Mesmo com cenas de vandalismo, aposentadoria de orelhão continua adiada no Guará

Por Álvaro Pereira e Amarildo Castro – Quem acha que os vovôs orelhões são obsoletos estão redondamente enganados. Eles são, sim, ainda muito úteis para quem se vê em situação difícil. Quando acabam os créditos do celular e não tem dinheiro para recarregá-lo ou dá pane ou se esquece dele em casa ou é extraviado ou roubado o jeito é apelar para o velho telefone público, popularmente conhecido como orelhão. Na cidade, mesmo com a ‘aposentadoria’  dos orelhões adiada, cenas de vandalismo podem ser vistas, o que prejudica o serviço.

Aqui, no Guará, estão por toda a parte. E, quem diria, a grande maioria funciona. A QE 28 é a campeã da presença deles. A reportagem do Blog do Amarildo em suas andanças pela cidade encontrou cinco deles. Quatro podem ser usados, sem passar raiva.

Hoje administrados pela empresa Oi, a opinião corrente é de que ainda são úteis. Cláudia Teixeira, que mora na QI 23, diz que raramente o utiliza, mas diz que tem utilidade. “Acredito que em lugares remotos muitos recorrem a eles”.

O dono do quiosque da 28, Josimar Marcolino, também diz que não usa nem vende cartões para orelhão, porém assegura que já viu muita gente ligando   e recebendo recado através deles.

Ainda na 28, a funcionária da banca de jornais e revistas, Laura Manuela, informa que a comercialização de cartões faz parte da receita do comércio. “Nós vendemos uma média de dois cartões por dia. O de 40 unidades custa R$ 8 e o de 20 R$ 6. Somos os únicos por aqui que ainda comercializamos”, jura.

Thiago Gomes, que recorre ao orelhão para resolver problemas com sua operadora

Embora impropriamente, os orelhões são utilizados com outras finalidades. É o caso de um que fica na Área Especial 4, ao lado de uma igreja evangélica. Funcionando, serve como uma espécie de ‘totem’ para publicidade de um chaveiro. Em contraponto a isso, a reportagem, quem diria, flagrou alguém usando um orelhão. Foi o jovem Thiago Gomes, que ligava de um orelhão na QE 19, no último dia 21. Explicou que precisou usá-lo porque seu celular não fazia ligações para o serviço 0800, pois estava com problemas e de outro celular não conseguia ligar.  Por isso considera que o orelhão é muito útil, principalmente em casos de emergência, como foi o dele.

Quer mais a localização de alguns. Na QE 40, na Rua 4, lote 10, na Praça da Moda. E operando e em bom estado; assim como o da Rua 11, lote 2, no Polo de Moda.

QE 28 é uma das quadras no Guará com maior número de orelhões: são quatro

A QE 38 dispõe ou resiste com três ainda. Na padaria Palhoca, onde há um deles, a funcionária informou que não tinha cartões para vender já há algum tempo. “O vendedor não passa por aqui há um bom tempo. Mas a procura por eles é constante. Alguns idosos ainda procuram por fichas, esquecendo-se que não há mais”, diz uma funcionária da padaria.

Na 34, na praça da quadra, reina um deles, não como peça decorativa, mas funcionando normalmente à espera de um usuário. A dona da banca de jornal, Miralva Pereira, declara que esporadicamente ele é utilizado.

Apesar da decadência do serviço, maior parte dos aparelhos no Guará ainda funciona

Os grupos de rede social informam que na Rua 4, ao lado de um restaurante, na QE 40, na QE 32, próxima a uma parada de ônibus na Avenida Contorno, QE 46 (dois orelhões) há telefones públicos.  Nos arredores da Feira do Guará existem também.

Peças de museu para uns, úteis para outros, o certo é que eles vão cumprindo seu papel na cidade. Só não podem é ser alvo de vândalos. Infelizmente, há um triste exemplo no Setor de Oficinas. Perto de uma quadra de esporte, jaz um deles, que foi arrancado e jogado ao chão, como se sua pseudoinutilidade justificasse o infame ato.

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