Há mais dez anos, lixo é gargalo no Guará. QE 40 e Polo de Moda são campeões na desorganização

Por Amarildo Castro e Álvaro Pereira – Enquanto o atual governo tenta avançar sobre a coleta seletiva, outro tipo de lixo chama a atenção na cidade. Trata-se daquele que é tradicional, produzido pelo comércio e domicílios. Este continua sendo um dos maiores desafios no Guará. Na verdade, o problema persiste por quase 20 anos, passando por quatro gestões.

Desde a criação das regiões do Polo de Moda e da QE 40, a cidade nunca mais conseguiu recolher e organizar de forma satisfatória o lixo produzido pela comunidade.  No momento, moradores reclamam de coleta irregular por parte do SLU.

Atualmente, em diversos locais, onde, na prática, deveria ter havido uma coleta organizada com lixeiras e horários certos para o depósito dos resíduos, o que se vê, na realidade, é pouco. As lixeiras quando são vistas estão em geral quebradas, enferrujadas e pequenas demais para atender a elevada demanda, que aumentou de forma desordenada nos últimos anos.

Moradores denunciam que em vários pontos de coleta da QE 40 o recolhimento é irregular, com isso, lixo se amontoa perto dos comércios

No entanto, a questão não se restringe somente ao Polo de Moda e QE 40, mas a toda a cidade, sobretudo em locais de comércio no Guará II. Pontos como a QE 26, 30, 32, 38, dentre outras, são atingidas por circunstâncias semelhantes.

Nas duas últimas semanas, a reportagem do GuaráHoje/Cidades percorreu muitos desses locais e ouviu moradores, fotografou lixeiras e conversou com representantes de órgãos responsáveis pela coleta de lixo, na qual se enquadra o SLU (Serviço de Limpeza Urbana), a quem compete o recolhimento.

Antes de ouvir os órgãos competentes, a reportagem falou com moradores e comerciantes. Alguns empresários da QE 40 reclamaram que tentam fazer sua parte colocando lixeiras na frente de seus comércios, mas que a maioria não toma essa iniciativa e ainda pegam carona jogando seus lixos na lixeira alheia sem o menor pudor.  Com isso, as poucas lixeiras que existem ficam sobrecarregadas, acabando por transbordar os detritos na via pública.

A prefeita da QE 46, Célia Caixeta diz que o serviço precisa melhorar, mas tem pontos positivos também

Prefeita da 46 elogia, mas faz restrições a coleta

A prefeita comunitária da QE 46, Célia Caixeta, embora elogie o recolhimento de lixo na quadra, isso após inúmeras críticas dela à coleta feita pelo SLU, faz restrições à forma como o serviço é feito. “Não adianta nossos esforços em separar cuidadosamente o lixo seletivamente, colocando em recipientes o que é reciclável do que não é. Os garis jogam no caminhão misturando tudo, o que poderia ser reciclável junto com o lixo molhado. Ora, lixo reciclável é gerador de renda e acaba com isso se perdendo em meio ao que é imprestável!”, reclama a líder comunitária, que diz ter conscientizado a comunidade local a separar o lixo reciclável do molhado.

Caixeta, que dá nota 8 para o trabalho de recolhimento do lixo na quadra, aponta outro senão para o serviço de varrição, ao qual considera ineficiente, pois sempre ficam restos de folhas e outros tipos de sujeira. Atribui essa falha ao número insuficiente de trabalhadores encarregados desse serviço. “Na quadra são apenas dois varredores”, diz.

Muitos comércios do Guará, como o Kasarão Grill, na QE 34 atualmente pagam pelo próprio recolhimento: média de 600 reais por mês

Parte dos comerciantes paga pelo recolhimento

Estabelecida pela Instrução Normativa Nº 89, de 23 de setembro de 2016, quando a partir de então foi regulamentado procedimentos no âmbito do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal e dispôs sobre as normas a serem observadas pelos grandes geradores de resíduos sólidos e prestadores de serviços de transporte e coleta, bem como pelos responsáveis pela realização de eventos em áreas, vias e logradouros públicos, com fundamento no art. 94, inciso XII, do Regimento Interno, aprovado pelo Decreto 35.972, de 04 de novembro de 2014, e tendo em vista o disposto na Lei nº 5.610, de 16 de fevereiro de 2016 e no Decreto nº 37.568, de 24 de agosto de 2016, instituindo cobrança do recolhimento de lixos.

Com coleta seletiva precária, muitas quadras do Guará II deixa caixas espalhadas em cima de calçadas quase que diariamente

Der acordo com a legislação, os grandes geradores de resíduos sólidos são responsáveis pela coleta e armazenamento dos seus dejetos. Quem não quiser fazer o transporte poderá pagar uma taxa para o SLU executar o recolhimento do material. A Lei n° 5.610/2016 exige que essas empresas se cadastrem e prevê o pagamento da coleta de lixo por quem produz mais de 2 mil litros de resíduos por dia.

No Guará, alguns já pagam pelo serviço de recolhimento. Em média, R$ 500 é o valor pago por comerciantes que produzem lixo diariamente por 1 mil litros/dia.

Em nota, Administração do Guará responde à reportagem

Após questionamentos sobre a coleta de lixo no Guará, a administração regional da cidade enviou a seguinte nota à reportagem, veja:

A Administração Regional do Guará informa que mantém três serviços fixos de coleta de lixo: o recolhimento de móveis e eletrônicos velhos na residência dos moradores por meio de agendamento pelo telefone: 9.9158 87 05; um contêiner de recebimento de lixo eletrônico, um recipiente para o depósito de óleo usado de cozinha, por meio do projeto “Biguá”, uma parceria com a Caesb, além de outro contêiner para a coleta de vidros, em parceria com uma empresa privada, sem custos para a administração pública.
Os contêineres estão disponíveis à comunidade, na entrada do prédio da Administração Regional, de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h, com exceção do contêiner de coleta de vidros que fica ao lado de fora do órgão e, portanto, disponível 24h. Além disso, a região administrativa possui um papa-entulho, funcionando de segunda a sábado, das 7h às 18h, na Área Especial do Cave, ao lado do salão de Múltiplas Funções, próximo à estação Feira, Guará II. Por meio desses serviços, a Administração Regional do Guará empenha-se em medidas que reduzam o descarte irregular de lixo nas vias públicas da região administrativa.

Além disso, a pasta atua na promoção da educação ambiental e conscientização da população através de seus canais de comunicação e eventos com palestras com a participação do SLU e Vigilância Ambiental.
Por exemplo, está prevista uma reunião sobre o assunto dia 8 de agosto, às 19h30, no auditório da administração, onde serão discutidas ações educativas sobre o tratamento adequado do lixo e combate ao mosquito Aedes aegypti.

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informa que a coleta convencional no Guará é realizada de segunda a sábado, manhã, tarde ou noite. O cidadão deve acessar o site www.slu.df.gov.br<http://www.slu.df.gov.br>, na aba serviços, para saber o horário da sua quadra.

Quanto ao comércio local, o SLU esclarece que os estabelecimentos geram mais de 120 litros de resíduos indiferenciado por dia (tudo que não é reciclável) e que que os comerciantes devem se cadastrar no Sistema de Gerenciamento de Resíduos, no site do SLU, e contratar uma empresa para coletar, transportar e dispor em aterro sanitário, conforme a Lei 5.610/2016 estabelece.

Já a Coleta Seletiva acontece segunda e quinta-feira, a partir das 15h, no SOF Sul, Quadras 1 a 19, Park Sul e SGCV, QI 23, 25,27, 26,31 e 33, Guará QI 23 a 33, SIA, Setor de Áreas Públicas, Zona Industrial, Guará, QE 40/Polo de Modas, AE 02, 02A, 4 e 6.

O SLU também está atuando, juntamente com as Administrações do DF, com o projeto Coleta Seletiva Consciente para impulsionar a conscientização da correta separação dos resíduos, já que há previsão da coleta seletiva ser expandida para mais   regiões do DF.

Saiba mais:

Coleta Convencional
http://www.slu.df.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/horarios_oleta_convecio.pdf

Coleta Seletiva
http://www.slu.df.gov.br/wp-content/uploads/2019/01/guara_atual_-10.01.2019.pdf

 

 

 

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