Guará – Direção do Maxwell teria tentado maquiar dívidas e problemas para tentar passar escola à frente

Após cerrar as portas, na quarta, dia 30, nem os fiscais do Procon conseguiram falar com a direção do Maxwell

O fechamento do Colégio Maxwell, que cerrou as portas na quarta-feira (30) no Guará, traz ao menos mais alguns dados curiosos além da própria crise. No sufoco para pagar os mais de 65 funcionários, maioria sem receber há três meses, a escola buscava encontrar um novo dono para assumir as dívidas e tentar reestruturar a escola. E ficou perto de anunciar um grupo de Sobradinho como futuros proprietários.

O tema, que já durava um mês, animou pais e alunos. Os pais e professores chegaram a se reunir com os novos interessados na escola e até uma data foi marcada para o depósito de R$ 160 mil para pagamento dos funcionários. Mas como dados contábeis consistentes não foram apresentados até a semana passada, o negócio começou a dar sinais de que não ocorreria. O dinheiro não foi depositado e os futuros donos faziam uma auditoria nas contas do colégio e na documentação para bater o martelo do negócio. A surpresa ficou por conta do ginásio da escola. Em área pública, a construção não teve a renovação do uso de concessão firmada com a Administração do Guará/GDF porque o Tribunal de Contas já pediu a devolução do terreno após exigência do Ministério Público. Com isso, o recredenciamento junto ao MEC, que deveria ser feito até 2 de novembro próximo. Ficou distante, quase impossível, porque escolas com alunos a partir do sexto ano precisam de uma quadra de esporte para atividades físicas, requisito do Ministério da Educação.

Com isso, os futuros donos desistiram do negócio e também não depositaram o tão sonhado dinheiro para pagar os funcionários. E assim, a escola fechou as portas na manhã da última quarta-feira (30).

Sem o credenciamento junto ao Mec, o Maxwell terá dificuldade para continuar a funcionar em 2020. Depois de toda a crise que já se arrasta há dois anos e que se agravou a partir de julho último, devido a atraso de salários, a instituição dificilmente terá condições de voltar a operar de imediato ou até mesmo no ano que vem, segundo algumas pessoas ligadas à educação ouvidas pela reportagem do Blog do Amarildo, mas que preferem não se identificarem.

O problema, segundo apurou a reportagem, vai além da crise financeira. Não obstante a falta de pagamento para os mais de 60 funcionários, a escola enfrenta problemas desde o ano passado pela ausência de credenciamento junto ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) porque, praticamente, sua documentação está vencida. Precisa ser feito um novo cadastramento no ministério.

Um dos entraves para que o cadastro seja renovado é necessário que se tenha uma quadra de esportes ou ginásio, a fim de que os alunos possam praticar atividades esportivas. É o que determina o próprio MEC.

No caso do Maxwell, a quadra, que fica em área pública, está em situação irregular, isso porque o Ministério Público do DF solicitou o embargo da área utilizada para essa prática. Como não obteve a licença, o Tribunal de Contas do DF requereu a devolução do terreno. Com isso, o credenciamento tornou-se inviável, pois o prazo para o novo cadastro que habilitaria o colégio a funcionar em 2020 ficou comprometido, já que no próximo dia 2 (sábado) expira o prazo para a resolução desse imbróglio.

Contudo, a escola provavelmente não deverá ser reaberta de forma imediata e terá até mesmo muitas dificuldades para funcionar no ano que vem.

Ontem (30), sequer fiscais do Procon DF conseguiram qualquer contato com a direção do Maxwell. O que se viu por lá foi o pessoal que prestava serviços de cantina retirando materiais e equipamentos do comércio.

Falta de transparência emperra negociação

Um grupo de três empresários, encabeçado pelo professor e fisioterapeuta Henrique Hortencio, oriundo de São Paulo, mas radicado em Brasília há 15 anos, estava negociando a compra do colégio, mas diante do volume de problemas, acabou por desistir.

De acordo com informações de um pai de aluno, que preferiu não se identificar, e que sabia dos percalços da gestão do Maxwell, diz ter acompanhado todo o processo da negociação e revelou que faltou por parte da direção da escola transparência nas informações. “O que a empresa informou aos futuros compradores era de que a dívida com salários atrasados chegava a R$ 700 mil, muito longe do que se comenta no grupo de rede social de pais de estudantes da escola e que já atinge a casa dos R$ 8 milhões, embora esse número não tenha sido apresentado de forma oficial”. Segundo ainda este pai, que acompanhava por meio de reuniões o desenrolar dos fatos, um dos motivos que levou o grupo de empresários a desistir da transação foi uma suposta maquiagem feita pela direção do colégio em torno da gestão de forma que fosse concretizado o negócio.

A direção da escola ainda não foi localizada pela reportagem para comentar os fatos, mas o espaço está aberto e pode ser contatado pelo email, guarahoje@hotmail.com

 

 

 

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