Cooperados do Guará ganham e não recebem os lotes na Cidade do Servidor

Em uma área privilegiada do Guará, conhecida como Cidade do Servidor, próximo à saída para o Núcleo Bandeirante e cidades como o Gama e Santa Maria, o movimento de cooperativas habitacionais recebeu, através de lei, a doação de lotes na futura quadra 56 a preços subsidiados, no início de 2016, em uma grande festa no Salão de Múltiplas Funções do Cave, com a presença do governador Rodrigo  Rollemberg e seu secretariado e duas mil pessoas, mas faltando 60 dias para acabar o ano, nenhum cooperado foi chamado para assinar qualquer documentação o que lhe daria o direito de posse ou de construção no local.

A Organização das Associações e Entidades Habitacionais do DF-OASSEH-DF, que é a entidade maior de representatividade das cooperativas e associações habitacionais, vem alertar para que todos os terrenos da “Cidade do Servidor” não sejam entregues à iniciativa privada. “Foi uma grande festa a assinatura por parte do Governo de Brasília, a expansão do Guará , de mais quadras residenciais com a destinação de uma parte as cooperativas. Queremos saber quando vão ser entregues. Nossa gente não aguenta mais pagar o aluguel caro na cidade. Até agora nenhuma documentação foi entregue, por parte do Governo de Brasília e da Codhab, para que as cooperativas possam dar entrada no financiamento junto a Caixa Econômica Federal. Precisamos da Concessão de Direito Real de Uso-CDRU, o que equivale a escritura. Ganhar e não levar não aceitamos mais. Precisamos da liberação do terreno pela Codhab”, argumenta José Neto, presidente da entidade.

A expansão do Guará é composta pelas quadras, 48 a 58, desta área 20% foi destinada a cooperativas com filiados de baixa e média renda, através de lei complementar nº 33, aprovada pela Câmara Legislativa em 2015. Nesta nova modalidade o cooperado não poderá construir sua casa própria conforme suas condições financeiras. As casas são padronizadas e recebem financiamento da CEF. As obras serão feitas por uma construtora. O processo burocrático se arrasta e cooperados se desesperam. “A nossa angústia e a liberação da CDRU para as cooperativas viabilizarem a documentação para financiamento e alvará de construção. E ainda falta a infraestrutura que não foi pelo Governo de Brasília. Poderia ser feito um acordo para que as cooperativas implantasse o que falta”,esclarece o presidente da OASSEH-DF.

Giovanete Fonte de Medeiros, costureira mãe de quatro filhos, moradora da QE44 é um exemplo. “Moro de aluguel no Guará há 15 anos e há 14 espero pela expansão do Guará para ter minha casa própria. Meus filhos cresceram e já sou avó. Em janeiro de 2016 pensei que finalmente tinha chegado minha vez. A economia está parada. Tenho duas despesas que não tenho como deixar para outro mês. O aluguel e a taxa de ocupação do meu quiosque de costura. Com a chegada do meu neto a família aumentou e as despesas também. E eu pergunto: até quando esperar?”

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