ENTORNO/EDUCAÇÃO – Após quebradeira e caos Caic de Valparaíso tenta voltar à normalidade

IMG_6668

Símbolo de uma escola que deveria ser modelo na cidade, o Centro de Atenção Integrada à Criança e ao Adolescente (Caic),  em Valparaíso de Goiás, mais conhecida como Escola Municipal Tancredo  de Almeida Neves, vive dias opostos à sua proposta.

Alvo de ataque de alunos numa verdadeira quebradeira no último dia 24 de abril, o colégio nem de longe lembra o exemplo que deveria ser para atender com eficiência e qualidade aos alunos.

Situada em uma área descampada, e com muita poeira ou lama em volta, o Caic, após o famoso quebra-quebra, que se transformou em “viral” na internet e motivo de reportagem negativa até no Fantástico, da Rede Globo, a escola busca a volta da normalidade.

Na entrada, viaturas da Polícia Militar total-de-alunosde Goiás estão estacionadas a quase todo momento, lembrando um órgão de segurança. Mas na verdade, lá dentro, 1.250 alunos, do 6º ao 9º ano, ficam aos “cuidados” da diretora Maria do Socorro da Silva de Jesus, empossada pela segunda vez em dezembro de 2014. Eles tentam fazer o que se espera de pessoas para a idade: estudar.

No último dia 8, a reportagem do jornal GuaráHOJE/Cidades e do Blog do Amarildo, entrevistou com exclusividade a diretora Maria do Socorro. Veja:

testeGuaráHOJE/Cidades – O que de fato aconteceu no dia do episódio, a quebradeira…

Era dia de avaliação, então os alunos teriam aula até a hora do intervalo, às 15h, e depois fariam as provas. Duas meninas começaram uma briga de comida no refeitório, houve tumulto, jogaram uma cadeira na janela e começou o quebra-quebra.

GuaráHOJE/Cidades – Como começou a  confusão e por que os alunos não foram contidos pela segurança?

O tumulto começou na hora do recreio, que é a hora do lanche, eles têm 15 minutos. Descem para o refeitório, usam o banheiro e circulam pelo pátio. Eu estava em reunião com os representantes de turma. Percebi que o recreio estava demorando demais e bem barulhento.  Então, achei que era briga. A ação deles durou de oito a dez minutos. Quando cheguei ao pátio, e tentei subir, não consegui porque as crianças estavam descendo. Abri o portão e pedi para os alunos saírem da escola e todos saíram. Tinha que evacuar, pois tinha vidro quebrado, cadeira quebrada.

GuaráHOJE/Cidades – No último dia 6, parte dos alunos envolvidos foram intimados ao Ciops para esclarecimentos. Acredita que alguém será punido?

A Delegacia Civil, Conselho Tutelar, Promotoria Pública e Juizado da Infância estão juntos nessa situação. Houve um ajuntamento desses poderes para resolver o caso. Eles vão ser identificados, cada um com a sua responsabilidade, a polícia que vai fazer isso e dirá o que será feito. Até agora chegamos a um número de 30 envolvidos. O meu problema de disciplina é só à tarde.

GuaráHOJE/Cidades – Como gestora, acha que episódio poderia ser evitado?

Sim. Há muito tempo atrás. São situações violentas que vêm acontecendo há muito tempo. Ano passado uma professora teve um carro roubado na escola por um aluno, com uma arma na cabeça, e não se tomou providência. Houve incêndio criminoso e alunos baleados na escola, que providência se tomou? Quando saí da direção, há 15 anos, já havia policiamento dentro do Caic.

GuaráHOJE/Cidades – Com mais de mil alunos, a escola não tem um plano de contingência para caso de urgência e emergência, como o ocorrido?

Ninguém espera isso numa escola. Depois disso, enquanto diretora, vou fazer o papel pedagógico de recuperação da escola, porque foi acordado entre o Ministério Público e demais autoridades. Os pais dos envolvidos vão arcar com as responsabilidades e prejuízos, depois do orçamento.

GuaráHOJE/Cidades – Quantos vigilantes cuidam da escola?

No total, dia e noite, temos seis vigilantes.

GuaráHOJE/Cidades – O portão principal de entrada da escola, mesmo após o episódio continua  sem um  segurança, por quê?

Os seguranças não são servidores da escola diretamente, mas de outra secretaria, que não é a de Educação. O diretor de Segurança vai tratar desse assunto com eles. Não me compete.

GuaráHOJE/Cidades – Desde a entrada até a jardinagem, o Caic dá a impressão de abandono, com muita terra batida em volta. Isso não é falta de cuidado?

A frente da escola já está em processo de revitalização. O Caic vai ser a primeira escola cem por cento acessível do município, essa acessibilidade vai desde o portão até as salas.

 A escola está situada em uma área descampada, e com muita poeira ou lama em volta
A escola está situada em uma área descampada, com chão de terra batida na entrada

GuaráHOJE/Cidades – Há denúncias de alunos usando drogas e gente que leva armas para a escola. Isso é verdade?

Há boatos. Enquanto estou aqui, nesses três meses, nunca identifiquei nem peguei ninguém armado e nem portando drogas. Não temos como revistar as crianças.

GuaráHOJE/Cidades – A senhora confirma que os vigilantes foram intimados e depois autuados por um delegado por omissão após o episódio?

Não. Todos que estavam no dia vão como testemunhas. Eles foram chamados para se apresentar ao juiz para prestar esclarecimentos.

GuaráHOJE/Cidades – Após a situação, que providências estão sendo tomadas?

O recreio está monitorado, não ficam mais livremente e estão descendo por turnos. Ficar à vontade no pátio está suspenso. O policiamento está intensivo no período da tarde, porque, de manhã, é tranquilo. À tarde, agora há uma sistemática.modelo-so-horizontal

GuaráHOJE/Cidades – Muitas mães afirmam que vão tirar os filhos do Caic, que recado deixaria para elas?

Não houve nenhum pedido de transferência, ao contrário, estou matriculando. Apesar do evento ocorrido, o Caic é uma escola boa, temos funcionários maravilhosos. Os pais sabem que é uma escola que se pode contar. Todas as escolas têm problemas, às vezes piores que os nossos, mas não foram para a mídia. Queria que as coisas boas fossem mostradas.

Texto e fotos: Amarildo Castro
 

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*