- Em aquecimento para a principal feira de arte e design da América Latina, artista revela, em seu estúdio, obras esculturais que dialogam com o mobiliário
| Créditos: Obras de Alê Jordão para a SP-Arte |
São Paulo, março de 2026 – Conectando seu espaço de criação a um circuito que se estende até a 22ª edição da SP-Arte, o multiartista paulistano Alê Jordão realiza um evento preview em seu ateliê, um galpão de 500 metros quadrados, apresentando um conjunto de obras que estará na principal feira de arte e design da América Latina em 2026. Será no dia 06 de abril, das 17h às 22h, na Rua Comendador Miguel Calfat 213, Itaim Bibi, quando Jordão proporcionará uma experiência direta do público em seu ambiente de produção. A ocasião antecipa sua participação na SP-Arte, que ocorrerá logo em seguida (de 8 a 12 de abril no Pavilhão da Bienal). Nela, estarão reunidos trabalhos de diferentes artistas na Galeria Choque Cultural, estande E14, com curadoria de Baixo Ribeiro.
A obra de Alê Jordão se desenvolve em um território de tensão, entre o objeto utilitário e a escultura, entre o uso e sua suspensão e, ainda, entre a lógica funcional e a liberdade crítica. A produção não parte de premissas do design como solução, mas se apropria de códigos como campo de investigação. Seus trabalhos esculturais dialogam com o mobiliário ao mesmo tempo em que o deslocam. Elementos como ergonomia, estrutura e funcionalidade são incorporados, mas de forma tensionada, abrindo espaço para leituras que ultrapassam o uso imediato. Desse processo surgem peças que evocam cadeiras, superfícies e formas conhecidas, mas que operam como dispositivos críticos.
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Créditos: Obras de Alê Jordão para a SP-Arte
“A SP-Arte sempre foi um espaço importante para apresentar meu trabalho. Com o preview no ateliê, quero que o público veja de perto como dialogo com o espaço, os materiais que uso e o próprio ambiente da criação”, conta o artista.
Entre os trabalhos a serem apresentados, destacam-se esculturas que exploram materiais como aço inoxidável, vidro blindado e metal reaproveitado. Em algumas séries ele constrói “obras sentáveis” submetidas até a disparos de arma de fogo. Os tiros não são acidentes, mas parte constitutiva da obra. A violência inscrita na matéria transforma o objeto em um campo de tensão, entre resistência e fragilidade, bem-estar e ameaça. Ainda assim, a cadeira permanece utilizável. O gesto radical não elimina a experiência do uso; ele a complexifica.
Em outras obras, o artista revisita ícones do design moderno, como a Cadeira Vermelho e Azul, de Gerrit Rietveld, recriada a partir de latarias de automóveis reaproveitadas. O metal amassado e reconfigurado com acabamento rústico introduz uma nova carga material e simbólica ao objeto original. A leveza do design em madeira cede lugar ao peso do metal reaproveitado, imprimindo maior estabilidade ao uso e reconfigurando a ergonomia, ao mesmo tempo em que a estética é discutida.
Outro eixo fundamental da arte de Jordão é a relação com a luz. Em vez de luminárias funcionais, ele cria situações luminosas em que a luz atua como matéria. O neon, material recorrente, permite a construção de objetos autoiluminados, nos quais cor e forma se entrelaçam no espaço, criando emaranhados luminosos de cromatismo intenso que dialogam com ambientes internos e externos sem se reduzir à função de iluminar.
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Créditos: Obras de Alê Jordão para a SP-Arte |
“A produção de Alê Jordão ocupa um território entre design e escultura. Ele transforma elementos cotidianos em obras críticas, capazes de dialogar com a arquitetura e com o espaço do corpo de formas inéditas. Na SP-Arte, suas peças se inserem em um contexto maior, conversando com outros artistas da Choque Cultural que também exploram a fronteira entre função, forma e reflexão estética”, avalia o curador e fundador da galeria Choque Cultural, Baixo Ribeiro.
Ao ocupar o próprio ateliê como espaço expositivo, No preview Jordão reforça a continuidade entre processo e obra. Já na SP-Arte, esse mesmo conjunto será inserido em um contexto ampliado, estabelecendo relações com outras obras. Entre os espaços, Alê Jordão constrói um percurso que convida o público a habitar um campo onde as formas deixam de responder apenas à função e passam a operar como pensamento.
Serviço
Preview no ateliê de Alê Jordão
Data: 06 de abril de 2026
Horário: das 17h às 22h
Local: Rua Comendador Miguel Calfat 213, Itaim Bibi
Entrada: Gratuita
SP-Arte 2026
Data: de 8 a 12 de abril de 2026
Local: Pavilhão da Bienal
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque Ibirapuera, São Paulo – SP
Bio Alê Jordão
Nascido em São Paulo na década de 1970, cursou Belas Artes na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) na segunda metade dos anos 1990 e, em 2000, especializou-se em design na Domus Academy, em Milão. Iniciou sua carreira artística profissional em 2001, construindo ao longo do tempo um corpo de trabalho expressivo e sofisticado, tanto do ponto de vista material quanto conceitual.
Sua obra se destaca pela habilidade de transitar entre diferentes campos, das artes visuais ao design e à moda, incorporando tecnologia e o uso do néon como elementos-chave da sua linguagem estética. Alê Jordão foi fortemente influenciado por suas vivências e pelo contato com a cultura urbana.
Sobre a Choque Cultural
Galeria de arte contemporânea, urbana e universal.
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Créditos: Obras de Alê Jordão para a SP-Arte