Mudanças nas unidades de saúde do Guará e Bandeirante causam confusão e repúdio

 Falta de informações traz problemas à comunidade e muitos moradores chegaram a acreditar que postos seriam fechados, mas governo desmente, enquanto lideranças protestam pelas mudanças no funcionamento 

Nada de falta d`água, ou de chuvas e ainda a violência, temas comuns entre as discussões nas redes sociais com ramificações no Guará e Núcleo Bandeirante. Ao contrário, o assunto predominante nessas duas cidades nos últimos dias foi a mudança anunciada pelo governo para os postos de saúde da região, que em vez de seguir o modelo tradicional implantado nos últimos anos, com atendimentos diversificados, maioria feitos por especialistas, agora ganha um novo modelo.

De acordo com a A Superintendência da Região Centro-Sul, em resposta à reportagem do Jornal GuaráHOJE/Cidades, informou que, de fato, todas as unidades de saúde dessas duas cidades devem passar por mudanças. Todos os centros de saúde passaram a se chamar Unidade Básica de Saúde.

No Lúcio Costa, lideranças protestaram na última terça-feira (7)

A formação da equipe nas Unidades Básicas de Saúde é constituída por um médico de família, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e um agente comunitário de saúde. Os médicos da família prestam atendimento global à comunidade, em todas as faixas etárias, e pode dar resolutividades aos casos de doenças mais comuns nas áreas de saúde do adulto, do idoso, da mulher e da criança.

Também há mudanças de horários. Pela portaria, as Unidades Básicas de Saúde funcionarão das 7 (sete) às 19 (dezenove) horas, de segunda a sexta-feira, e sábados, de 7 (sete) horas às 12 (doze), exceto nos feriados, e as demais UBS, das 7 (sete) às 17 (dezessete) horas, de segunda a sexta-feira. As UBS poderão ter seu horário de funcionamento ampliado até às 22 (vinte e duas) horas, de acordo com a necessidade do serviço, desde que autorizado, por escrito, pelo Superintendente da Região de Saúde ou cargo equivalente.

No modelo atual são disponibilizados Ginecologia, Clínica Médica e Pediatria com um número determinado de consultas por dia e não há possibilidade de montar uma equipe multiprofissional. Com o novo modelo, segundo a nota da Superintendência da Região Centro-Sul, a partir da territorialização da Região de Saúde e da definição do território de responsabilidade por UBS e por equipe, deverá ser realizado o diagnóstico da situação de saúde da população, identificando as fragilidades e potencialidades locais, para o planejamento condizente com as necessidades da população.

Enquanto as mudanças não são implantadas, uma enxurrada de críticas e protestos ocorre no Guará e Núcleo Bandeirante desde a última segunda-feira (6/3).

“Vamos perder em qualidade, e estão falando que vão atender em casa, com médico da família, e eu pergunto: o governo terá pessoal para descobrir o que a gente passa em casa?”, questiona.

No Centro de Saúde 02, na QE 17 do Guará II, no início da semana, moradores colocaram faixas em protesto ainda contra a possível transferência de médicos já conhecidos da comunidade. “Aqui, querem tirar médicos e estamos muito preocupados com o futuro dessa unidade, uma das mais importantes para a cidade”, diz Vera Pereira, moradora da QE 21, que foi à unidade para protestar.

Na terça-feira, dia 7, foi a vez de a comunidade protestar no Setor Lúcio Costa, em frente ao Centro de Saúde 04, onde moradores deram um abraço simbólico no prédio do centro de saúde. Cinthia Xavier, psicóloga, vice-presidente da Associação de Moradores do Projeto Lúcio Costa (Ampluc), explica que, embora a notícia do fechamento do posto seja negada pela Secretaria de Saúde, há outros problemas que atinge a única unidade de saúde no bairro. “Aqui quem procura os serviços encontra dificuldades, os profissionais do posto estão sem internet há muito tempo; eles, o pessoal do governo exigiu o recadastramento dos usuários, mas como isso pode ser feito sem internet. Vamos voltar a fazer tudo no papel novamente, demandando um tempo infinito”, reclama.

O usuário dos serviços de saúde, Cláudio Soledade acredita que mudanças prejudicam

E, por fim, na quarta-feira, 8, cerca de 30 moradores compareceram ao Centro de Saúde 03, na QE 38 também para protestar. “Uso os serviços desse posto de saúde aqui há muitos anos, e não concordo com as mudanças anunciadas pelo governo, pois, pelo que me informaram, querem trabalhar com médicos clínicos gerais e eliminando do quadro os especialistas, e isso não dará certo”, reclama Cláudio Soledade, morador da região.

“Vamos perder em qualidade, e estão falando que vão atender em casa, com médico da família, e eu pergunto: o governo terá pessoal para descobrir o que a gente passa em casa”, questiona. Sendo assim, analisa, todos vão perder”, diz Neusa Francis de Paula, que frequenta o Centro de Saúde 03.

Núcleo Bandeirante

A avalanche de críticas nas redes sociais do Núcleo Bandeirante levou o governo a elaborar nota específica para a unidade básica de saúde da cidade. A nota informa que notícias inverídicas sobre um suposto fechamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Núcleo Bandeirante estão sendo compartilhadas por grupos mal-intencionados. Em seguida, esclarece:

– Não haverá o fechamento de nenhuma unidade de saúde no Distrito Federal. As UBS estão passando pelo processo de transição do modelo tradicional de gestão para o novo modelo de Atenção Primária, que terá cobertura realizada exclusivamente por equipes da Estratégia Saúde da Família. No Núcleo Bandeirante, a UBS atende, em média, 3,5 mil pessoas por mês.

– Agora, a unidade funciona das 7h às 17h e abre durante um terceiro turno – até às 22h, excepcionalmente, por conta da demanda no local. A Diretoria de Atenção Primária ressalta que não houve interrupção de serviço, mas, sim, a reformulação dos atendimentos prestados na unidade.

– Antes desta mudança, o atendimento era realizado 24h por dia, mas não havia demanda após as 22h. Em seis meses de funcionamento, apenas dois pacientes procuraram a unidade no horário das 19h às 7h.

– A alteração no atendimento permite que as escalas de trabalho sejam refeitas, direcionando a carga horária dos profissionais – que seria prestada em horário ocioso (de madrugada) – para os horários em que há maior demanda de pacientes.

– Não há desassistência. Após as 22h, o cidadão que necessitar de atendimento médico pode procurar a Unidade de Pronto Atendimento do Núcleo Bandeirante ou qualquer hospital da rede pública de saúde do Distrito Federal.

 

 

 

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