Família divulga data e horário do velório da capoeirista Sandra Rodrigues, morta no Guará no último domingo (4)

Zuleika Lopes – Depois da longa espera pela liberação do corpo da capoeirista Sandra Rodrigues, de 37 anos no IML, morta no último domingo na QE 11, quando teve o corpo carbonizado, a família agora faz os preparativos para o enterro da jovem. Será no dia 7, a partir das 10h, na capela 2, no Campo da Esperança. Desde já, por meio de sua irmã, Sheiza Braga, convida os amigos, parentes e comunidade para prestar as últimas homenagens à mulher que teve morte trágica e chocou o Guará.

A morte da capoeirista Sandra Rodrigues, a Sandrinha, traz a tona as constantes mortes no Distrito Federal por questões de gênero. Mulheres mortas por terem nascido do gênero feminino. Os debates foram mais acirrados nos grupos e nas redes sociais do Guará devido à proximidade do Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, que marca uma data de luta e respeito a sua dignidade. Muitos se questionam o que comemorar com o número de feminicídio e estupros contra a mulher cada vez maior. A prisão do namorador da vítima na última segunda-feira (5) dá indícios de que o crime possa engrossar as estatísticas de feminicídio no DF.

Para o jornalista Luciano Lima a culpa e da administração do governo local que deixou as polícias civil e militar ser sucateada. Segundo ele, a Polícia Civil do DF, sempre foi considerada uma das melhores de todo país. Seu posicionamento é constatado com a rapidez que o acusado foi preso, menos de 24 horas após ter cometido a barbárie contra sua companheira, de apenas 37 anos. Conhecido popularmente como “Mano”, o morador de rua e vigia de carros no estacionamento do Supermercado Pão de Açúcar, na QI 0 2, já tem diversas passagens pela polícia e é usuário de drogas. Migrou do Jardim Ingá, em Goiás, por estar jurado de morte por causa de dívidas com os traficantes locais.

A personalidade violenta de “Mano” já causou sérios problemas a seus pais. Há dois anos, quando seu genitor tentou interná-lo, o atacou covardemente, e, não satisfeito, tocou fogo com álcool, lhe imputando sérias queimaduras.

A ex-secretária de Segurança Pública do DF diz que é preciso novas estratégias para combater esse tipo de crime (Foto: Amarildo Castro)

Em outra vertente, contrária ao do posicionamento do jornalista Luciano Lima, a ex- secretária de Segurança Pública do DF e também da Mulher, a socióloga Márcia de Alencar, acredita que o chocante assassinato de Sandrinha reafirma o modelo patriarcal na cultural brasileira. “Os crimes que acontecem em modo privado é difícil de ser alcançado pela segurança pública. Não há Polícia Militar, Bombeiro ou Civil que possa impedir crimes interpessoais e de relacionamento, entre pessoas que tem proximidade e vínculos emocionais. O trabalho na área educacional deve ser o elemento de base. Não é um problema exclusivo de segurança. E sim cultural, o Brasil é um dos países que mais violenta a mulher”, esclarece Márcia.

Considerando a forma em que o corpo foi encontrado, carbonizado, Márcia de Alencar acredita que a motivação do crime e sua elucidação deverão priorizar se foi mais um crime contra a mulher por questão de gênero. (Foto da vítima é de arquivo de família).

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