- Especialista detalha como o hábito simples reduz doenças, evita complicações e ajuda a conter a resistência a antibióticos
Um gesto simples, rápido e ao alcance de todos segue como uma das formas mais eficazes de evitar doenças infecciosas. No Dia Mundial de Higienização das Mãos, lembrado em 5 de maio, o recado ganha força para além de campanhas pontuais e volta ao centro da rotina.
As mãos estão entre os principais meios de transmissão de microrganismos. Quando a higienização é feita de forma correta, essa cadeia é interrompida, reduzindo a circulação de vírus e bactérias entre pessoas e ambientes. “A higienização das mãos é reconhecida como a medida mais importante, simples e econômica para prevenir infecções. Quando feita corretamente, interrompe a cadeia de transmissão”, diz a infectologista e coordenadora do Serviço de Infecção Hospitalar do Hospital Anchieta Taguatinga, Juliana Carvalho.
Os impactos aparecem em números e no cotidiano. A prática adequada pode reduzir infecções respiratórias em até 21% e doenças diarreicas em cerca de 30%. Também contribui para evitar infecções de pele e quadros mais graves, como pneumonias, infecções urinárias e bacteremias, especialmente em ambientes de saúde.
Mesmo com esses resultados, o hábito ainda não é seguido como deveria. A baixa adesão mantém um cenário preocupante, com milhões de pessoas afetadas por infecções relacionadas à assistência à saúde em todo o mundo. Muitas dessas infecções são evitáveis e a falta de higienização adequada também favorece a disseminação de microrganismos multirresistentes.
Técnica correta faz a diferença
Mais do que lavar as mãos, o modo como isso é feito interfere diretamente na eficácia do cuidado. Tempo insuficiente e falhas na técnica estão entre os erros mais comuns. Segundo a médica, a higienização só cumpre seu papel quando é feita de forma completa, com água e sabão por pelo menos 20 segundos, cobrindo todas as superfícies das mãos. Pontas dos dedos, polegares e espaços entre os dedos, por exemplo, costumam ser esquecidos e fazem diferença na proteção.
O álcool em gel entra como aliado, principalmente fora de casa, desde que não haja sujeira visível. Ele facilita a adesão ao hábito no dia a dia por ser prático e rápido. Já a água e sabão continuam indispensáveis após o uso do banheiro, antes das refeições ou quando há sujeira aparente.
No dia a dia, o cuidado precisa acompanhar momentos simples, como antes de comer, após usar o banheiro, depois de tossir ou espirrar e ao chegar em casa. Crianças e idosos pedem atenção redobrada, tanto pela maior vulnerabilidade quanto pela necessidade de estímulo ao hábito. Incorporar esses cuidados à rotina é o que sustenta a prevenção, como destaca a infectologista Juliana Carvalho. “Mais do que saber a importância, é preciso transformar a higienização das mãos em um hábito constante.”