Rollemberg assina decreto que permite música ao vivo em bares e restaurante

Zuleika Lopes – Ao assinar decretos que beneficiam artistas locais e donos de bares e restaurantes que incluem no cardápio aos clientes a música ao vivo, no último dia 1  de fevereiro, a poucas semanas do carnaval de 2017, o governador Rodrigo Rollemberg pode entrar em rota de colisão com os moradores próximos a estes locais de diversão que há anos esperam por uma lei que está em tramitação na Câmara Legislativa, do deputado Ricardo Vale (PT), que trata do tema. No Guará, embora existam locais para eventos musicais como o Ginásio de Esportes, o Teatro de Arena, o Salão de Múltiplas Funções e toda a área do  Pontão do Cave, o som alto rola solto é nos bares das quadras e ao lado de supermercados e postos de gasolina, onde jovens se reúnem nos finais de semana.

Na prática, as Câmaras de Conciliação pretendem equacionar os problemas causados pelos barulhos noturnos entre a vizinhança e os proprietários de bares e restaurantes, antes de chegar aos órgãos de fiscalização como o Instituo Brasília Ambiental. Caberá à Secretaria de Cidades estabelecer a organização e o local de atuação destas unidades. O que foi comemorado por muitos artistas e produtores culturais, como a sambista Dhi Ribeiro e o ativista cultural Miguel Edgar foi recebido com indignação pelo líder comunitário das QEs 13 e 15, José Jair.

O objetivo do governo foi apaziguar a convivência das partes. Haverá reforço na interlocução entre moradores próximo a estabelecimentos geradores de ruídos e os donos desses locais. Para isso, o Executivo vai instituir uma política de convivência urbana, com a criação de câmaras regionais de conciliação. Caberá ao secretário das Cidades estabelecer a organização e o local de atuação dessas unidades.

“Com os decretos, o governo de Brasília cria possibilidade maior de diálogo e se coloca como agente mediador de conflitos”, destacou o secretário adjunto de Turismo, Jaime Recena.

A atividade de conciliador, que não será remunerada, engloba ainda formular ideias para fortalecer a fiscalização pelas administrações regionais e identificar os eventos de relevância social para a região.

A sambista Dhi Ribeiro, moradora do Guará, sempre faz shows em bares e restaurantes do Plano Piloto, Lagos Sul e Norte, Águas Claras, Cruzeiro e Taguatinga se alegrou com a notícia informada pelo Blog do Amarildo. “Estamos no século XXI e temos que estar abertos para o diálogo. Não se pode calar a cultura de uma cidade. As pessoas querem se divertir na sua própria cidade. São discussões que não acabam nunca. É um passo à frente as decisões que foram tomadas agora”, argumenta a cantora

Já a tradição de cidade dormitório ainda fala mais alto no Guará. O líder comunitário José Jair, que representa as quadras 13 e 15, afirma que os moradores sempre reclamam dos barulhos noturnos nas quadras e próximos do mercado SuperMaia, que funciona 24 horas. Ele acredita que os bares não provocam tantos ruídos como os que vem das ruas.” Os bares não incomodam! é baixo mas no Cave tá feia a situação, porque lá tem um grupo que vai de carro toda a sexta-feira coloca o som muito alto incomodando toda as quadras aqui por perto! Nós que moramos nas ruas mais encima não dormimos imaginem as pessoas dos primeiros conjuntos! Tá demais. Eles ficam nos estacionamentos das quadras! A noite toda bebendo consumindo drogas e escutando música! Quem vai regulamentar isto?”, pergunta.

Na opinião de Miguel Edgard, os órgãos do governo têm de combater os excessos. “Mas, levando em conta   que a atividade produtiva gerada nesse tipo de comércio é de suma importância para a cidade do ponto de vista econômico, pois gera impostos, e do ponto de vista social, pois gera milhares de postos de trabalho direto e indireto, e cultural, concordo com os decretos. Brasília que sempre foi celeiro de artistas já revelou grandes nomes da cultura brasileira que saíram dos famosos barzinhos da cidade”, declara.

Com informações da Agência

 

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