Novacap transforma área de preservação do Parque do Guará em ‘praça’ e lideranças reclamam

Uma poda inusitada feita por sete tratores durante esta sexta-feira (11) dentro da Área 27 no Parque Ezechias Heringer, no Guará II, foi em poucas horas o tema principal das discussões nas redes sociais da cidade após postagem de áudio do jornalista Amarildo Castro em grupos de WhatsApp sobre a medida. Ele questionou a legalidade do trabalho. Os tratores fizeram a poda completa do mato em toda a parte da chamada Área 27, que fica atrás do Posto BR e da Faculdade Projeção, estendendo-se até a altura das QE 42 e 44, no Guará II.

Pelo menos sete tratores estiveram no local durante toda o dia

Após fazer as fotos, Amarildo postou nas redes sociais um questionamento sobre o trabalho, mas nem mesmo a Administração do Guará sabia. Em nota, o Executivo explicou que que em algumas áreas esse tipo de trabalho é feito diretamente pela Novacap, e não há necessidade de gerência da administração local. Mas pediu tempo para averiguar os fatos. A reportagem do Blog do Amarildo já enviou e-mail à Novacap e à Administração do Guará questionando a legalidade do trabalho e aguarda retorno.

Apos corte, o que restou na região foram gramíneas, o pouco de Cerrado, já quase inexistente, sumiu

Enquanto isso, várias lideranças e moradores locais se pronunciaram sobre o tema. Alguns ficaram espantados com a agressão ao meio ambiente, mas teve gente que defendeu o serviço por causa dos índices de violência na região. O mato seria uma forma de esconderijo de bandidos. Não há cerca adequada na região para fechar o parque.

A Jornalista Zuleika Lopes busca informações sobre legalidade ou não do serviço

A jornalista Zuleika Lopes, que defende a preservação do Parque do Guará, ficou espantada com a situação e enviou mensagem a um ambientalista para saber melhor o que pode e não pode ser feito no local.

Já Célia Caixeta, prefeita da QE 46, disse que se for pela segurança é plausível a poda, mas mostrou-se bastante preocupada com a possibilidade de um parcelamento naquela região. “A especulação existe e o governo nunca cuidou dessa área, porque estaria cuidando agora, qual seria o interesse?”, questionou.

Wagner Sampaio, moradora da QE 44, disse que uma limpeza ali se faz necessária pelos índices de violência e queimadas constantes. “Quando pega fogo, moradores precisam sair de suas casas devido à fumaça, e todo ano tem muito incêndio na área”, explicou.

A prefeita da QE 46, Célia Caixeta disse estar preocupada com o futuro da área; “Será que querem parcelar?”

Já o consultor ambiental Cristiano Monteiro demonstrou preocupação e questionou a legalidade do corte. “Pelo que vi nas fotos, estão acabando com toda a vegetação nativa, restando apenas gramíneas, e isso é grave dentro de uma reserva ecológica”, explicou.  Ele ainda disse que no Guará as coisas são feitas sem consultar à comunidade.

Para Miguel Edgar, da Confraria Guará, o que está ocorrendo no Parque do Guará é um desmatamento disfarçado de poda, uma medida fora da lei. “Falam que o parque é o pulmão do Guará, mas não respeitam nada. Só destroem o meio ambiente”, critica.

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