ENTORNO – Prefeitura retira carteiras de cursinho social e dezenas de alunos assistem aulas em pé em Valparaíso de Goiás

Depois de muitas expectativas sobre o funcionamento do cursinho pré-vestibular e para concursos que leva o nome da própria prefeitura, Executivo local informa que aulas devem continuar na Escola Municipal Ipanema, mas até agora gestores do cursinho não foram informados dessa mudança e alunos estão apreensivos sobre futuro das aulas

Não bastassem as dificuldades financeiras enfrentadas por mais de 200 alunos do Cursinho  Social Prefeitura de Valparaíso, trabalho ministrado por professores voluntários, que até o ano passado contava com o apoio da própria prefeitura, que cedia o espaço, e equipamentos, em sala alugada na Rua 5, Quadra 24, no bairro Ipanema, agora esses mesmos estudantes convivem com mais um desafio. Desde o início do ano funcionários da prefeitura recolheram todas as carteiras que antes eram usadas pelos alunos e agora eles são obrigados a assistirem as aulas em pé até que a situação se resolva.

Atualmente aulas são ministradas com alunos sentados no chão

Além disso, reclama uma das coordenadoras do cursinho, Satya Muniz de Jesus, não há garantia de que o trabalho possa continuar, pois não houve até agora nenhum comunicado da prefeitura. Segundo ela, o aluguel do imóvel não foi renovado. “É um drama para esses alunos, eles não podem pagar um cursinho particular e dependem desse espaço e estrutura para conseguir uma aprovação em uma faculdade ou concurso”, observa.

Satya ainda reclama que a falta de carteiras é o principal problema. “A falta de bebedouros a gente contorna, mas de carteiras não”, reclama. Segundo a coordenadora, no último sábado (4), os professores conseguiram algumas carteiras emprestadas por meio de uma escola particular, mas o material tem data para ser entregue de volta.

Ainda de acordo  com Satya, o prefeito Pábio Mossoró recebeu em 25 de janeiro uma comissão de alunos. Na ocasião, o chefe do Executivo local teria garantido que não acabaria com o cursinho, mas que faria um ajuste para que os alunos pudessem continuar assistindo as aulas e com mais conforto. No entanto, segundo Satya, não foi dado um parecer final, e para surpresa, a prefeitura retirou do local recentemente 97 carteiras que eram usadas pelos alunos.

Contrato de locação de prédio não foi renovado, mas prefeitura garante que abrirá espaço na Escola Ipanema

“Precisamos que a prefeitura nos dê um parecer inclusive para a continuidade do cursinho, pois não temos nenhum segurança, e necessitamos também das carteiras”, diz Satya.

Segundo ela, houve um abaixo assinado feito pelos alunos e direcionados aos professores do Alub para que dessem continuidade ao projeto, mas a prefeitura também precisa colaborar, mas até agora o Executivo não deu um parecer sobre a continuidade do projeto.

O aluno Davi Santos Almeida diz que precisa do cursinho porque não pode pagar e sonha entrar na universidade

Alunos reclamam

Moradora da Etapa B, em Valparaíso 1, Sônia Cecília Castro diz que participar do cursinho é a expectativa da realização de um sonho e de uma necessidade. “Não posso pagar uma faculdade particular, e estou aqui com a esperança de passar na UnB, pois lá, se a gente não tiver um reforço, dificilmente vai conseguir a vaga”, observa. Ela ainda reclama que é desumano assistir aulas em pé, como vem ocorrendo. “Esse cursinho atua no que a gente precisa, ele não pode acabar”, pontua.

Dificuldade semelhante tem o morador do bairro Anhanguera, Davi Santos Almeida, de 20 anos. No último dia 4 ele assistiu aulas sentado no chão. “Dificulta porque a falta de conforto tira a atenção do aluno, e eu não tenho o que fazer porque não posso pagar aulas particulares”, reclama.

 

 

 

 

 

 

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*