Dengue mata no Guará, Águas Claras e em todo o DF

Com mais de 20 mortes confirmadas pela Secretaria de Saúde, doença torna-se inimigo invisível e de perigo máximo no Guará e em várias cidades do DF

Por Álvaro Pereira e Amarildo Castro – No Guará, em meio à situação caótica sanitária no DF, embora o histórico de incidência da dengue aponte para as cidades da região Leste do Distrito Federal, que engloba Itapoã (2,46 mil casos), Paranoá (2.27 mil) e São Sebastião (1,72 mil) e no Varjão onde as ocorrências lideram com 2,73 mil registros positivos, aqui, na cidade, a população não pode se considerar a salvo e os números teriam apontado recente surto com aumento de casos na ordem de quase 600% em relação ao ano passado. Os dados são do posto da Vigilância Sanitária do Guará, que incluem também ao menos uma morte confirmada.

Focos é o que não faltam, mas felizmente, após reportagens da mídia local,  incluindo o Jornal do Guará e Blog do Amarildo, o combate ao Aedes Aegypti avançou. Recentemente o Blog do Amarildo apontou como um possível reduto do mosquito o interior de uma Kombi, na QE 42. Possíveis larvas de mosquito eram o que não faltavam e dentre elas provavelmente poderia haver a do transmissor da doença. Isso só para citar esse exemplo, pois a cidade tem inúmeros focos. Na semana passada, a Vigilância Sanitária local derrubou caixas de dentro da Kombi para tentar acabar com o possível foco.

Vítimas no Guará

Em visita à QE 40, em poucas horas a reportagem encontrou várias pessoas que disseram que teve a doença recentemente ou em passado remoto. A empresária Marta Magaly de Carvalho, 50, disse que contraiu a doença no início de 2018. “Foi horrível, tive muita dor nos olhos, nos braços, pernas, cabeça e tive que esperar seis dias para o diagnóstico”, conta. Ela explica que mesmo tendo plano de saúde foi difícil o diagnóstico e ao todo precisou de aproximadamente 12 dias para se recuperar por completo.

Silvon Amaro, que trabalha na mesma empresa onde Marta atua, afirmou à reportagem que teve dengue há pouco mais de dois meses, e que passou pelo mesmo sofrimento de Marta. “É uma situação difícil, muita febre, uma dor insuportável, dói tudo e a gente fica mais preocupado porque não sabe até que ponto a doença avança, já que sabemos que em alguns casos há óbitos”, relata. Ele conta que só foi ao médico após três dias, mas que teve um atendimento relativamente rápido na rede pública do Guará.

Outra infectada pela dengue recentemente na QE 40 foi a jovem Talia Siqueira dos Santos, 21. Funcionária de um supermercado na quadra em que é moradora da região, ela diz ter contraído a doença no mês de maio. “Não dá para saber se fui infectada por aqui, mas tudo leva a crer que sim. Já matamos vários mosquitos aqui no comércio e pelo que a gente vê na internet, é o tal mosquito Aedes Aegypti”, comenta. Ela afirma que os sintomas são terríveis, como coceira, muitas dores em várias partes do corpo e tontura. Ela afirma que procurou a Rede Pública de Saúde do Guará e o atendimento foi relativamente rápido, mas não chegou a  ser internada.

Agente da Vigilância Sanitária destrói possível foco do Aedes Aegypti na QE 42 após reportagem do Blog do Amarildo que mostrou Kombi infestada de larvas

No Guará I, o conhecido radialista e servidor da Câmara Legislativa, Edson Charles está entre as vítimas recentes da dengue. Ele conta que começou a se sentir mal numa tarde, há cerca de um mês. “As dores eram insuportáveis, nunca senti nada igual em toda a minha vida e fui para numa UTI de um hospital por alguns dias, voltando para casa somente uma semana após a constatação da virose”, lembra. A medicina constatou que a infecção de Edson Charles foi uma das mais graves, causando hemorragia.

 

Segundo a Vigilância Ambiental do Guará, carcaças de carros estão entre os ‘criadouros’ do mosquito na cidadeVigilância acha vários focos no Guará

Em entrevista ao Jornal GuaráHOJE, a chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental do Guará, Isabel Cristina de Lana, informa que apenas neste mês 38 notificações confirmadas de dengue foram registradas  aqui na cidade, com um caso fatal. E olha que o Guará abrange ainda a Estrutural, Lúcio Costa, Águas Claras e o SIA.

Lixo no Parque JK entre os problemas com a dengue. Desde o início do ano Vigilância Ambiental retira entulho dessa área, mas moradores insistem em jogar entulho lá

Isabel disse também que os locais com maior incidência de dengue na cidade são as quadras QEs 13, 30, 34 e 40, nas quais, segundo ela, foi detectado grande número de focos  , principalmente em carros abandonados. “Chegamos a informar a Administração Regional do Guará, que, por sua vez, acionou o Detran-DF, que não tomou providências até hoje sobre o problema”, afirmou.

Informou que além dessas quadras a QE 3, no conjunto M, que fica por trás da QE 1, há presença de veículos abandonados, que servem de foco para o mosquito Aedes Aegypti. “Fazemos a nossa parte dedetizando esses locais, mas se não houve uma retirada dos veículos abandonados e os moradores não tiverem cuidados com seus imóveis acba ficando infrutífera a nossa medida. Temos 22 agentes para cuidar de toda essa região do Guará, o que é insuficiente para atender à demanda a contento”, lamenta.

No mês de maio deste ano, a reportagem do Blog do ?Amarildo flagrou larvas dentro de uma Kombi na QE 42 do Guará

Situação no DF

Em meio a esse cenário assombroso, em que quase 25 mil casos de dengue, em que cinco mortes são investigadas, e que já se registrou 21 mortes e 34 casos graves até 25 de maio, chega a por em alerta a população local. É para assustar. A incidência da doença é de 691,37 ocorrências a cada 100 mil habitantes, segundo o site da Saúde.

O último boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (3/6) pela Secretaria de Saúde (SES) mostra que, até 25 de maio, 24.662 casos de dengue foram notificados, sendo 21.441 (89,4%) prováveis, conforme dados divulgados pelo site do órgão.

No sábado (1º/6), cerca de 1 mil servidores da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), da SES se reuniram com o Corpo de Bombeiros no Taguaparque, em Taguatinga, para ações de prevenção ao mosquito transmissor da dengue. Desde o dia 25 de maio, tendas foram montadas para oferecer o teste rápido em pacientes com sintomas da doença. O serviço é oferecido diariamente, das 7h às 19h.

 Sintomas

O diagnóstico da dengue é dado por meio de exame de sangue. Veja quais são os sintomas mais comuns:

» Febre alta com início súbito (entre 39 e 40 ºC)
» Fortes dores de cabeça
» Dor atrás dos olhos (que piora com o movimento)
» Manchas e erupções na pele
» Cansaço extremo
» Dores nas artic
» Vômitos

Tendas

Veja onde localizar as tendas para teste rápido da dengue:

Guará – UBS 1

As demais estão em cidades como:

Varjão (UBS 1 – Vila Varjão, quadra 5, nº 5, conjunto A, lote 17)
Itapoã (UBS 1 – QD 378, Área Especial, Del Lago)
Planaltina (estacionamento do Hospital Regional de Planaltina)
Estrutural (UBS 1 – Área Especial 2, Avenida Central)
Sobradinho II (UBS 2 – Rodovia DF-420, Setor de Mansões, n°1)
São Sebastião (Quadra 102, conjunto 1, lote1 São Sebastião)
Ceilândia (St. N Quadra QNN 27 Área Especial D – Ceilândia)
Samambaia (Estacionamento do Hospital Regional de Samambaia)

 Os sintomas surgem normalmente de quatro a sete dias após a picada do mosquito infectado pelo vírus e têm início com febre acima de 38 ºC que depois de algumas horas é acompanhada por outros sintomas. Por isso, na suspeita de dengue, é importante buscar ajuda médica para que sejam feitos exames mais específicos para confirmar o diagnóstico e se iniciar o tratamento rapidamente. Em casos mais graves, a dengue pode afetar o fígado e o coração.

 Prova do laço
É um tipo de exame rápido que verifica a fragilidade dos vasos sanguíneos e tendência a sangramentos, sendo muitas vezes realizado em caso de suspeita de dengue clássica ou hemorrágica. É só interromper o fluxo sanguíneo no braço e observar o aparecimento de pequenos pontos vermelhos: há mais risco de sangramentos quanto maior a quantidade de sinais.

Apesar de fazer parte dos exames indicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para diagnóstico da dengue, a prova do laço pode fornecer resultados falsos quando a pessoa está fazendo uso de alguns medicamentos ou se encontra na fase pré ou pós-menopausa.

 Teste rápido
O teste rápido para identificar dengue está sendo cada vez mais utilizado para fazer o diagnóstico, pois demora menos de 20 minutos para identificar a doença e há quanto tempo ela começou. O exame é gratuito e pode ser feito nos postos de saúde.

 Isolamento do vírus
Esse exame tem como objetivo identificar o vírus na corrente sanguínea e estabelecer qual o sorotipo. Essa ação permite o diagnóstico diferencial para outras doenças causadas pela picada do mesmo mosquito e que têm sintomas semelhantes, além de permitir que o médico inicie um tratamento mais específico. O isolamento é feito por meio da análise de uma amostra de sangue coletada assim que surgirem os primeiros sintomas.

 Testes sorológicos
O exame tem como objetivo diagnosticar a doença por meio da concentração de imunoglobulinas no sangue. A concentração do IgM aumenta logo que há o contato da pessoa com o vírus, enquanto o IgG aumenta depois, mas ainda na fase aguda da doença, e permanece em quantidades elevadas no sangue, sendo, portanto, um marcador da doença.

Os testes sorológicos normalmente são solicitados como forma de complementar o exame de isolamento do vírus, e o sangue deve ser coletado cerca de seis dias após o início dos sintomas.

Exames de sangue
O hemograma e o coagulograma também são exames solicitados pelo médico para diagnóstico da dengue, principalmente da dengue hemorrágica. No hemograma, normalmente são verificadas quantidades variáveis de leucócitos. Além disso, geralmente é observado o aumento do número de linfócitos (linfocitose) com a presença de linfócitos atípicos.

O coagulograma, exame feito para verificar a capacidade de coagulação do sangue, normalmente é solicitado em caso de suspeita de dengue hemorrágica e pode indicar que a hemostasia (processo natural do corpo e que regula o fluxo sanguíneo) não está acontecendo conforme deveria.

 Exames bioquímicos
Os principais exames bioquímicos solicitados são a dosagem de albumina e das enzimas hepáticas TGO e TGP, indicando o grau de comprometimento do fígado e sendo indicativas de estado mais avançado da doença.

 O Mosquito

O Aedes aegypti é o mosquito transmissor da dengue e da febre amarela urbana. Menor do que os mosquitos comuns são pretos com listras brancas no tronco, na cabeça e nas pernas. Suas asas são translúcidas e o ruído que produzem é praticamente inaudível ao ser humano.

O macho, como de qualquer espécie, alimenta-se exclusivamente de frutas. A fêmea, no entanto, necessita de sangue para o amadurecimento dos ovos que são depositados separadamente nas paredes internas dos objetos, próximos a superfícies de água limpa, local que lhes oferece melhores condições de sobrevivência. No momento da postura são brancos, mas logo se tornam negros e brilhantes.

Em média, cada mosquito vive em torno de 30 dias e a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos. Se forem postos por uma fêmea contaminada pelo vírus da dengue, ao completarem seu ciclo evolutivo, transmitirão a doença.

Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície, principalmente em recipientes artificiais. Quando chove, o nível da água sobe, entra em contato com os ovos que eclodem em pouco menos de 30 minutos. Em um período que varia entre sete e nove dias, a larva passa por quatro fases até dar origem a um novo mosquito: ovo, larva, pupa e adubo.

O Aedes aegypti põe seus ovos em recipientes como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d’água descobertas, pratos sob vasos de plantas ou qualquer outro objeto que possa armazenar água da chuva. O mosquito pode procurar ainda criadouro natural, como bromélias, bambus e buracos em árvores.

É um mosquito urbano, embora tenha sido encontrado na zona rural, onde foram levados em recipientes que continham ovos e larvas. Próprio das regiões tropical e subtropical, não resiste a baixas temperaturas presentes em altitudes elevadas.

Estudos demonstram que, uma vez infectada – e isso pode ocorrer numa única inseminação –, a fêmea transmitirá o vírus por toda a vida, havendo a possibilidade de, pelo menos, parte de suas descendentes já nascerem portadoras do vírus.

As fêmeas preferem o sangue humano como fonte de proteína ao de qualquer outro animal vertebrado. Atacam de manhãzinha ou ao entardecer. Sua saliva possui uma substância anestésica, que torna quase indolor a picada. Tanto a fêmea quanto os machos abrigam-se dentro das casas ou nos terrenos ao redor.

 

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