Janete presta contas de suas atividades na antiga Casa da Cultura

 

 

 

Por Jana Da Silva – O projeto de revitalização da Antiga Casa de Cultura do Guará, iniciado em janeiro de 2018, idealizado e liderado por uma moradora do Guará, Senhora Janete das Graças Oliveira Sousa, é uma prova do sucesso dessa união entre governo e comunidade!

Pioneira do Guará, desde 1969 e moradora de Brasília desde 1963, Janete veio de Anápolis com seus pais e vários irmãos, em número de oito, hoje empresários conceituados e atuantes na cidade do Guará e DF. Hoje, mãe e avó,  se sente realizada em Brasília!

Fundadora e presidente de uma organização cultural sem fins lucrativos, o “Museu do Disco de vinil de Brasília”, que foi fundado no Guará em 2014 e  instalado em sua residência no Guará Park, dentro de um Condomínio, buscava um local acessível à comunidade, para instalar o Museu do disco de vinil e da música em geral. Local inclusive que se transformaria em ponto turístico e constante no “Roteiro Turístico de Brasília”, segundo lhe afirmara, em 2015, o secretário de Turismo da época, Jaime Recena.

Sob a orientação do deputado Rodrigo Delmasso, que visitou o Museu do disco, no final de dezembro de 2017, procurou o administrador do Guará e achou então  o local pretendido e ideal para a instalação do Museu: a Antiga Casa de Cultura do Guará! Localizada na área do CAVE, ao lado do Lyons,  Rotary e Clube dos Amigos! Não poderia ter vizinhança melhor!  Construída em 1984, 34 anos atrás, quase contemporânea da inauguração da cidade foi a “Primeira Casa de Cultura do Guará” e segundo afirmação da Senhora Sônia Dourado, primeira diretora da casa, a “Primeira Casa de Cultura de Brasília!

Visitando o local constatou o estado deplorável que esse patrimônio cultural da cidade se encontrava: Sem água, sem hidrômetro, sem luz, destelhada em várias partes, molhando e estragando o imóvel a cada chuva e a cada estação do ano, entre outras deteriorações, como é o normal acontecer em um imóvel desabitado há anos, como posteriormente veio a saber e sem os devidos cuidados de manutenção, pelos órgãos e pessoas responsáveis pelo mesmo. E também descuidado pela comunidade, que segundo ela tinha o dever de fiscalizar e ajudar na conservação dos bens públicos, culturais ou não.

Algumas pessoas tentaram desanimá-la, dizendo que aquela casa fora abandonada por estar condenada pela Novacap e interditada pela Defesa Civil. Que seria demolida.  Disseram ainda que o local e a casa faziam parte da área a ser tomada pela PPP do Kartódromo. Ardente de patrimônios  históricos material e imaterial, Janete se sentiu indignada! Buscou então informações sobre o estado real da casa na Novacap, Secretaria da Fazenda, (responsável pelas PPPs),  Defesa Civil e Administração do Guará. Teve acesso ao laudo da Novacap que dizia que a casa precisava apenas de uma grande reforma. A Defesa civil que visitou o local disse que as fantasias lá guardadas precisavam apenas serem retiradas urgentemente, por serem inflamáveis e que não haviam interditado a casa em época alguma. Janete levou no local Engenheiros civis que também, de primeira mão, não viam motivos da alcunha de “Casa Condenada”.

Então Janete, tendo em vista a importância que o referido espaço representou e ainda representava para toda a geração dos pioneiros da cidade, decidiu salvar a casa “literalmente”, pois vira na Secretaria da Fazenda um documento (estudo), intitulado: “A demolição da antiga casa de cultura do Guará”. Para tanto conversou com o administrador do Guará, Sr. Luiz Carlos Delfino Jr., que se solidarizou com ela e a nomeou oficialmente “Voluntária da Administração do Guará”.

Se juntou a ela uma equipe de voluntários da comunidade, como o Sr. Expedito Veloso e sua esposa Eloisa Tuller, (Engenheira Civil), Sr. José Duarte Melo e Sr. José Neto entre muitos outros, que tomaram para si a defesa da referida casa. Conheceu através da voluntária Eliza Mitiko, o Sr. Kleber Carlos, na época assessor de uma Secretária de Estado, no Palácio do Buriti. O mesmo trouxe ao local o então Secretario Adjunto de Relações Institucionais e Sociais, da Secretaria de Estado da Casa Civil, Sr. Apolinário Rebelo, sua esposa, Hellen e seu assessor, Sr. Ademar Gregório. Todos passaram a trabalhar incessantemente no projeto de Revitalização da Casa. Foi quando tudo realmente começou a acontecer.

Para maior agilidade e mobilização, Janete cria então um grupo no Whatzapp, chamado “Revitaliza Cultura Guará”, com o qual constantemente comunicava e celebrava com entusiasmo as vitórias conquistadas, muitas vezes mostradas através de vídeos que ela mesmo gravava durante as conquistas. Criou  também uma página no Youtube.

Com a participação de todos e com a presença e colaboração não onerosa, do Administrador, liberando com presteza a sua equipe, sem a qual o trabalho seria muito mais lento e talvez quase  impossível, conquistaram muitas vitórias nesse período:

Foram retiradas, pelos caminhões da Administração do Riacho Fundo II, as fantasias de carnaval que ali estavam colocadas desde 2014 e com riscos de incêndio, conforme determinara a Defesa civil.

Com a participação da NOVACAP, foi retirada a árvore caída sobre o telhado e retirada a raiz da mesma que levantara o piso interior da casa.

Com a participação de governo e comunidade, foi feito o primeiro evento chamado carinhosamente de “Abraço amigo” onde dezenas de pessoas abraçaram a casa, em gesto simbólico de amizade e proteção.

Em seguida a comunidade se reuniu e foi realizado o “Mutirão de limpeza”, com a retirada do gesso que caía em várias partes da casa e limpeza grossa com a ajuda da equipe da Divisão de obras.

Mais tarde foi feito o reposicionamento da estrutura do telhado, prejudicado pela queda da arvore, trabalho feito com a orientação de uma Engenheira Civil, voluntária e capacitada;

A AGEFIS doou várias caixas de cerâmicas entre outros materiais, para a reposição do piso de parte da casa, onde a raiz da árvore estragara. Elas  continuam na Divisão de Obras da administração, enquanto se busca  verbas na comunidade, para comprar o cimento e outros materiais necessários para a colocação das mesmas;

Com a doação da Caixa padrão completa da Caesb, por uma empresa do Guará, a Hiperplan, através de seu proprietário, Sr. Fabiano Lima e sempre contando com a colaboração da Administração e dos seus funcionários, a água foi reinstalada na casa, o que possibilitou o trabalho de limpeza do local;

Em constante campanha junto à comunidade do Guará, para a captação de material necessário, Janete conseguiu junto á diretoria do “Lar Velhinhos de Madalena” as telhas coloniais necessárias para a reposição do telhado. Um caminhão da Administração e sua equipe, sempre supervisionada pelo competente Sr. Lázaro Batista,  da Divisão de Obras, buscou as telhas que foram recolocadas pela equipe, sempre com a ajuda dos rapazes da FUNAP ( Fundação de Amparo ao trabalhador Preso) , os quais  prestam serviços na Administração do Guará.

Por ocasião do programa da TV Globo “O Brasil que eu Quero”, Janete enviou um vídeo à TV, gravado frente à Antiga Casa de Cultura, dizendo: “Eu sonho com um país onde a comunidade de cada cidade, defenda seus espaços históricos e culturais: prédios, construções, monumentos, que contam a história de suas cidades, do seus estados e de nosso país! Que meus descendentes não tenham a tristeza de ver, como muitas vezes vi, árvores, raízes e vegetação, entrando por dentro dos prédios e derrubando tetos e  paredes, em total descaso e abandono da comunidade e do governo!  Que cada líder comunitário de sua cidade, lute por seus patrimônios históricos, pela cultura e pela preservação de nossa memória.  Eis o que eu quero para o meu Brasil!”

Por último, pediu à CEB, através da Administração, a ligação da luz e para coroar de êxito essa parceria, buscava levantar recursos para a compra do material que a CEB solicitara, a fim de atender ao pedido de reinstalação da luz. Esse trabalho foi interrompido pelas festas de final de ano, com a entrega das chaves da casa ao Administrador, mas com a expectativa de ser o primeiro trabalho a ser reiniciado em 2019.

Janete nos conta que em torno de cem pessoas trabalharam nessa causa, como a equipe da Administração, ex-Administradores, líderes comunitários e empresários do Guará. Participaram também presidentes do Rotary e Lyons, Administração de Taguatinga, Secretaria de Estado da Casa Civil, Agefis, Radio guará FM, Prefeitura Guará Park, Escola de Samba do Guará, Escola de Samba do Riacho Fundo II, Administração do Riacho Fundo II, Deputados e jornalistas da cidade, entre outros, culminando com a participação da comunidade guaraense em geral!

Conclui, segundo ela, que realmente, a parceria entre Governo e Comunidade pode sim, dar certo! Lembra o Decreto de junho de 2018, do Governo do DF, chamado de “Nosso Quadrado”, que possibilita essa parceria entre Governo e comunidade. Lembra que todos os gastos foram feitos com a colaboração financeira de voluntários da comunidade e sem nenhum ônus para o Governo do Guará, pagando inclusive a primeira conta da CAESB. Diz que há muito ainda o que fazer para que a casa volte a ser usada pela comunidade, mas ela afirma que o primeiro passo já foi dado e com muito louvor! Janete nos assegura que termina o ano de 2018 muito feliz e se sentindo vitoriosa!

Sonha que um dia, aquela casa será chamada carinhosamente de “Casa Museu do Guará”! Casa que abrigará o Museu do disco de vinil e da música em geral, com todos os seus componentes musicais. Abrigará ainda o ”Museu da História do Guará” e o “Museu dos Jornais do Guará”, além do “Museu das TVS”, que hoje funciona paralelo ao Museu da musica. A própria Casa defendida já é em si mesma um grande Museu! Construída há mais de 34 anos, com mais de 300 M2, foi palco de inúmeros shows e eventos sociais e recreativos, culturais ou não, mesclando a sua história com a própria história do Guará!

Através de projetos culturais, sonha ainda que ali venha a funcionar o “Complexo Cultural e Museológico do Guará” e ter no local, shows, eventos sociais, visitas escolares, pesquisas,  artesanatos e oficinas de artes em geral, entre tantas outras opções! Eventos que muito contribuirão para o desenvolvimento do ser humano e de nossa cidade, diz ela. Além de que o espaço receberá no local a comunidade que quer doar os discos de vinil e não tem local em Brasília onde fazer isso. E por esse motivo, muitas vezes os discos são jogados literalmente no lixo, conforme noticia a mídia em geral. Patrimônio cultural material e imaterial perdidos diariamente e irremediavelmente!

Encerra essa entrevista agradecendo de coração ao Administrador do Guará Sr. Luiz Carlos Delfino e sua equipe, em especial os rapazes da FUNAP, cujos nomes ela anotou com carinho e que haverão de constar no documento da história da  recuperação da casa, assim como  o nome de todos os envolvidos nesse trabalho . Agradece particularmente a sua equipe de voluntários e sobretudo agradece a comunidade do Guará e de Brasília que “abraçaram” a casa e a causa: Salvar a Antiga casa da Cultura do Guará!

Por fim conclama a sociedade a não deixar acontecer com nossa Casa cultural e histórica o que aconteceu há poucos meses no Rio de janeiro, no incêndio do Museu Nacional, que consumiu 200 anos de nossa história, por negligência de comunidade e governo! Que cada líder comunitário de sua cidade, lute por seus patrimônios históricos, pela cultura e pela preservação de nossa memória!

Deixa aqui o seu contato e pede que as pessoas enviem comentários sobre a história da “Antiga Casa de Cultura do Guará”, história que farão parte da história da casa e do Guará!

janete.musical@gmail.com  e fone/whatzapp: (61) 9.9986-9393

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