Salário dos professores do DF não justifica prejuízo que greve causa a milhares de alunos

ARTIGO (Por Amarildo Castro) – A greve dos professores do Distrito Federal, que já dura um mês, tornou-se o tema principal das discussões em torno das perdas salariais de uma das principais categorias de servidores do Governo de Brasília. Mesmo com alguns benefícios garantidos na semana passada pelo governador Rodrigo Rollemberg, o Sinpro-DF, o sindicato que representa a categoria, preferiu manter a greve e cobrar os 18% de aumento que foi proposto ainda no Governo Agnelo. Sem caixa, o governo local  diz que não há como bancar o aumento. Mas do outro lado, o sindicato não abre mão de nada.

Pronto, basta isso para entender que a situação virou uma ‘guerra’ de informações e de ataques midiáticos, especialmente por parte do Sinpro-DF.

Intrigado com a situação, ao ver milhares de alunos sendo prejudicados em todas as cidades do Distrito Federal, fui atrás da tabela de rendimento dos professores. Não se pode afirmar que ganham bem ou mal, mas a verdade é que milhares de trabalhadores em todo o DF ganham muito menos do que está na referida tabela, e não há greve em outras categorias, exceto a Polícia Civil que também faz o trabalho de Operação Tartaruga há meses, com delegacias quase paradas. E tenho informações de que o salário da categoria é ainda melhor. Mas não fui atrás confirmar.

“Você leitor, já viu os caixas de supermercados, ganhando pouco mais de R$ 1 mil fazer greve?”. Viu o dono da lojinha de roupa, ou sapatos, ou qualquer outro artigo  fazer greve porque não está vendendo bem e mal tem o dinheiro para pagar as contas de seu comércio, incluindo aluguel?

Viu  os atendentes de uma farmácia fazendo greve porque ganham menos de R$ 1.500 em média? Ou até mesmo da nossa classe jornalista, hoje massacrada pelo desemprego e baixos salários (em geral) fazendo greve?

Cartaz divulgado pelo Sinpro-DF nas ruas do Guará: quase um terrorismo

Nada disso acontece. Mas uma parcela de docentes das escolas públicas do DF insiste em manter a greve, prejudicando milhares de alunos e pais que não têm onde deixarem seus filhos para trabalhar. Além disso, até agora não entendi porque fazem churrasco em frente ao Palácio do Buriti, enquanto fazem manifesto, com latas de cervejas espalhadas por vários cantos. Isso eu mesmo presenciei na penúltima manifestação. Pelo jeito, deve sobrar dinheiro, porque churrasco e cerveja é coisa para quem tem dinheiro.

Um serviço essencial como a educação deveria ser prioridade não só do governo, mas da classe de professores, que deve, sim, encontrar meios de negociar seus salários sem tirar o aluno da sala de aula.

Entendo que tem muita gente com salários mais baixos, mas há muitos que ganham quase R$ 10 mil e estão fora da sala de aula, e isso, para um bom entendedor é maltratar um aluno o qual a família não tem dinheiro para bancar os estudos do filho na rede particular. Vejam lá se existe alguém da rede particular fazendo greve, e garanto que tem muitos deles, os professores das escolas particulares que ganham pouco mais de R$ 2 mil, ou até menos.

Me chamou atenção no meio desse ‘tiroteio’ a frase de uma professora de ensino infantil no Guará II, quando afirmou: “Greve não é para min, não posso fazer isso, não posso correr o risco de ter meu ponto cortado porque sou mãe de família, e meus alunos precisam ter aula para não serem prejudicados”.

Tenho o nome dela, a escola onde ela dá aulas é a Classe 8 do Guará II, mas prefiro não divulgar sua identidade para não prejudicá-la. Mas sua atitude deve encher de orgulho muitos pais.

Abaixo, veja a tabela onde mostra o quanto  gasta o governo com cada professor, com variação de categorias. Faça aí, leitor, seu entendimento, e veja quem tem mais ou menos razão, governo ou o sindicato. E espero um desfecho favorável pelos pais e alunos nesta terça-feira (11/4), quando se realizará mais uma assembleia. Diria, a profissão de professor deveria ser uma das mais bem pagas, mas o prejuízo causado aos alunos por falta de aula é uma ofensa a uma nação. Está na hora de os dois lados se entenderem, sindicato e governo.

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