Guerra pressiona preço do petróleo e força empresas da Baixada Santista a rever custos e planejamento tributário

by Amarildo Castro
  • Conflitos internacionais e mudanças fiscais ampliam impacto sobre empresas e consumidores e exigem reorganização financeira para enfrentar alta de custos

A escalada de tensões geopolíticas e os impactos sobre o mercado global de energia já começam a refletir na economia brasileira. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que conflitos em regiões produtoras podem elevar o preço do barril de petróleo e pressionar cadeias logísticas, combustíveis e transporte. Esse movimento tende a encarecer produtos e serviços, afetando diretamente o bolso do consumidor e exigindo respostas rápidas das empresas, especialmente em regiões com forte atividade portuária e industrial como a Baixada Santista.

Para Mayra Saitta, advogada especializada em direito empresarial e fundadora do Grupo Saitta, momentos de instabilidade internacional costumam revelar fragilidades na organização financeira das empresas. Segundo ela, a combinação entre aumento de custos globais e mudanças no sistema tributário brasileiro cria um ambiente que exige planejamento mais estratégico. “Quando há aumento do preço do petróleo, toda a cadeia econômica sente o impacto. Transporte, logística e insumos ficam mais caros. Se a empresa não tiver organização fiscal e planejamento de custos, o efeito acaba sendo repassado diretamente ao consumidor”, afirma.

A preocupação se soma a um processo já em curso no país. A reforma tributária do consumo, aprovada pela Emenda Constitucional 132 de 2023, começa a ser implementada em 2026 e substituirá tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos impostos sobre valor agregado, a CBS e o IBS. O novo modelo deve alterar a forma de cálculo dos tributos e a dinâmica de formação de preços nas empresas.

Segundo levantamento do Banco Mundial, o Brasil está entre os países com maior complexidade tributária do mundo, com empresas gastando cerca de 1.500 horas por ano para cumprir obrigações fiscais. Em períodos de instabilidade econômica global, esse cenário pode ampliar riscos para negócios que não revisam sua estrutura financeira.

De acordo com a especialista, empresas da Baixada Santista que dependem de transporte rodoviário, importação de insumos ou cadeias logísticas mais longas devem sentir os efeitos de forma mais intensa. “A alta do petróleo impacta diretamente fretes e distribuição. Quando isso se soma à mudança na estrutura de impostos, a empresa precisa entender exatamente onde estão seus custos para evitar perda de margem”, explica.

Além do impacto nas empresas, o efeito tende a chegar rapidamente ao consumidor final. Combustíveis mais caros influenciam o preço de alimentos, produtos industrializados e serviços. Para ela, o desafio das empresas será equilibrar custos sem comprometer competitividade. “Nem sempre é possível absorver todos os aumentos. Por isso, organização tributária e revisão de contratos ajudam a reduzir desperdícios e evitar que todo o peso recaia sobre o preço final”, diz.

A especialista aponta que alguns movimentos podem ajudar empresários a lidar com esse período de instabilidade econômica e fiscal.

Entre eles está a análise detalhada da estrutura tributária da empresa, que permite identificar créditos e reduzir custos desnecessários. Outro ponto é revisar contratos com fornecedores e clientes para prever variações de custos logísticos e tributários. A reavaliação da formação de preços também se torna necessária para manter a sustentabilidade financeira do negócio.

Outro cuidado envolve a reorganização de processos internos e sistemas fiscais, que precisarão acompanhar a nova lógica tributária. Empresas que anteciparem essa adaptação tendem a enfrentar menos dificuldades durante a transição da reforma.

Para a advogada, a principal diferença entre empresas que atravessam períodos de crise com estabilidade e aquelas que enfrentam dificuldades está na capacidade de planejamento. “Momentos de tensão internacional mostram que gestão financeira e tributária não podem ser tratadas como burocracia. Elas fazem parte da estratégia de sobrevivência e crescimento das empresas”, afirma.

Ela acrescenta que empresários precisam olhar para o contexto global e local ao mesmo tempo. “Uma guerra do outro lado do mundo pode alterar custos aqui dentro. Empresas que entendem essa conexão conseguem se preparar melhor e reduzir impactos para o negócio e para o consumidor”, conclui.

Sobre Mayra Saitta

Advogada, contadora e empresária, Mayra Saitta é fundadora do Grupo Saitta, hub de contabilidade, direito empresarial, marketing e educação corporativa com atuação no Brasil, Estados Unidos e Europa. Nascida em Praia Grande (SP) e graduada em Ciências Contábeis e Direito, ela se especializou em Direito Empresarial e construiu uma trajetória marcada pela inovação em gestão e pela defesa do protagonismo feminino nos negócios. Em 2024, foi homenageada pela Câmara Municipal de Praia Grande com o diploma Graziela Diaz Sterque, em reconhecimento às suas contribuições à comunidade e ao desenvolvimento local.

Em 2025, lançou o livro A mente ágil do líder: como liderar com flexibilidade e propósito na era da inteligência artificial, no qual apresenta reflexões sobre liderança e transformação digital. Idealizadora do Saitta Day, evento que reúne empresários e especialistas para impulsionar o empreendedorismo na Baixada Santista, Mayra é reconhecida por unir visão estratégica, propósito e impacto social em sua atuação.

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Sobre o Grupo Saitta

Há 15 anos, o Grupo Saitta atua como um hub de soluções integradas em contabilidade, advocacia, marketing e educação corporativa, com sede em Praia Grande (SP) e presença em todo o Brasil, além de uma carteira de clientes nos Estados Unidos e Europa. 

Reconhecido pelo Método Saitta, modelo próprio de gestão de processos, o grupo se consolidou pela capacidade de unir eficiência operacional, rigor no cumprimento de prazos e uma gestão humanizada, que valoriza a parceria e o desenvolvimento conjunto entre empresas e profissionais.

Pioneiro na Baixada Santista ao criar um setor de Customer Success voltado à experiência do cliente, o grupo também promove mentorias e programas de capacitação para líderes e empreendedores, com foco em produtividade, gestão inteligente e posicionamento estratégico. Sua missão é clara, fortalecer empresas e inspirar vidas, conectando pessoas, propósito e performance.

Fontes de pesquisa

Banco Mundial
https://www.worldbank.org

Senado Federal – Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132)https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2023/12/21/reforma-tributaria-promulgada-principais-mudancas-dependem-de-novas-leis

Receita Federal do Brasil
https://www.gov.br/receitafederal

Agência Internacional de Energia (IEA)https://www.iea.org/reports/oil-market-report

Banco Mundialhttps://www.worldbank.org/en/topic/business-environment

Emenda Constitucional 132 de 2023 Reforma Tributáriahttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc132.htm

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