Projeto resgata o mobiliário moderno do Palácio Itamaraty e prepara lançamento de livro sobre Bernardo Figueiredo

by Amarildo Castro
  • Pesquisa reúne exposições, palestras e ações acadêmicas para revelar a contribuição do designer para a identidade moderna de Brasília

O mobiliário que ajuda a contar a história da diplomacia brasileira e da construção da identidade moderna do país está no centro do projeto “Bernardo Figueiredo e o mobiliário moderno do Palácio Itamaraty de Brasília”, iniciativa que reúne pesquisa acadêmica, exposições e atividades formativas e que terá como culminância o lançamento de um livro dedicado ao tema.

Idealizado pelo arquiteto e pesquisador José Airton Costa Junior, o projeto investiga a obra de Bernardo Figueiredo (1934–2012), arquiteto e designer responsável por peças criadas especialmente para o interior do Palácio Itamaraty. Inaugurado em 1970 e projetado por Oscar Niemeyer, o edifício é um dos marcos da arquitetura moderna brasileira e abriga um acervo de móveis que expressa o projeto simbólico de um país que buscava afirmar sua modernidade por meio da cultura, da arte e do design. 

A pesquisa resultará na publicação do livro “Mobiliário moderno do Palácio Itamaraty: a contribuição de Bernardo Figueiredo”, que apresenta um levantamento inédito das peças, acompanhado de registros fotográficos e desenhos técnicos elaborados durante o estudo. O trabalho busca compreender como os móveis desenhados nas décadas de 1950 e 1960 contribuíram para consolidar a identidade estética do edifício e para projetar internacionalmente a imagem de um Brasil moderno e industrializado. 

Ao longo do projeto, diversas ações já foram realizadas para compartilhar o conteúdo da pesquisa com o público. Entre elas, a apresentação do projeto durante a Casa Cor Brasília, em setembro de 2025, em uma conversa dedicada à trajetória de Bernardo Figueiredo e ao impacto de seu trabalho no design brasileiro.

Mais recentemente, em fevereiro de 2026, o tema foi levado aos estudantes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de Brasília (CEUB), em uma palestra que abordou o processo de investigação, a criação da identidade visual do projeto e os caminhos que levaram à produção do livro. 

Para José Airton Costa Junior, o projeto busca ampliar o reconhecimento de um legado fundamental do design brasileiro. “O Palácio Itamaraty é um ícone da arquitetura moderna brasileira, mas seu mobiliário também conta uma história importante sobre o país que se projetava naquele momento. As criações de Bernardo Figueiredo traduzem um ideal de modernidade que articula técnica, arte e identidade nacional”, afirma.

Segundo o pesquisador, revisitar esse acervo também significa refletir sobre preservação e memória cultural.“Estudar essas peças foi uma forma de escutar o tempo e compreender como o design participa da construção simbólica do Brasil. O livro nasce desse desejo de registrar e compartilhar um patrimônio que ainda está presente nos espaços do Itamaraty e que precisa ser conhecido pelas novas gerações.”

O projeto integra o grupo de pesquisa Cidades Possíveis (CIPO/FAU-UnB) e foi viabilizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), com apoio de instituições acadêmicas, pesquisadores e do Acervo Bernardo Figueiredo.

O lançamento do livro marcará o encerramento das atividades do projeto e reunirá pesquisadores, profissionais do design, da arquitetura e interessados na história cultural de Brasília.

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