GUARÁ – Mesmo com alvará, compradores relatam drama para construir na Cidade do Servidor

Depois da expectativa gerada pela liberação de alvarás para a construção de casas na antiga Cidade do Servidor, chamada agora de QEs 48/56 do Guará II, os proprietários de terrenos que conseguiram o documento junto à administração da cidade enfrentam agora novo desafio. Lá, as reclamações são generalizadas no setor. Há furtos de maquinários, materiais de construção e a ocorrência de incêndios provocados por vândalos.

Após reclamação de moradores, a reportagem do GuaráHOJE/Cidades foi até o local. A queixa gira em torno de falta de infraestrutura, como água, luz elétrica e segurança pública.

O casal Clériston Rios e Marineide Dourado reclamam da falta de infraestrutura e insegurança: prejuízos durante obra

Os proprietários de lotes reclamam não só da ausência das melhorias prometidas, mas também denunciam furtos de maquinários e de material de construção, impedindo-os de levar adiante a edificação de suas casas.

O casal Clériston Rios e Silva, personal trainer, e a bancária Marineide Dourado Rios, proprietário do lote 1, do Conjunto J da QE 50, ouvido pelo Jornal GuaráHOJE/Cidades,  contou sobre as dificuldades que enfrentam para construir seu imóvel. Segundo eles, são constantes os casos de roubos de fiação e de transformador de energia elétrica locais.

Depósito de material de construção arrombado por bandidos no terreno de uma obra, cena rotineira nas casas em construção

“O nosso alvará saiu em maio quando começamos a construir a nossa casa. A partir de então começou a nossa via crúcis. Por não haver luz elétrica, tivemos que alugar um gerador; sem água, recorremos a caminhões-pipa, tudo para que a obra não parasse. Ligamos para CEB e Caesb, para resolver o problema, mas disseram que não tinha como solucionar a questão de imediato porque não dispunham de novos equipamentos de reposição”, contou Marineide.

Mas os problemas do casal não pararam por aí. Clériston diz que durante a construção do imóvel começaram a sumir os materiais utilizados na obra. “Carrinhos de mão, cimento, tijolos, areia eram levados. Ferramentas dos pedreiros e objetos pessoais dos trabalhadores, como até uma botina e talheres deles, foram furtados”, relata ele.

“Nem oferecendo dinheiro para que os operários dormissem na obra, a fim de evitar o sumiço dos objetos, conseguimos convencê-los. O medo entre eles é maior”, conta Marineide.

O casal diz que não são os únicos a enfrentar todas essas dificuldades. De acordo com eles, cerca de 100 outros moradores estão vivenciando o mesmo martírio.

“Precisamos construir o mais rápido possível, pois assim como muitos que querem livrar-se do aluguel, nós estamos morando de favor em casa de parentes”, desabafou Clériston, acrescentando que a situação aflige também o empreiteiro de sua casa, que tem sob sua responsabilidade sete operários. “Ele está aflito para terminar a obra e pegar outra, porque quanto mais demorar o prejuízo pra ele é grande”, conclui.

A reportagem ouviu ainda um operário que trabalha em outra construção na QE 52. C.S. disse que também há casos de arrombamentos em residências construídas por ali. Na própria casa que ajuda a construir já ocorreram tentativas de roubo, mas como dorme na obra os ladrões não conseguiram arrombar o barraco em que ficam os trabalhadores. “Aqui, não podemos sair nenhum minuto porque ‘os malas’ roubam mesmo”, diz C.S.

 Queixa antiga

 O tema já foi alvo de reportagem do  GuaráHOJE/Cidades, em sua edição 190, de fevereiro deste ano.  Alguns donos de lotes da QE 56, que, juntamente com as QEs 48, 50, 52 e 54, formam o que já foi denominado de Cidade do Servidor, projeto criado pela Lei Complementar nº 85 de 13 de fevereiro de 1998, procuraram, na ocasião, o jornal para fazer a denúncia.

À época, eles já denunciavam esses problemas, incluindo o de roubos de cabeamentos da CEB e de tampas de bueiros de esgotos da Caesb. Sem contar, é claro, da falta de segurança pública, além da burocracia para obter o alvará de licenciamento para se construir.

Um e-mail foi enviado à Assessoria de Comunicação da Administração do Guará, sobre a demanda e outro à Assessoria da Polícia Militar. A reportagem aguarda as respostas para atualizar o texto.

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