“Se não houver grandes mudanças, eu ou Frejat deve ser o candidato do grupo”

Por Amarildo Castro – Um dos principais personagens do cenário político dos últimos 20 anos no Distrito Federal, o morador do Guará e ex-parlamentar, Alírio Neto, voltou com força na mídia nos últimos meses. Com um longo histórico nos holofotes do Legislativo local, Alírio vem afirmando que seu nome está disponível para a disputa do GDF em 2018, e que prevê um cenário turbulento até lá. No entanto, informa que busca a coesão de um grupo forte politicamente para enfrentar em especial o atual governador Rodrigo Rollemberg, a quem faz críticas.
No último dia 1º, em sua confortável casa na Colônia Agrícola Águas Claras, o ex-parlamentar agora filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), concedeu entrevista exclusiva ao Jornal GuaráHOJE/Cidades, onde falou do atual momento político e das expectativas para 2018, veja:

GuaráHOJE/Cidades – Depois das eleições de 2014 o senhor se afastou por vários meses da mídia, mas reapareceu este ano com intenção de disputar o GDF em 2018. O que pode falar sobre isso?
Sem mandato, não é possível ficar na mídia o tempo todo, a menos que se force a barra, o que não é meu caso. Este ano a situação é outra, pois as circunstâncias favoreceram para a formação de um grupo de oposição para que possamos pleitear o governo em 2018.

O senhor será de fato candidato a ‘qualquer custo’?
Não. Minha intenção é estar colaborando com o grupo. Se fosse hoje, a situação estaria entre eu e o Jofran Frejat. Mas tudo depende do que o grupo definir.

O partido do senhor, o PTB, é o mesmo do Gim Argelo, preso na Operação Lava Jato. Isso não mancha a legenda e poderia prejudicar a candidatura?
O PTB não é acusado na Operação Lava Jato, e sim o Gim, que está fora de cena. A legenda tem diversos representantes e todos com o nome limpo. É diferente do PT, do PMDB, do PSDB, esses sim, tem dezenas de integrantes enrolados com a Justiça.

O senhor pretende mudar de partido?
Não. O PTB vai me dar boas condições de me eleger.

Por falar em Justiça, como ficou a ação impetrada pelo Ministério Público que pede a devolução de R$ 24 milhões que teriam sido pagos indevidamente como reposição aos servidores da Câmara Legislativa durante o período que o senhor a presidiu?
A mídia local, acredito que pautada pelo próprio governo, tenta me atingir. O que foi publicado em blogs na semana passada sobre esse tema é assunto antigo, e não há nada novo. O valor pago aos servidores é legítimo, era uma determinação da própria Justiça. Já ganhei em duas instâncias e vou ganhar o que tiver pela frente. Isso não me prejudica em nada.
O senhor acredita que somente os três mandatos como parlamentar o credenciam para ser governador?
Meu trabalho vai muito além desses mandatos. Minha passagem pela Secretaria de Justiça, por exemplo, é uma prova disso. Lá, criamos projetos modelos, como o Pró Vítima, que foi destaque em toda a América Latina. O tema foi assunto até na Suécia. Teve equipe de reportagem trabalhando em Brasília por uma semana somente para apresentar um programa lá. Na Câmara Legislativa, como presidente, também fiz um trabalho exemplar, ao trazer transparência nas contas da Casa, entre outros feitos. Mas o convite para ser candidato a governador partiu do PTB nacional, e não de mim propriamente. Então acho que estamos no caminho certo.

O senhor pode ter um mandato quase certo como distrital ou até mesmo federal. Prefere mesmo arriscar o cargo majoritário?
Tenho eleitorado que demonstra ser fiel. Gosto de trabalhar pela comunidade, e hoje vejo a necessidade de tentar resgatar a cidade. Na gestão pública é preciso planejamento, e não vejo isso hoje com o Rollemberg.

Mesmo sem dinheiro em caixa, e com pouca aprovação popular, muitos dizem que Rollemberg não tem um candidato à altura ainda, o senhor concorda?
Sou a favor da formação de um bloco para enfrentar a máquina. Sabemos que não é uma situação fácil. Estamos trabalhando para isso. A única dificuldade que vejo é agregar o Izalci porque percebo que ele quer ser candidato a qualquer custo, e esse não é meu caso. Em nosso grupo, será candidato quem tiver melhor condição na hora certa.

Seria Alírio e Frejat ou Frejat e Alírio?
Não sei ainda, o que acredito é que de uma forma ou outra estaremos juntos.

O senhor ainda crê numa eleição para administrador?
Não. São dois motivos. Não adianta eleger um administrador se ele não tiver a condição de trabalhar, e hoje o administrador não tem autonomia alguma, e ser eleito pelo povo não faria a menor diferença sem essa autonomia. O outro motivo é que não há mais clima, pois deveria acontecer até o meio da atual gestão.

Que comparativo faz em relação ao Guará com sua época de parlamentar?
Resumo em uma frase: quanto está sendo executado e quanto eu executava à época que eu tinha mandato. Busque nos jornais para ver a diferença.

Concorda com a nova Luos?
Me chama atenção a questão da Área 28A do Parque do Guará. Não sei se está na Luos, mas sei que querem vender ali. Perde o meio ambiente, perde o morador.

Com tantas crises políticas e a aproximação das eleições, com medalhões fora do baralho, o que esperar pela frente?
Vivemos um momento conturbado, mas necessário. Hoje muita coisa está mudando, e o fato de empresas não poderem financiar campanhas já é um grande avanço. Teremos uma eleição mais limpa, e vai contar muito a força de trabalho e o corpo a corpo. O país, apesar de tudo, vai melhorar.

Que recado deixa para os moradores?
Hoje o Estado tem a melhor tecnologia para multar o contribuinte, para cobrar ou punir, mas a mesma tecnologia não atende o cidadão. Tudo para atender o cidadão funciona de forma lenta, ou nem funciona. Minha proposta seria mudar tudo isso, ou seja, ter um Estado que atue em benefício do cidadão, e não somente com o objetivo de arrecadar dinheiro ou punir.

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