Semana e Dia Mundial do Câncer (4) – de 2 a 6 de fevereio

by Amarildo Castro
Mestre e PhD em Oncologia desvenda o por quê que as pessoas estão sendo acometidos cada vez mais cedo pelo câncer

Sedentarismo, alimentação ultraprocessada, tabagismo e consumo de álcool estão entre os fatores
O aumento do câncer entre as pessoas jovens — especialmente abaixo dos 40 e até dos 30 anos — é um fenômeno real, observado em diversos países, inclusive no Brasil.Ele não se explica por um único fator, mas por uma convergência de mudanças biológicas, comportamentais, ambientais e genéticas ocorridas nas últimas décadas.

No caso do câncer de mama, por exemplo, hoje, as mulheres jovens apresentam padrões hormonais muito diferentes das gerações anteriores com menarca mais precoce (primeira menstruação mais cedo); gravidez cada vez mais tardia; menor número de gestações; amamentação por períodos mais curtos e maior tempo total de exposição ao estrogênio.

“Tudo isso resulta em mais ciclos menstruais ao longo da vida, aumentando o estímulo proliferativo sobre a mama — um fator biologicamente plausível para maior risco de transformação maligna”, comenta o MD e PhD em Oncologia, Dr. Wesley Pereira Andrade.

*Estilo de vida moderno e fatores metabólicos*
De acordo com o especialista, as neoplasias acometem as pessoas cada vez mais cedo por inúmeros fatores: sedentarismo; alimentação ultraprocessada; aumento da obesidade e do sobrepeso em idades mais precoces; resistência à insulina e inflamação crônica; consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades e tabagismo.

No que se refere à obesidade, o tecido adiposo não é apenas reserva de gordura: ele é um órgão endócrino ativo, capaz de produzir estrogênio e citocinas inflamatórias que favorecem o ambiente tumoral.

Segundo ele, a idade jovem, por si só, não constitui um fator prognóstico isolado no câncer. No entanto, tumores diagnosticados nessa faixa etária tendem, com maior frequência, a apresentar características biológicas mais agressivas, o que pode se associar a um risco aumentado de recorrência quando o tratamento não é conduzido de forma adequada e individualizada.

“Apesar desses desafios, os avanços da oncologia moderna transformaram de maneira significativa o cenário prognóstico dessas pacientes. Estratégias terapêuticas personalizadas, baseadas no perfil molecular do tumor e no estadiamento da doença, permitem hoje excelente controle oncológico e sobrevida prolongada para os jovens. Quando diagnosticado precocemente e tratado com os recursos da medicina contemporânea, o câncer apresenta melhores taxas de cura, reforçando a importância da atenção aos sinais clínicos, do diagnóstico oportuno e do acesso a tratamento especializado”, reforça o médico.

Metástase
Nos casos em que o diagnóstico é de metástase regional, restrita aos gânglios linfáticos, existem chances reais de cura, desde que a paciente seja tratada de forma adequada, com cirurgia oncológica precisa, terapias sistêmicas e radioterapia, conforme cada situação.

Por outro lado, quando o diagnóstico já é de doença metastática sistêmica, com comprometimento de órgãos como ossos, pulmão, fígado ou cérebro, as chances de cura tornam-se reduzidas. Nesses casos, o objetivo do tratamento passa a ser o controle da doença, a sua cronificação e a preservação da qualidade de vida, muitas vezes por longos períodos com as terapias modernas.

*Wesley Pereira Andrade*MD, PhD; Mestre e Doutor em Oncologia; Mastologista e Cirurgião Oncologista; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Coordenador do Comitê de Oncologia Mamária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Membro da Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica | SSO – Society of Surgical Oncology e Membro da Sociedade Europeia de Cirurgia Oncológica | ESSO – European Society of Surgical Oncology 







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