Izalci em entrevista ao GuaráHOJE/Cidades: “O PSDB/DF terá em 2018 papel de protagonismo”

Por Amarildo Castro – Nos últimos dias o deputado federal Izalci Lucas, ou simplesmente Izalci, como adotou na política nos últimos anos, tornou-se o centro das atenções no cenário local, isso porque a mídia vem divulgando situações atípicas, como a aproximação de Maria Abadia, uma das principais integrantes do PSDB, seu partido, ao governo local. Pelo menos um portal de notícias chegou a anunciar que Abadia poderia ser vice de Rollemberg em 2018, o que colocou mais ‘lenha na fogueira’.
Na entrevista, Izalci, que tem proximidade com os moradores do Guará, nega o fato e fala do momento político que vive o DF, além de alguns de seus objetivos em 2018, entre eles, disputar o governo local no cargo majoritário. Como bagagem, traz a experiência de 61 anos de vida, um mandato de distrital, três de federal e cargos importantes, como secretário de Ciência e Tecnologia, durante o Governo Roriz, de 2004 a 2006.

GuaráHOJE/Cidades – Deputado, qual a sua relação com o Guará?
É praticamente uma casa para mim. Cheguei aqui em 1970, vindo de Araújos-MG aos 13 anos de idade, e na cidade fiquei durante toda a minha juventude, e parte da vida adulta. Minha primeira escola na cidade foi o Ginásio do Guará, o GG (hoje Centro de Ensino 02). Meus pais trabalharam no Guará. Minha mãe, Maria Ferreira de Melo, que hoje continua morando no Guará, trabalhou na mesma escola onde eu estudava.

Ela, a dona Maria, era professora?
Não, na época trabalhava como servente no GG.

Seu primeiro emprego foi no Guará?
Não, morava aqui, mas comecei a trabalhar na Asa Sul na banca de revista Pernambuco, de propriedade de um vizinho nosso. No Guará, vendia laranja nos campos de futebol, amendoim, e também engraxava sapatos. Era uma maratona para sobreviver. Mais tarde, aos 14 anos, consegui em um banco o cargo de contínuo, tendo em seguida me formado em contabilidade, e comecei a atuar na área de educação, onde tenho uma história de vida. Fui professor de várias disciplinas, como Práticas Comerciais, Matemática, entre outras, além de mais tarde fundar uma escola, a São Francisco.

O senhor continuou ‘adotando’ o Guará como sua segunda casa mesmo após ter se mudado para o Lago Sul. Pode falar um pouco disso?
Sim. Minha mãe continua morando na QI 08, onde tenho muitos amigos aqui, jogo bola na cidade, e tenho uma relação muito próxima com o Guará desde a infância. E isso não mudou com a minha vida política. Com a minha passagem pela Câmara Legislativa e agora na Câmara dos Deputados, minha atuação passou a ser mais ampla. Hoje, temos um carinho especial por todo o DF, até porque todas as cidades têm muitas demandas. É obrigação nossa tentar atender a essas demandas, mas continuo muito ligado ao Guará. Além disso, minha atuação no Núcleo Bandeirante também é forte, cidade que também me deu muitos votos na última eleição, assim como o Guará.

Por falar em votos, mesmo sendo considerado ‘celeiro’ de alguns políticos os votos do Guará nunca se destacaram em massa para um candidato.  O Sr. teve cerca de nove mil votos aqui nas últimas eleições.
Acha isso pouco?
Não. A gente tem que trabalhar pela cidade, sempre, e os votos são consequência. Nenhuma cidade do DF elege sozinha um deputado. Então é uma situação normal, e o que precisamos fazer é trabalhar, sempre.

Antes de falar de 2018, gostaria que comentasse sobre o projeto da Cidade Digital, que data de 2004, mas não sai do papel. Tem alguma decepção com isso, sendo o criador dele (projeto)?
É uma questão de especulação imobiliária. Hoje, querem na verdade vender os terrenos, e, como o preço é alto, o empresário não vai aceitar. Nossa proposta era parcerias, e os terrenos seriam entregues aos empresários como concessão de uso, por trinta anos ou mais. Na época, conseguimos avançar bem, como trazer o Data Center do Banco do Brasil para o DF, mas, hoje, com esse novo formato, infelizmente, não vai sair do papel.

Brasília tem vocação para tecnologia?
Sem dúvida. O que falta é uma visão política para implantação desse projeto.

O senhor vem afirmando que será candidato ao GDF, mas o PSDB ainda parece dividido…
A todo o momento tentam plantar notícias falsas para me prejudicar. Vejam bem a publicação na mídia sobre uma possível parceira da Maria Abadia para ser vice de Rollemberg. Não tem o menor cabimento. Vou repetir o que disse ao Correio Braziliense: eu e Rollemberg estaremos em fotos separadas durante as eleições. Ele, o Rollemberg, já me elegeu como adversário e sabe que o PSDB/DF terá papel de protagonista nas próximas eleições, tanto no DF quanto no país.

Então não há chances de compor com o atual governo?
De jeito nenhum.

Como analisa a situação política do DF?
Muito ruim, mas é devido a falta de competência de sucessivos governantes. Precisamos trazer mais empregos para o DF. E como fazer isso? Fazendo da federação um local competitivo para atrair as empresas. Hoje Goiás é nosso maior concorrente. Lá, o empresário é tratado com tapete vermelho, e aqui só recebe cobranças, assim fica difícil crescer. Os impostos do nosso vizinho são muito menores. A diferença chega a 12%, mas aprovamos agora uma lei que deve mudar isso.

Circulou nas redes sociais o seu apoio ao presidente Michel Temer para livrá-lo de ser
réu na Justiça por suposta corrupção. Como avalia isso?
Não votei no Temer, votei em favor da economia, da estabilidade, porque a essa altura essa é a melhor alternativa para o país, então a gente precisa ser responsável. Quando a Dilma saiu do governo, fizemos uma agenda com 15 itens, e Temer assumiu o compromisso de atender às reivindicações. E isso vem sendo feito, como a Reforma Trabalhista, a Lei das Estatais, o Limite de Gastos, entre outros.

Teria consequências o afastamento do presidente?
Seriam desastrosas. Hoje, mesmo que não esteja bom, a equipe econômica tem dado mais credibilidade ao país.

Ainda acredita na eleição para administrador no DF?
De jeito nenhum. Da forma que está é inviável, pois esses futuros administradores continuariam sem autonomia alguma. Essa eleição é demagogia. Na minha época de distrital a coisa funcionava melhor, e hoje o que fizeram foi tirar a autonomia das administrações.

Qual o recado que deixa para quem está desanimado com a política?
Não pode desistir, é preciso continuar acreditando, não dá para ser comandado por quem você não quer. Então para isso é preciso continuar votando e fazendo as melhores escolhas para não ser arrepender mais tarde. O país passa por uma crise política, mas somente os eleitores podem mudar isso, e a chance é usando as urnas.

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