Em plenas eleições, Cave em ruínas é reflexo da falta de investimento em esporte no Guará

Símbolo maior do esporte no Guará por várias décadas, e que era tido como base para o futebol local e também de apoio para outros times candangos, o estádio Antônio Otoni Filho, mais conhecido por Cave, em plena campanha eleitoral, é exemplo do maior descaso com o esporte no Guará. Pela segunda vez, a obra está parada há quase três meses e não foi informada até fechamento desta reportagem nenhuma previsão de retomada. Para piorar, o estádio encontra-se sem nenhuma condição de uso, com o gramado que já havia sido replantado em péssimas condições, com estrutura demolida parcialmente e um completo ar de abandono. Em fotos feitas no último dia 20 pela reportagem do Blog do Amarildo revelam situação desalentadora, como a tribuna de imprensa, que hoje mais parece com as famosas ruínas gregas, cartões postais daquele país, retratando tempos gloriosos da Grécia antiga, mas que não é caso do Cave, que só revela menosprezo pelo que deveria ser um ponto turístico da cidade.

Tribuna de imprensa completamente deteriorada

Após a tão esperada reforma, orçada em mais de R$ 8 milhões, via convênio entre GDF e Caixa Econômica Federal, hoje retrata o total desprezo com o esporte na cidade.  Em meados de 2013, após aprovação dos contratos, a esperada reforma teve início, mesmo sob as críticas de alguns moradores que acreditavam não haver necessidade de se gastar tanto com um estádio modesto se comparado a outros do DF.

Na época, passadas as polêmicas discussões, a reforma previa que apenas seria aproveitada a estrutura das arquibancadas e dos muros externos. Todo o setor relacionado à acomodação das equipes e à arbitragem seria demolido e reformulado. Além disso, seriam construídos sala para imprensa, de fisioterapia, copa, salas de apoio para os times da cidade e de visitantes, bem como vestiário para os árbitros.

O campo passaria por uma nova remodelação, com drenagem, irrigação automática e receberia grama da espécie Bermudas, tal qual a que há no Mané Garrincha. De acordo com os novos parâmetros estabelecidos pela Fifa, as dimensões do gramado  deveriam ser aumentadas, já que as medidas atuais estavam bem abaixo do mínimo exigido. Para que isso fosse possível, a pista de atletismo, pouco utilizada, seria removida.

O estado do gramado também é precário

O setor destinado ao torcedor estava previsto até o final de setembro de 2013. A arquibancada previa 2.970 assentos em ambos os lados. Também estavam estimados novos vestiários para uso do público e uma nova bilheteria de acesso no mesmo lugar da que existe hoje.

Após as Olimpíadas, o estádio seria utilizado para jogos do Campeonato Brasiliense de Futebol e para shows e eventos de menor porte, com previsão de público de até 5 mil pessoas, que não compensariam ser realizados no estádio Mané Garrincha, que tem capacidade para 65 mil pessoas e um alto custo de aluguel e manutenção. Até os recursos já estavam previstos e incluídos no orçamento do então Governo do Distrito Federal para as obras de infraestrutura para receber as Olímpiadas. Seriam apenas R$ 8 milhões, o que corresponderiam a apenas 2% do que custou o Mané Garrincha. Mas, quase dois anos depois, o estádio não ficou pronto, e, pior, não tem condições de ser utilizado porque foi parcialmente demolido. As obras chegaram a ser retomadas em abril, mas foram novamente paralisadas, por falta de recursos financeiros.

Foto aérea feita pelo GuaráHOJE mostra tribuna de imprensa destruída e vigas novas ao relento

De acordo com o Jornal do Guará, em reportagem publicada em julho deste ano, noticiava que a reforma do estádio, iniciada em fevereiro de 2016, com previsão de conclusão em cinco meses, depois ampliados para oito meses, mas em setembro, quando o gramado e a estrutura do vestiário estavam concluídos, a empreiteira Construtec Engenharia detectou várias falhas no projeto e a obra teve que ser paralisada para as correções. Como o convênio do financiamento da reforma envolvia quatro órgãos – Secretaria de Esporte do DF, Ministério do Esporte, Caixa Econômica Federal e Novacap – a burocracia emperrou as providências em um ano e meio. Por causa das falhas do projeto, que provocaram aumento no custo da parte já executada da obra. A empreiteira chegou a solicitar um aditivo ao contrato, o que aumentou mais ainda a morosidade na conclusão das providências.

“Quando tudo estava aparentemente resolvido, com a retomada das obras em abril deste ano, o Ministério do Esporte comunicou à Secretaria de Esporte que estava cancelando o repasse de mais de R$ 6 milhões da sua parte no convênio da reforma do estádio, porque os recursos não foram utilizados dentro do orçamento do ano passado”, informava o jornal.

Sem o dinheiro prometido pelo governo federal, a Secretaria de Esporte busca recursos no Orçamento do GDF para a conclusão da reforma, através de emendas parlamentares apresentadas por deputados distritais. Uma delas, no valor de R$ 3 milhões, foi solicitada ao deputado distrital Rodrigo Delmasso (PRB). A reportagem do GuaráHOJE entrou em contato com Delmasso. Sensibilizado com o caso, ele afirma que a verba de R$ 3 milhões é inviável no momento, entretanto deixa claro que está buscando conseguir alguma quantia para dar continuidade à reforma do espaço.

Apesar da situação informada pelo Jornal do Guará, em julho, na verdade, no momento não há nenhuma alteração nas condições do estádio. A obra continua parada e o espaço chama atenção pelo estado de abandono. Em foto tirada pelo jornal GuaráHOJE nesta semana mostra o gramado deteriorado, com claros sinais de abandono. Aparentemente, só não está pior graças às chuvas recentes que caíram na cidade. Até o estacionamento do estádio hoje é utilizado para outros fins, como de ponto de ônibus escolares. Um e-mail foi enviado para Novacap, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.

Contudo a assessoria de comunicação da Administração Regional do Guará adiantou que na próxima sexta-feira (24), membros da Novacap e da administração estarão reunidos para definir o rumo das obras.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer, interpelada sobre o assunto, se limitou, por e-mail, a informar que “busca recursos para dar continuidade à obra”.

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