Em meio à greve de servidores, secretarias de Valparaíso funcionam normalmente

Após deflagração da greve dos servidores municipais de Valparaíso, que chegou nesta quinta-feira (28) no seu sétimo dia, até agora o movimento grevista praticamente não atingiu a maioria das secretarias municipais da cidade. Todas elas funcionam normalmente, com exceção da Secretaria de Educação, cujos funcionários lideram a greve. No entanto, na avaliação da prefeitura, o movimento não ocasionou o fechamento por completo de nenhuma escola, mas algumas chegaram a perder boa parte de seus funcionários, afetando, sobretudo alunos do 5º ao 9º ano.  Mesmo assim, o Executivo espera resolver o impasse com os grevistas nos próximos dias.

Movimento grevista pede 16, 77% de reajuste

Na Educação, o Sindsepem/Val, que representa a categoria, calcula que o número de adesões à greve chegou a 70%, mas a direção não soube informar qual foi o percentual de grevistas nas outras áreas.

Já a prefeitura local, por meio do secretário de governo, Plácido Cunha, informou que, fora a Educação, o movimento é pequeno e não chega a prejudicar os serviços oferecidos pelos órgãos municipais.

O secretário de Governo, Plácido Cunha diz que prefeitura já gasta 54% com salários, e que reajuste de 16,77% está fora da realidade para o Executivo local: “Pedimos compreensão”

Plácido explicou ainda que o aumento de 3,94% oferecido pelo governo municipal aos servidores é o máximo que a prefeitura pode fazer para recuperar as perdas salariais. O percentual oferecido pela prefeitura é condizente com o momento econômico. Isso por que, segundo o secretário, o pagamento a servidores no município está no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, que hoje não permite pagar mais do que 54% com a folha de pessoal, sob o risco infringir a legislação.

Plácido, em nome do prefeito, pede a compreensão do funcionalismo para que tenham um pouco de paciência e entendam o momento econômico por que passa a cidade. Explica ainda que atualmente o Executivo local já gasta 54% da receita com a folha de servidores. Além disso, a lei manda investir 25% na Educação, 15% na Saúde e 6% vai para a Câmara Municipal, restando apenas 4% dos recursos para investir em outras áreas.

O secretário comenta que para fazer qualquer tipo de obra na cidade tem que contar com emendas parlamentares. Caso contrário, fica inviável a realização de qualquer serviço.

O outro lado

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores e Empresas de Valparaíso (Sindsepem/Val), Marcilon Duarte, a categoria pede 16,77% de reajuste, vale alimentação, gestão democrática, revisão dos planos de carreira, vale transporte integral e redução da carga horária dos servidores que completarem 20 anos de carreira. Duarte argumenta que a prefeitura teria margem orçamentária para arcar com as reivindicações da categoria, por isso os servidores não devem abrir mão da proposta inicial. “A LOA (Lei Orçamentária Anual) aprovada em 2018 prevê gastos de R$ 231 milhões com os servidores locais e, com base nisso, vimos que tem orçamento para arcar com nossas reivindicações”, comenta o presidente.

Para o vereador Silvano (PT) a greve é justa. Lembrou que no ano passado o percentual de reajuste foi de 1,81% “O governo municipal pode melhorar as condições de trabalho da categoria em outros itens da pauta de reivindicação, não só na questão salarial, como a do vale transporte integral e na de gestão democrática quando da escolha do diretor da escola”, apontou.

A greve dos professores e servidores da Educação Municipal de Valparaíso coincide com um momento complicado da categoria em todo o Estado de Goiás. Em Goiânia, a capital, muitos servidores da Educação estadual estão com salários atrasados, e foi necessária a intervenção da Assembleia Legislativa para que os salários fossem pagos, liberando verbas de um fundo da Educação para quitar os débitos com a categoria. Mesmo assim, as reclamações não param, atingindo demais cidades goianas.

Nesta sexta-feira (29), às 9h, os grevistas fazem assembleia em frente à Câmara de Vereadores para avaliar os rumos do movimento, se continuam ou voltam ao trabalho. Mas a esperança dos servidores é que a prefeitura se sensibilize com a reivindicação da categoria.

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