Salários atrativos da Caesb causam repercussão no Buriti e projeto do governo tenta acabar com a ‘festa’

A divulgação dos salários da Caesb, que por sinal são bastante atraentes para os padrões do GDF, repercutiu no palácio Buriti.  O governador Rodrigo Rollemberg (PSB), em entrevista à TV Globo no último dia 3, disse que determinou que sua equipe de governo fizesse uma avaliação geral dos vencimentos dos servidores das estatais para ver se “são compatíveis com o momento atual que a gente vive”. Não demorou muito para lançar na última segunda-feira (6), projeto que acaba com os supersalários nas estatais.

Na prática, o projeto tenta impedir que funcionários das estatais ganhem mais do que estabelece o teto estabelecido pela Constituição para o DF, que é de R$ 30.471,11. Nos próximos dias, o Governo de Brasília deve enviar o projeto à Câmara Legislativa, mas a aprovação vai depender dos 24 distritais, e não há uma previsão otimista para que o projeto seja aprovado imediatamente.

Enqunto isso, o que se comenta é estatais como a Caesb gasta 50% de toda a arrecadação com pagamento de pessoal. Somente em 2016, dos cerca R$ 1,5 bilhão que recebeu, usou quase R$ 750 milhões para pagar as remunerações dos 2,5 mil funcionários, mais os encargos. A empresa passou a publicar os salários, a pedido da Controladoria-Geral do DF e, nas planilhas, são apresentadas remunerações totais de até R$ 95 mil para um advogado, da procuradoria jurídica, por exemplo.

Além disso, há analistas de sistemas de saneamento com salário de R$ 44.643,09; engenheiro civil que ganha R$ 51.316,73; advogado da área trabalhista que recebe R$ 61.960,00; e motorista com remuneração de R$ 17 mil. Para se ter uma ideia, um técnico em engenharia ganha R$ 33 mil, mais do que o governador Rodrigo Rollemberg, que tem salário de R$ 23.449 mensais.

Os valores são ainda mais significativos quando se compara a algumas obras tocadas no DF. Uma delas ajudará a combater a crise hídrica. Trata-se da construção do subsistema do Bananal, próximo ao Parque Nacional de Brasília, que custará R$ 20 milhões. O valor chega a ser uma bagatela comparada ao gasto anual com pessoal na Caesb. Essa cifra equivale a 2,6% da folha de pessoal.

Em nota, a empresa diz que os valores revelados, em alguns casos, não se referem a salários recebidos mensalmente pelos empregados da companhia. Isto porque incluem gratificações, adicionais, indenizações eventuais e outras vantagens pecuniárias, como pagamento de férias, adiantamentos de 13º.

A empresa diz ainda que, por decisão do Tribunal Regional do Trabalho, foi obrigada, em juízo, a conceder reajuste na ordem de 10% aos servidores no decorrer de 2016. A proposta da Caesb era correção de 4%, o que foi negado pela Justiça. Ressalta também que seu comprometimento da receita com pessoal diminuiu de 50,22%, em 2014, para 46,55%, em 2016.

 

 

 

 

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