Um ipê frondoso condenado à morte na QE 30 do Guará

 

Por Álvaro Pereira -Os Ipês tão presentes na paisagem de Brasília, mas cuja beleza deles também pode ser admirada em diversos pontos do DF, como aqui no Guará, teve um de sua espécie, a roxo, agredida em plena QE 30, mais precisamente no conjunto E. A equipe de reportagem passando pelas imediações se deparou com uma árvore dessa descascada em seu tronco, numa extensão que vai até o solo.

O fato interessante desse vandalismo é que o autor, procurando esconder o seu ato, encheu de terra mascarando o dano ao arbusto. Dias antes, um integrante da equipe do Jornal GuaráHOJE/Cidades havia tomado ciência desse fato, mas, na ocasião, observou que a agressão havia sido disfarçada por folhas amontoadas junto ao tronco.

Uma moradora daquele conjunto, que fica defronte do ipê roxo danificado, plantado em jardim público, onde outras árvores e plantas fazem parte do cenário, e que embelezam a quadra, que preferiu o anonimato, acredita que o vandalismo deve ter sido praticado por um próprio morador local, porém, não soube explicar as razões de sua suspeita. Ela classificou “de maldade”. Ela diz que isso é a primeira vez que ocorre na quadra, apesar de uma rápida visão em volta do jardim detectou quatro árvores cortadas quase ao rés do chão.

Outra moradora do conjunto E, próxima do jardim, tachou de “loucura” o ato. “O ipê estava há bem pouco tempo tão florido e bonito que não resisti tirar uma foto dele. Sobre quem possa ter cometido tal violência, prefiro não comentar a respeito”, esquivou-se, também pedindo para não revelar seu nome.

o ipê está localizado no conjunto E da QE30

Um casal de jovens que passava pelo local, ouvido pela reportagem, lamentou o ocorrido e atribuiu a vândalos. “Atitude idiota”, qualificou o rapaz, enquanto a jovem preferiu definir a agressão dizendo que “a cidade dos ipês perde uma espécie dessa família”.

De um modo geral, o dano causado a um caule de um arbusto pode matá-lo, pois a retirada de uma grande extensão de casca pode impedir o fluxo de água tão necessária ao desenvolvimento de um vegetal.

A Gerência Florestal do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), consultada a respeito, acha  precipitado qualquer julgamento pessimista quanto ao futuro do Ipê roxo, que, por ser uma espécie do Cerrado, é resistente e pode vir a sobreviver. “E muito complexo avaliar o caso sem ver a árvore. Mas o que eu posso dizer que a agressão pode comprometer o desenvolvimento da árvore, porque o descasque permite a entrada de doenças que pode até destruí-la”, comentou Luiz Aguiar, funcionário da Gerência.

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