa tiveram que se adequar à Lei nº 5610/2016 dos Resíduos Sólidos já em vigor no Distrito Federal, que determina que os grandes geradores de lixo, acima de 120 litros indiferenciados, são responsáveis por seu destino final. Ou seja, o SLU não é mais responsável pelo lixo não doméstico produzido por empresas, estabelecimentos comerciais, supermercados e produtores de grandes eventos.

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