ECONOMIA – Em crise, comércio local demite e lojas fecham

criseSe a onda de violência assusta os moradores do Guará e tornou-se tema de comentários nas redes sociais, especialmente após um arrastão nas paradas de ônibus e destruição de caixas eletrônicos de um banco na cidade, outro tema já preocupa em igual ou maior grau. Trata-se da grave crise instalada no comércio. Desde o final de 2014 comerciantes reclamam da diminuição permanente de clientes nos principais estabelecimentos da cidade.

lettieriNas últimas semanas, segundo o presidente da Associação Comercial do Guará (Acig), Deverson Lettieri (foto), a situação passou a preocupar mais porque algumas lojas fecharam as portas e os índices de desemprego  já ameaçam. “Recebemos todo tipo de informação, mas, de modo geral, do grande ao pequeno, o setor passa por um momento difícil”, analisa.

Segundo Lettieri, somente uma construtora que atua na região teve pedidos de distrato (quando o cliente devolve o imóvel por algum motivo) na ordem de R$ 300 milhões somente em 12 meses. Ele informa que não é somente o mercado imobiliário que despencou, e sim todo o comércio. “Muitos empresários acreditam que se essa fase não passar,  vão demitir até 30% de seus quadros.

Lettieri acrescenta que pouco adianta reclamar e assistir ao drama dos empresários. Há cerca de dez dias a Federação das Associações  Comerciais e Industriais do DF (FACI-DF) se reuniu com todas as associações comerciais do DF para discutir o tema e buscar uma solução. “As associações concordam que não adianta olhar pelo retrovisor, ver o passado. Teremos que buscar apoio do governo, mas ao mesmo tempo ampliar as formas de divulgação, atender melhor, atrair a clientela, além de promover feiras e outras formas de mostrar o produto!”, comenta.

O presidente da Acig informa ainda que trabalha com outras lideranças para evitar que o governo aumente ainda mais os impostos. Para ele, os altos custos com tributação é fator preocupante. Segundo ele, as administrações regionais precisam combater também o comércio informal, uma vez que contribui  para o fechamento de empresas formais.

Câmara tenta colaborar

Enquanto não há uma solução definitiva, e nem uma política agressiva do governo para combater o problema, até mesmo os deputados já se mostram preocupados. Em maio, uma frente parlamentar tendo entre os “padrinhos” a presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT) pretende defender os interesses da classe produtiva e garantir a geração de empregos, se comprometendo até mesmo segurar projetos do Executivo que possam prejudicar ainda mais o setor produtivo no DF.

Reclamações de norte a sul

Enquanto políticas não avançam, os comerciantes do Guará e região reclamam da situação e tentam contornar a queda nas vendas. Para Aderbal Luiz, proprietário de uma imobiliária no Guará I, o principal culpado pela crise são os governos do DF e federal. Mesmo assim ele acredita que é necessário solução imediata. “Parou tudo. Ninguém compra e ninguém vende. Na semana passada anunciei num final de semana quase 50 imóveis e recebi na semana seguinte apenas duas ligações e mesmo assim não fechei negócio, isso é preocupante”, diz. Para ele, todos os segmentos estão parados e a sociedade pagando um preço alto por isso. Aderbal sugere que o governo precisa ter maior planejamento e esquecer a gestão anterior, além de aceitar ajuda de especialistas e dos próprios empresários.

Outro segmento afetado é o de gastronomia e bares. A reclamação dos lojistas é que o movimento diminuiu cerca de 30% em dois meses. Para Jorge Eustáquio, proprietário do restaurante Palhoça, a alternativa enquanto não há uma política eficiente por parte do governo é trabalhar com promoções e diminuir margem de lucro. Há duas semanas ele  anuncia redução em um de seus principais pratos na ordem de 25%. “Melhorou um pouco, mas a gente percebe que é uma solução paliativa, porque o povo sem dinheiro não compra”, reclama.

Restaurantes no Guará e Bandeirante chegam a dar 30% de desconto em pratos e mesmo assim movimento cresceu pouco
Restaurantes no Guará e Bandeirante chegam a dar 30% de desconto em pratos e mesmo assim movimento cresceu pouco

No ramo de reparação automotiva, a situação é pior. Com a diminuição nas vendas, empresas que trabalham com seguros e manutenção estão praticamente paradas. No mercado há 20 anos, o empresário Dauto Coelho afirma que já diminuiu seu quadro em 10% e planeja diminuir mais 20% se o governo não tomar uma providência para aquecer o setor. “É uma cadeia, se não tem comprador, quem agrega os serviços não tem para quem vender. É o caso do carro. Se a concessionária não vende quem vai fazer seguro?

Calçados e supermercados

Outros fatores  que influenciam a crise é a alta dos preços. Para Wilson Pereira Matos, do Supermercado Canteiros, no Guará II, o aumento de diversos produtos inviabiliza novas contratações. “O tomate, por exemplo, teve alta de 50% em um mês, assim como outros produtos também sofreram reajuste. Então a gente fica na expectativa de uma estabilidade de preços para pensar em mão de obra. Hoje é mais fácil o comércio demitir do que contratar”, analisa.

À frente da Kidut Calçados, no Núcleo Bandeirante, o empresário Vicente Kidut é outro que culpa o governo pelo momento ruim. “Se você tem uma crise no governo federal, aumento da água em São Paulo, estado onde estão quase todas as fábricas e aumento de impostos, essa matemática só poderia resultar no que as pessoas estão vendo, o desemprego”, comenta.

Texto e fotos: Amarildo Castro

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