Após transplante renal, engenheiro civil celebra nascimento da filha e uma nova chance de viver

by Amarildo Castro
  • No Dia Mundial do Paciente Transplantado, história de superação reforça a importância da doação de órgãos e do acompanhamento especializado

Quando a pequena Luiza nasceu, há dois meses, o engenheiro civil Suzaemon Chaves Kiyomi, de 33 anos, viveu um momento que durante muito tempo pareceu distante. Casado há quase dois anos, ele celebra a chegada da primeira filha como uma das conquistas tornadas possíveis após o transplante renal realizado em outubro de 2022, no Hospital Anchieta Taguatinga.

A história ganha ainda mais significado neste 6 de junho, Dia Mundial do Paciente Transplantado, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar sobre a importância da doação de órgãos e celebrar as transformações proporcionadas pelo procedimento.

Suzaemon nasceu com hidronefrose bilateral, uma alteração congênita que compromete o funcionamento dos rins. Desde a infância, precisou conviver com consultas, exames e acompanhamento médico constante. Apesar das limitações, levava uma vida relativamente normal até 2020, quando contraiu Covid-19.

O engenheiro civil Suzaemon Chaves Kiyomi: nova chance de viver

Na época, sua função renal já apresentava redução, mas permanecia estável. A infecção, porém, provocou uma piora significativa do quadro.

“Antes da Covid, minha função renal estava em torno de 38%. Depois da internação, caiu para cerca de 20%. Foi quando a preocupação aumentou e comecei a entender que precisaria pensar seriamente no transplante”, relembra.

A partir daí, ele passou a ser acompanhado pela equipe de nefrologia e iniciou a preparação para o procedimento. Diversos familiares realizaram exames de compatibilidade, incluindo o pai, tias e uma prima. Ao final da avaliação, a prima Carolina foi identificada como a doadora mais adequada.

Em 14 de outubro de 2022, os dois entraram simultaneamente no centro cirúrgico para a realização do transplante.

Um segundo aniversário

Após o transplante, uma nova fase começou. Livre da preocupação constante com a progressão da doença renal, ele voltou a fazer planos, viajar a trabalho e lazer e retomar projetos que antes pareciam difíceis de alcançar.

Hoje, casado e pai da pequena Luísa, considera a data da cirurgia um marco em sua trajetória. O engenheiro civil costuma se referir ao transplante como um “segundo aniversário”, por representar o início de uma nova fase.

O transplante me deu a oportunidade de viver tudo o que estou vivendo hoje. Sou grato à minha família, aos amigos e a todos que me apoiaram nessa caminhada. O transplante é muito mais do que receber um órgão. É a chance de recomeçar, realizar sonhos, construir uma família e voltar a planejar o futuro”, comemora.

Transplante antes da hemodiálise

O caso de Suzaemon chama atenção por um diferencial importante. Diferentemente da maioria dos pacientes com doença renal crônica avançada, ele conseguiu realizar o transplante antes mesmo de iniciar a hemodiálise.

Os anos que antecederam a cirurgia exigiram disciplina e acompanhamento constante. Mesmo jovem, ele precisou adaptar completamente a rotina para preservar a função renal e retardar a evolução da doença. Durante cerca de três anos, o objetivo da equipe médica foi manter a função dos rins pelo maior tempo possível, evitando a necessidade da terapia renal substitutiva.

A coordenadora da Nefrologia do Hospital Anchieta Taguatinga, Helen Siqueira, explica que a possibilidade de um transplante com doador vivo foi decisiva para o desfecho positivo do caso. Após uma série de avaliações, a prima dele foi considerada compatível e apta para a doação.

“Graças ao diagnóstico precoce, ao acompanhamento especializado e à generosidade da doadora, foi possível realizar um transplante renal preemptivo, antes que ele precisasse iniciar a hemodiálise. Isso permitiu que o procedimento fosse realizado em melhores condições clínicas e preservasse sua independência por mais tempo”, destaca.

No Dia Mundial do Paciente Transplantado, a história de Suzaemon reforça como o diagnóstico precoce, o acompanhamento especializado e a doação de órgãos podem mudar destinos. Mais do que um procedimento médico, o transplante permitiu que ele retomasse projetos, conquistasse autonomia e construísse uma nova etapa de vida ao lado da família.

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