Conheça o dia a dia do CED 1, única escola militarizada na gestão da CRE-Guará

Por Álvaro Pereira e Amarildo Castro – Os alunos do Centro Educacional 1, na Estrutural, já começam a se familiarizar com uma nova rotina.  Antes do início das aulas, perfilados no pátio os estudantes do 4º ao 7º ano do ensino fundamental dos turnos matutino e vespertino, para os quais a escola é destinada, ouvem o Hino Nacional. Após a preleção ministrada por um graduado da Polícia Militar, a qual é denominada de Hora Cívica, eles se dirigem, de forma organizada por turma, às suas respectivas salas. A volta do recreio, com exceção da audição do hino, os estudantes retornam às suas salas sob orientação de um militar. Essa é a rotina básica da única escola militarizada, sob a direção da Coordenadoria Regional de Ensino do Guará (CRE-Guará), que tem à frente o professor Afrânio Barros.

Essa é uma parte da nova dinâmica da chamada Gestão Compartilhada com a PM que está sendo empregada no CED 1, na Estrutural, uma das quatro escolas da rede oficial de ensino do Distrito Federal. As outras ficam em Sobradinho II, Ceilândia e Paranoá. A ideia é estender aos demais estabelecimentos públicos educacionais do DF.

Todos os dias militares passam nas salas de aulas dando instruções de disciplina e segurança

No dia a dia, garante a direção, a coordenação da escola cuida da parte pedagógica, sem interferência dos policiais. Mas as rotinas de ordem são constantemente monitoradas e acompanhadas pelos policiais militares, que somente no CED 01 da Estrutural deve chegar a 25 no total. Por enquanto, cerca de 12 PMs revezam dentro da escola. Lá, entram em sala de aula para dar algumas dicas de segurança, disciplina, entre outras orientações, mas sem prejudicar o trabalho do professor.

Na hora do intervalo, fazem filas em ordem como se em um quartel estivessem e recebem várias orientações de disciplina. Segundo o tenente Araújo Coelho, na prática, além do apoio disciplinar, os policiais dão ainda suporte de segurança para que todas as atividades dentro da escola transcorram normalmente, evitando qualquer ato que possa atrapalhar as aulas. “Nesse momento estamos visitando todas as turmas para falar do projeto e dicas”, explica. Ele ainda comentou que no futuro a PM pretende participar de algumas atividades extracurricular, como judô, karatê, futsal, entre outras ações.

O intervalo é livre, mas sob olhares dos policiais

O vice-diretor da escola, Jailton Dantas, na ausência da diretora Estela Accioly, conversou com a reportagem do GuaráHOJE/Cidades . Explicou que a Hora Cívica é uma das atividades afetas à participação dos militares nas escolas. “Eles fazem palestras abordando questões éticas, civilidade e se encarregam, sempre no contraturno, de atividades extracurriculares ministrando aulas de música e prevenção contra as drogas”, informa Dantas, acrescentando que as palestras são proferidas por uma militar de nome Aline, a quem não soube dizer a patente, mas que tem formação pedagógica, e que trocou a carreira docente pela de policial.

Segundo ainda o vice-diretor, a gestão compartilhada pelos militares no CED 1 tem o comando do major Lobato e o subcomando do capitão Ighor. De acordo com Dantas, a escola tem em torno de 1.800 alunos matriculados nos turnos matutino, vespertino e noturno. “Neste é reservado aos estudantes do ensino médio, com idade, em média, a partir dos 16 anos. A escola tem cerca de 150 funcionários, incluindo professores e diretoria”, informa Jailton, que é servidor da Secretaria de Educação desde 1995.

Presença de militares não inibe descontração das crianças

Sobre a polêmica surgida com a participação de militares nas escolas, Dantas se apressa a esclarecer que a presença deles nas escolas se atem só as atividades extracurriculares e cívicas. “Não há interferência na parte pedagógica. Esta continua como sendo de exclusiva competência da direção e dos professores. Cada decisão é tomada separadamente”, enfatiza o dirigente escolar.

O diretor da Coordenadoria Regional de Ensino do Guará, Afrânio Barros, consultado por telefone, afirmou que as escolas do Guará também têm interesse no projeto, e que já estuda a possibilidade de implantação no sistema militarizado em pelo menos duas escolas da cidade, e que o CED 01 da Estrutural serve de experiência para expandir o projeto.

Experiência goiana

Pelo projeto, 25 militares serão destacados para gerir a parte que lhe compete no CED 1, mas a informação é que o quadro ainda não está completo, por isso as atividades estão engatinhando. Dantas diz que o projeto não é novidade e o que está sendo aplicado no DF já é utilizado em Goiás. “Trata-se do GR 8, um soft programado que foi distribuído ao Governo do DF e que acompanha  a rotina do aluno, se ele tem presença assídua na escola e essas informações são armazenadas on-line, colaborando e ajudando a escola e informando aos pais sobre a conduta dos estudantes, que são passadas pelos militares à escola e aos pais e ainda ao Conselho Tutelar, se o caso assim requerer”, explica Dantas.

A escolha do CED 1 para fazer parte do projeto piloto da gestão compartilhada teve boa acolhida  de Valéria Maia e Luiz Carlos, pais de Luiz Felipe, 9 anos, estudante do 4º ano. “Foi tudo de bom que poderia acontecer para essas crianças. É necessário que elas tenham formação, que tem de respeitar e aprender a ter disciplina desde cedo e ter consciência de cidadania”, elogiaram em coro.

 

 

 

 

 

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