Em ruínas, com gramado novo destruído e obras paradas, Cave é o maior desafio de Ibaneis no Guará

Promessa de campanha do governador Ibaneis é de que tudo que esteja pendente estará funcionando em sua gestão, o que leva a crer que com a reforma do estádio não será diferente

Por Amarildo Castro e Álvaro Pereira – Depois de três tentativas de reforma do Cave, sendo uma dela no governo Agnelo, quando um convênio foi firmado com a Caixa Econômica. Na época a verba não chegou a ser liberada e os trabalhos só tiveram início no governo Rollemberg, quando o dinheiro foi liberado. Os serviços avançaram rápido entre 2015/2016. Na ocasião, o estádio chegou a ganhar grama nova, mas, repentinamente, a obra parou por falta de repasse, voltando em 2018, porém de forma tímida e feita diretamente pela Novacap,  e em seguida parou por completo. Desde então, a obra tornou-se um dos maiores desafios para o empossado governador Ibaneis Rocha (MDB). Na prática, hoje, moradores esperam da nova gestão uma solução definitiva para uma das áreas mais prioritárias para o Guará.

No último dia 28 de janeiro, a reportagem do jornal GuaráHOJE/Cidadess voltou  ao local após alguns meses. O cenário por lá é um dos mais assustadores da cidade. O mato cresceu, o gramado que havia sido plantado praticamente desapareceu, transformando-se num verdadeiro capinzal. Tudo que havia sido derrubado anteriormente continua em ruínas, atraindo animais peçonhentos e outros nocivos. Às pressas, após ser alertada pelo GuaráHOJE/Cidades, a Novacap prometeu ao menos cortar o matagal, o que não havia sido feito até o fechamento desta reportagem, na sexta-feira, 8 de fevereiro.

O novo gramado, que foi plantado durante a obra e seguia mesmas características da grama do Serra Dourada, em Goiânia, hoje está totalmente tomado pelo mato e será quase impossível recuperá-lo

Além das ruínas, o problema da paralisação das obras preocupa. Para se ter uma ideia, até mesmo os tapumes que serviam de proteção e que evitavam a presença de estranhos à obra parada, agora foram derrubados por vândalos ou caíram pela ação do tempo. Com isso, qualquer curioso pode ter acesso ao local com facilidade. Há denúncias de que até moradores de rua estariam usando os alojamentos que antes abrigavam os trabalhadores da construção.

Diante desse cenário, uma das maiores cobranças da comunidade, principalmente as que são ligadas ao esporte, continua sendo a conclusão da obra. Mas até agora a situação é ainda incerta.

Ruínas ficaram após paralisação das obras, como a tribuna de honra, derrubada e não reconstruída

Em entrevista à reportagem, a administradora do Guará, Vânia Gurgel, disse não ter conhecimento técnico sobre a obra, mas que está averiguando a respeito de documentação nova que possa estar relacionada à reforma do Cave. Acrescentou que vai agendar uma reunião audiência com governador Ibaneis, para tratar do esporte na cidade, incluindo a situação da reforma do estádio. Sobre o gramado, a administradora diz que vai tentar, por meio da Novacap, fazer uma limpeza, para que o mato não se alastre por todo o espaço.

O que se sabe nos bastidores é que a última tentativa para a retomada das obras que se tem notícia foi a iniciativa da própria Novacap, a quem está afeta a condução das obras, e não da Construtec, responsável pelos trabalhos, mas que não demonstrou mais interesse em retomá-la.

O que diz a Novacap

A Novacap, por meio de e-mail, pouco informa a respeito do assunto, limitando-se a divulgar nota lacônica: “a realização de serviços complementares resulta da necessidade de corrigir falhas observadas no decorrer da obra. Estritamente técnica, essa revisão contribuirá para a melhoria qualitativa dos projetos e para o bom andamento da obra, não implicando em desvirtuamento do objeto contratado”.

A nota prossegue dizendo que ”tais readequações ocorrerão nas instalações da tribuna de honra e das bilheterias. Não haverá readequação dos vestiários”.

Quando interpelada pela reportagem do GuaráHOJE sobre valores e prazos, a estatal apenas declarou que a definição do valor da obra e da data de retomada dos serviços será conhecida após finalização do projeto, o qual não informou nem estimou sua conclusão. Também não informou se haveria uma nova licitação para a retomada da obra ou tampouco se a empresa anterior, a Construtec, continuaria responsável pela construção.

Até a proteção da obra caiu com o passar do tempo. Denúncia de moradores afirmam que há até moradores de rua frequentando o local para usar drogas a noite

 Esporte relegado a segundo plano na cidade

Símbolo maior do esporte no Guará por várias décadas, e que era tido como base para o futebol local e também de apoio para outros times candangos, o estádio Antônio Otoni Filho, mais conhecido por Cave, é exemplo do maior descaso com o esporte no Guará. Pela segunda vez, a obra está parada há mais de nove meses. Para piorar, o estádio encontra-se sem nenhuma condição de uso, com o gramado que já havia sido replantado em péssimas condições, com estrutura demolida parcialmente e um completo ar de abandono. Em fotos feitas pela reportagem do Blog do Amarildo revelam situação desalentadora, como a tribuna de imprensa, que só demonstra menosprezo pelo que deveria ser um ponto turístico da cidade.

A administradora do Guará, Vânia Gurgel diz que está  juntando documentos da obra para se encontrar com o governador Ibaneis para tratar do tema

Após a tão esperada reforma, orçada em mais de R$ 8 milhões, via convênio entre GDF e Caixa Econômica Federal, hoje retrata o total desprezo com o esporte na cidade.  Em meados de 2013, após aprovação dos contratos, a esperada reforma teve início, mesmo sob as críticas de alguns moradores que acreditavam não haver necessidade de se gastar tanto com um estádio modesto se comparado a outros do DF.

Na época, passadas as polêmicas discussões, a reforma previa que apenas seria aproveitada a estrutura das arquibancadas e dos muros externos. Todo o setor relacionado à acomodação das equipes e à arbitragem seria demolido e reformulado. Além disso, seria construída sala para imprensa, de fisioterapia, copa, salas de apoio para os times da cidade e de visitantes, bem como vestiário para os árbitros.

O campo passaria por uma nova remodelação, com drenagem, irrigação automática e receberia grama da espécie Bermudas, tal qual a que há no Mané Garrincha. De acordo com os novos parâmetros estabelecidos pela Fifa, as dimensões do gramado  deveriam ser aumentadas, já que as medidas atuais estavam bem abaixo do mínimo exigido. Para que isso fosse possível, a pista de atletismo, pouco utilizada, seria removida.

Conas expostas ao relento após fiasco da tentativa de reforma

O certo é que quando da primeira reforma o replantio da grama chegou a ser feito, mas a falta de manutenção acabou com a nova grama. Na primeira paralisação da obra, o cuidado do gramado ficou sob a responsabilidade da diretoria do Guará Esporte Clube a título de trabalho voluntário, sem receber um centavo do então governo. A tentativa não deu certo e o governo contratou uma empresa, que receberia R$ 700 mil para cuidar do gramado. Mas a empresa, alegando prejuízos financeiros, desistiu do negócio. A Novacap, quando se pronunciou sobre o assunto não fez nenhuma menção sobre repasse de verba relacionado ao plantio da grama. Desde 2018, o trabalho para cuidar do gramado está estagnado.

 Sem recursos, obra fica parada

O setor destinado ao torcedor estava previsto até o final de setembro de 2013. A arquibancada previa 2.970 assentos em ambos os lados. Também estavam estimados novos vestiários para uso do público e uma nova bilheteria de acesso no mesmo lugar da que existe hoje.

Após as Olimpíadas, o estádio seria utilizado para jogos do Campeonato Brasiliense de Futebol e para shows e eventos de menor porte, com previsão de público de até 5 mil pessoas, que não compensariam ser realizados no estádio Mané Garrincha, que tem capacidade para 65 mil pessoas e um alto custo de aluguel e manutenção. Até os recursos já estavam previstos e incluídos no orçamento do então Governo do Distrito Federal para as obras de infraestrutura para receber as Olímpiadas. Seriam apenas R$ 8 milhões, o que corresponderiam a apenas 2% do que custou o Mané Garrincha. Mas, passados quase quatro anos, o estádio não ficou pronto, e, pior, não tem condições de ser utilizado porque foi parcialmente demolido. As obras chegaram a ser retomadas em abril de 2018, mas foram novamente paralisadas, por falta de recursos financeiros. “O Ministério do Esporte comunicou à Secretaria de Esporte que estava cancelando o repasse de mais de R$ 6 milhões da sua parte no convênio da reforma do estádio, porque os recursos não foram utilizados dentro do orçamento do ano passado”, informava, à época, o Jornal do Guará.

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