Perfis do Guará – Rênio Quintas e Célia Porto entre as pratas da casa no cenário musical do DF

Por Amarildo Castro – Dizem que para um casal possa dar certo, ao menos uma paixão é necessária ter em comum. E foi com essa química que Rênio Quintas (64) e Célia Porto (52) se conheceram há 23 anos, e claro, tendo a música como cenário principal. Ele era destaque no DF como instrumentista; também aos 15 anos, bem antes de conhecer Célia, havia ganhado uma importante premiação em festival de Música do Ceub, hoje, UniCeub. Na época, compôs um samba, que foi aplaudido pelo júri. Mais tarde, dono de um bar na Asa Norte, recebeu Renato Russo, ensaiando Aborto Elétrico. No período, Rênio começou a tocar piano e nunca mais parou. Como músico, ainda formou bandas como a Porão e Artimanha, nas décadas de 70 e 80. Ainda lançou um CD instrumental, sendo o primeiro do gênero no DF. Foi até no Programa do Jô Soares para dar entrevista sobre seu trabalho.

Célia, por sua vez, quando conheceu Rênio, havia conquistado uma legião de fãs no Distrito Federal, com sua voz marcante e sua música de qualidade, influenciada por gente nada mais nada menos que Renato Russo, o ex-vocalista da lendária Legião Urbana, que marcou época em Brasília e em todo o país. Ela ainda tem sua obra baseada no trabalho de Elis Regina como referência. Canta MPB e pop rock ‘leve’.

E foi assim, bem no meio da ‘época de ouro’ da música produzida no DF, encabeçada por Renato Russo que Rênio e Celia Porto se conheceram, casaram-se, tiveram um filho, hoje com 17 anos e vivem no Guará há 21, no mesmo apartamento em condomínio de classe média na QI 23. Porém, têm vida simples, sem apego a nenhum luxo. Com a música ‘no sangue’, continuam a viver dela. Ele não canta mais, mas é o instrumentista e arranjador de Célia e outras bandas, e toca no grupo da esposa.

Além da música, a paixão do casal um pelo outro continua após 23 anos, sendo um modelo para o cenário musical como parceria duradoura, amor e respeito

Em sua trajetória, Célia também se destacou como cantora premiada. Em maio de 1996, a artista começou a gravar um disco em homenagem a Legião Urbana. Logo mais tarde, Renato, o lendário vocalista da Legião faleceu, mas o trabalho Célia em homenagem à banda foi concluído. Antes, em 1994, Célia já havia sido agraciada com o prêmio Sharp Elis Regina, como revelação da música em nível nacional.

Maestro dedicado

Rênio, com mais de 40 anos de profissão, sendo hoje maestro e instrumentista, toca piano, teclado e violão, além de arranjador. Célia, por sua vez, tem mais de duas décadas de carreira e nem pensa em parar. Além de cantar, dá aulas de musicalização para crianças de até seis anos em um projeto que foi descontinuado pela UnB, onde pais e professores abraçaram a causa após cortes de verbas naquela universidade.

O destaque de Rênio como músico começou cedo, aos 15 anos. Nascido no Rio de Janeiro, veio para Brasília aos 5 anos e na adolescência foi descoberto pela sua escola, tendo iniciado na música antes dos 15 anos.

Célia também começou muito cedo. Passou a adolescência estudando música, onde formou-se na Escola de Música de Brasília, e depois de tantos anos, continua firme na carreira ao lado do esposo. Hoje, são focados em projetos culturais e raramente tocam na noite, exceto em projetos. “Gostaríamos de estar na noite, na boemia porque achamos isso muito importante para a cultura, mas a Lei do Silêncio, regulamentada no Governo Agnelo nos prejudicou muito porque matou a música nos bares e restaurantes”, comenta Rênio.

Ele acrescenta que a noite e muito importante para um artista, sendo nesse horário que o cantor forma seu público, especialmente em locais menores, como bares e restaurantes.

Mesmo assim o casal continua a viver de música, seja tocando ou com projetos de ensino musical. Nesta quinta, 25, tocam no projeto Hidden, no Estacionamento 10 do Parque da Cidade, onde várias bandas se apresentam de julho a setembro.

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*