Minas Gerais soma 394 empresas em recuperação judicial e acende alerta sobre reestruturação empresarial

by Amarildo Castro
  • Alta de 25% em um ano coloca o estado acima da média nacional e expõe impacto de juros elevados, crédito restrito e pressão setorial

Minas Gerais encerrou 2025 com 394 empresas em recuperação judicial, número que representa um crescimento de 25% em relação ao fim de 2024, quando eram 313 companhias nessa condição. O avanço coloca o estado acima da média nacional e reforça um cenário de maior pressão financeira sobre empresas de diferentes setores, segundo dados do Relatório do Monitor RGF de Recuperação Judicial, divulgados pelo Diário do Comércio.

O levantamento mostra que o aumento dos pedidos em Minas acompanha uma tendência nacional, mas em ritmo mais acelerado. Enquanto o Brasil registrou crescimento aproximado de 19,5% no total de empresas em recuperação judicial no mesmo período, o estado mineiro superou essa marca, refletindo um ambiente econômico mais sensível às oscilações de juros, crédito e custos operacionais. O agronegócio aparece como o setor com maior proporção de empresas em recuperação judicial no estado, alcançando índice de 9,54% entre as companhias ativas, seguido pela indústria, com 5,82%. Comércio, construção civil, energia e serviços também figuram no levantamento, sendo que o setor de serviços, apesar de menor percentual, apresentou o maior crescimento absoluto no número de empresas que recorreram ao instrumento.

O cenário é impulsionado por fatores combinados, como o patamar elevado da taxa de juros, que encarece o capital de giro e o custo da dívida, a maior restrição ao crédito por parte das instituições financeiras e a volatilidade cambial, que afeta empresas com exposição a insumos importados ou obrigações em moeda estrangeira. Nesse contexto, a recuperação judicial tem deixado de ser vista apenas como medida extrema e passou a ser utilizada como ferramenta estratégica de reorganização financeira, renegociação de passivos e preservação da atividade empresarial.

Para o advogado especialista em reestruturação de empresas, Eliseu Silveira, os números reforçam a importância de uma atuação técnica e preventiva. “O crescimento das recuperações judiciais em Minas Gerais revela um ambiente econômico desafiador, marcado por juros elevados, crédito mais restrito e pressões setoriais que reduzem margens e comprometem o fluxo de caixa. A recuperação judicial não deve ser encarada apenas como instrumento de sobrevivência, mas como uma ferramenta de reorganização planejada, capaz de viabilizar a renegociação de passivos, preservar empresas e manter empregos. A condução adequada do processo, com planejamento jurídico e econômico, é determinante para ampliar as chances de sucesso e garantir a continuidade das atividades”, afirma.

Outro movimento relevante observado é o crescimento de holdings patrimoniais entre as empresas em recuperação judicial. Estruturas que concentram ativos e garantias tendem a sofrer maior impacto em períodos de menor liquidez, o que aumenta a necessidade de soluções jurídicas capazes de proteger o patrimônio e reequilibrar a relação com credores. A recuperação judicial, nesses casos, passa a desempenhar papel central na reorganização societária e na continuidade dos negócios.

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