VALPARAÍSO-Sessão na Câmara é marcada por protesto contra morte da vereadora Marielle Franco

A sessão na Câmara Municipal de Valparaíso de Goiás nesta manhã (16) foi marcada por manifestações de repúdio contra o bárbaro assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), morta a tiros dentro de um carro na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, por volta das 21h30 desta quarta-feira (14). Segundo a perícia, pelo menos, ela foi atingida por nove disparos.

Professor Silvano encabeçou o protesto pela morte de Marielle

O Legislativo municipal de Valparaíso amanheceu de luto, e a sessão solene desta sexta-feira (16), foi marcada por luto, um minuto de silêncio e muito repúdio. No crime, ocorrido no início da semana no Rio de Janeiro, além de Marielle, foi morto também seu motorista Anderson Pedro Gomes.  Outra passageira, assessora de Marielle, foi atingida por estilhaços. A principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios é execução.

O vereador Silvano (PT) subiu à tribuna da Câmara para se manifestar contra o bárbaro homicídio da parlamentar. “É uma vergonha o que está acontecendo não só no Rio de Janeiro, mas como em todo o país. Ela era um exemplo de vereadora combativa. Honradez, coragem e espírito público marcaram sua trajetória política. Esse crime não pode ficar impune”, afirmou comovido e revoltado.

O presidente da Casa, vereador Alceu Gomes estabeleceu luto oficial na Câmara de Valparaíso de Goiás

Segundo as primeiras informações da polícia, bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Marielle foi atingida com pelo menos quatro tiros na cabeça. A perícia encontrou nove cápsulas de tiros no local. Os criminosos fugiram sem levar nada.

Marielle havia participado no início da noite de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Rua dos Inválidos, na Lapa.

No momento do crime, a vereadora estava no banco de trás do carro, no lado do carona. Como o veículo tem filme escuro nos vidros, a polícia trabalha com a hipótese de os criminosos terem acompanhado o grupo por algum tempo, tendo conhecimento da posição exata das pessoas. O motorista foi atingido por pelo menos 3 tiros na lateral das costas.

A polícia buscará imagens de câmeras da região para determinar o trajeto do carro e desde onde ele passou a ser seguido. O local exato do crime fica quase em frente a um posto do Detran, que na hora estava fechado. Do outro lado da rua há uma concessionária que também estava fechada.

Em nota, o Secretário de Estado de Segurança, Richard Nunes, disse que determinou ampla investigação e que a acompanha junto com o chefe de Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, o andamento do caso.

O deputado estadual do PSOL Marcelo Freixo disse que o crime é “inadmissível”. “A gente vai cobrar com rigor, todas as características são de execução. Evidente que vamos aguardar todas as conclusões da polícia. Cabe à polícia fazer a investigação, mas a gente, evidentemente, não vai nesse momento aliviar isso. As características são muito nítidas de execução, queremos isso apurado de qualquer maneira, o mais rápido possível”, afirmou ele. Freixo disse que a vereadora nunca tinha sofrido nenhuma ameaça.

Um dia antes de ser assassinada, Marielle reclamou da violência na cidade, no Twitter. No post, ela questionou a ação da Polícia Militar na favela de Acari. “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”

Na mesma rede social, Marielle chamou o 41° BPM de “Batalhão da morte”, no sábado (10). “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM,  no bairro de Irajá, é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens”, escreveu ela.

 

Marielle presente!

O velório de Marielle e Anderson durou cerca de 1h30 desta quinta-feira (15) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e foi tomado de emoção. Os corpos chegaram à Casa por volta das 14h30 sob fortes aplausos. A cerimônia foi fechada para amigos e familiares.

Ao final do velório, o corpo de Marielle seguiu para o cemitério do Caju, e o de Anderson, para o cemitério de Inhaúma, onde foram sepultados, no fim da tarde de ontem (15).

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