Luos dá sinal verde e arranha-céus estão de volta no Guará

Desta vez, ao contrário de 2007, moradores desistiram de reclamar e construções avançam sem nenhuma polêmica

Por Amarildo Castro e Álvaro Pereira – A história dos arranha-céus, no Guará, começa em 2005 com a aprovação, ao apagar das luzes daquele ano, do Plano Diretor Local (PDL). Após isso, teve sequência o surgimento de prédios na Avenida Contorno com até 22 andares, o que gerou grande polêmica à época, indo parar o imbróglio na Justiça.
Com a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), em 2011, que limitou o gabarito em 12 andares, acabou esfriando os ânimos dos empresários ligados à construção civil, que pleiteavam a volta dos espigões, congelando, assim, no limbo os projetos ambiciosos que haviam sido já esboçados.

A situação ficou em suspenso até que, no final do ano passado, a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) fosse aprovada. As alterações na Luos estabeleceram o gabarito de 36 metros para os edifícios na Avenida Central do Guará II.
Mas antes, o Decreto-Lei 29.848, de 15 de dezembro de 2008, estabeleceu em 34 metros a altura máxima em prédios situados no SOF Sul e Setor de Garagens e Concessionárias de Veículos (SGCV).

O técnico em dificações, Cefas Claudino que a lei não chegou a mudar por completo, mas Luos trouxe ânimo aos empresários dor ramo

De acordo com o Decreto 29.848, a área da Avenida Contorno está submetida à nova aplicação com os parâmetros de uso e ocupação do solo previstos no PDL. E esse parâmetro seria vigente até a aprovação da Luos até dezembro de 2018.

Com a sanção da Luos atual os empresários do setor ganharam nova injeção de ânimo. Os que tinham seus projetos engavetados decidiram pô-los em prática. Mas acontece que com a nova lei alterou-se o coeficiente de aproveitamento do terreno, determinando altura máxima de uso, restringindo o adensamento demográfico dentro da cidade. A medida visou por um freio no crescimento desordenado que vinha se instalando no Guará. No entanto, permite muitos arranha-céus.

Além disso, a aprovação da Luos estabeleceu que os lotes situados nas vias de conecxão com as avenidas principais passaram a ser liberadas para atividades mistas, ou seja, a comércio e habitação unifamiliar (uma só residência).

Mesmo nos lotes não liberados para comércio pode haver liberação, mas de natureza específica, que seja adequado a ambientes residenciais.

A reportagem do GuaráHOJE ouviu um especialista sobre o assunto a fim de explicar o que acontece nas cidades, como o Guará, que sofre com o crescimento desordenado. Cefas Claudino, do alto de sua larga experiência adquirida ao longo de sua vida profissional como técnico em edificações e como funcionário público aposentado e ex-servidor da Administração do Guará, disse que a cidade cresceu de forma caótica em função da falha de fiscalização. “Com a descentralização determinada pelo Governo Ibaneis, espera-se que a administração saia do imobilismo que até hoje se encontra por falta de autonomia, inclusive administrativa, e parta para uma atuação que faça valer a legislação”, explica.

Claudino, contudo, diz que o problema maior é conter a especulação imobiliária. “Isso, infelizmente, acaba por interferir no crescimento saudável das cidades, trazendo problemas onde não havia”, arremata.

Além dos arranha-céus, o mercado de imóveis comerciais também está aquecido. Na foto, novo edifício no Lúcio Costa

Mercado aquecido

As perspectivas geradas pela Luos já começam a dar resultados. Já está em processo de comercialização um novo e luxuoso edifício para poucos. O empreendimento fica em um terreno recém-adquirido pela Construtora Paulo Octávio por meio de licitação feita pela União. Serão construídos apartamentos com três quartos. A especulação em torno do valor é de R$ 2,3 milhões, considerado recorde na cidade.

Outro edifício que chama a atenção é o Residencial Guará, próximo à entrada do Setor de Oficinas. A altura da construção já atinge a média que se vê em prédios vizinhos, ou seja, a de 20 andares. Comenta-se que a obra é erguida por um grupo empresarial que é dona de shopping bem conhecido. Com isso, configura-se a volta dos arranha-céus na cidade, após a polêmica surgida em 2007 sobre o assunto.

SOF Sul ocntinua com vocação para condomínios de luxo

No Sof Sul, novos condomínios de luxo a caminho

O SOF Sul e Setor de Garagens e Concessionárias de Veículos (SGCV), região que também foi beneficiada pelo Decreto-Lei 29.848, de 15 de dezembro de 2008 e estabeleceu em 34 metros a altura máxima em prédios situados no setor, agora vive novamente outro boom imobiliário. Assim como na área central do Guará, novos edifícios estão sendo erguidos, e maioria dos apartamentos custam entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões. Por ali, alguns dos empreendimentos em construção vão oferecer ainda espaço para comércios no térreo na tentativa de agradar moradores e comerciantes ao mesmo tempo.

 

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