ÁGUAS LINDAS-GO / Circo Boneco e Riso encerra circulação em escolas públicas com últimas apresentações em abril

by Amarildo Castro

Circo Boneco e Riso – Crédito- Lucas Rezende

O projeto Circo Boneco e Riso para a Infância chega à sua etapa final com a realização das últimas atividades na Escola Municipal Professor Inivaldo Guedes, em Águas Lindas de Goiás. As oficinas serão na segunda-feira, 20 de abril, seguidas das apresentações circenses na quarta-feira (22), nos turnos da manhã e da tarde, marcando o encerramento da circulação do projeto.

As oficinas ocorrem no período matutino, das 9h às 11h, e no vespertino, das 13h30 às 15h30, com atividades de construção de brinquedos populares e prática de perna de pau. Já as apresentações estão previstas às 10h30 e às 13h30, com acessibilidade garantida por meio de intérprete de Libras e audiodescrição.

Realizado pelo Grupo Circo Boneco e Riso, o projeto integra as ações da Política Nacional Aldir Blanc.

A palhaça,viúva do saudoso Mestre Zezito (artista circense), Neide Amorim, do Circo Boneco e Riso, afirma que o encerramento na Escola Municipal Professor Inivaldo Guedes simboliza mais que o fim de uma programação, marca a consolidação de um percurso que levou riso, aprendizado e pertencimento a quem mais precisa de acesso à cultura.

 “Mais do que apresentações, o projeto construiu experiências. Em cada escola, as crianças participaram ativamente das oficinas, criaram seus próprios brinquedos, experimentaram técnicas circenses e vivenciaram a cultura popular como prática, não apenas como espetáculo”, avalia Neide Amorim.

O projeto

A iniciativa promove apresentações circenses, oficinas de construção de brinquedos populares e oficinas de pernas de pau em escolas públicas do município. A proposta busca ampliar o acesso das crianças à cultura, estimular a criatividade e fortalecer vínculos comunitários. Tudo com o DNA da trupe fundada em 1968 por Mestre Zezito e mantida até hoje por Neide de Nazaré, a Palhaça Canela, e suas filhas, artistas e educadoras.

Mais que apresentações artísticas, o projeto se firma como ação de inclusão cultural: atende crianças de 6 a 14 anos, muitas delas com acesso restrito a atividades culturais fora da escola, e desenvolve oficinas que unem consciência ambiental (com brinquedos feitos de sucata), habilidades motoras e criatividade. As atividades também são acessíveis, com presença de intérprete de Libras, audiodescrição, material em Braille e profissionais capacitados para atendimento inclusivo.

Ao todo, o projeto atende 12 escolas,  envolvendo artistas experientes e novas gerações do circo popular, mantendo viva a tradição de números como mágicas, mamulengo, palhaçaria, malabarismos e música — heranças que formaram dezenas de artistas no DF e em Goiás e seguem inspirando novos públicos.

Circo Boneco e Riso – A Companhia  foi criada em 1968 na cidade de Juazeiro do Norte (CE) por José André dos Santos – imortalizado pelo apelido de “Mestre Zezito” – que, em 1991, transferiu-se para o Distrito Federal, com sua companheira Rosineide.  Em 1994, os integrantes do grupo começam a desenvolver oficinas de confecção de brinquedos populares, oficinas de perna de pau, Mestre Zezito tornou-se o palhaço Pilombeta, criativo, encantador de crianças e adultos com números espetaculares de perna-de-pau, trapézio, equilíbrio, entre outros.  Ainda no Circo começou a brincar com teatro de bonecos (mamulengo), bonecos gigantes, cantigas de palhaço, sempre ensinando jovens das periferias, das ruas, de grupos diversos. Foi nesse meio que conheceu Rosineide de Nazaré, que se tornou sua esposa e com quem teve três filhas: Rita de Cássia, Maria e Isabel que completam o grupo nos trabalhos de oficina de brinquedos populares, oficinas teatrais e outros.

Mestre Zezito faleceu em 4 de maio de 2006. As quatro continuaram o trabalho do mestre, com a escola de brinquedos e circo e se apresentando inclusive com números novos. A Companhia traz a mais genuína alma do circo popular brasileiro em suas intervenções pela simplicidade com que, em seus quase 40 anos de existência, vem perpetuando números tradicionais de circo tais como: mágicas, mamulengo, entradas de palhaços, malabarismo, perna-de-pau, monociclo, ventriloquia e canções populares.

Tendo influenciado muitos artistas do Distrito Federal e Goiás, bem como tem sido foco de interesse de pesquisadores da cultura popular brasileira. Atualmente a mais representativa mostra de arte circense de Brasília leva o nome do mestre, a Mostra Zezito de Circo.

Postagens relacionadas

Deixe um comentário