- Com foco na agricultura regenerativa, estarão reunidas cerca de 40 autoridades internacionais, produtores rurais, estudantes e pesquisadores para debater o futuro sustentável do campo
Estão abertas as inscrições para o 3º Encontro Mundial do Sistema Plantio Direto e para o 20º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto. Confirmados para acontecer entre os dias 7 e 9 de julho de 2026, em Brasília-DF, os eventos integram uma das mais importantes datas do calendário agrícola do país. Na edição deste ano, os debates serão em torno do tema “Sistema Plantio Direto: base para a agricultura regenerativa”.
A organização do evento é da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP), em parceria com outras instituições, entre elas a Embrapa, que vai contribuir com a promoção do intercâmbio do conhecimento científico e tecnológico desenvolvido ao longo dos últimos 53 anos da Empresa. De acordo com dados da FEBRAPDP, o Sistema Plantio Direto (SPD) atualmente contabiliza mais de 33 millhões de hectares de área cultivada no Brasil.
O pesquisador e assessor da Presidência da Embrapa e membro da comissão técnico-científica do evento, Luiz Adriano Maia Cordeiro, afirma que a participação da empresa vai reforçar a divulgação de resultados científicos em torno do SPD que dão suporte para que o produtor rural adote o sistema de forma adequada. “O setor já conta com tecnologias voltadas à promoção da cobertura permanente do solo, seja por meio da rotação e sucessão de culturas e pelo não revolvimento do solo, com inúmeros benefícios para a produtividade agrícola e para a qualidade do solo”, explica. Segundo ele, esta será uma oportunidade para discutir conquistas, desafios e vulnerabilidades que o SPD ainda enfrenta para produzir mais e melhor, com conservação do solo e da água, transformando a ciência nacional em novas chances de conhecimento prático.
Como um sistema de produção conservacionista baseado na sustentabilidade, o SPD se consolida em três pilares fundamentais: o não revolvimento do solo, que fica restrito à linha de semeadura; a cobertura permanente do solo por meio de plantas vivas ou palhadas; e, a diversificação de plantas na rotação de culturas . Comparada aos métodos tradicionais de manejo do solo, essa tecnologia é tida como uma das mais sustentáveis para o ambiente tropical, trazendo vantagens diretas como a eliminação da erosão hídrica e eólica, conservação da água, economia de combustível, otimização de tempo e mão de obra, incremento na Matéria Orgânica do Solo (MOS), maior resiliência em períodos de escassez hídrica, aumento da produtividade das culturas e a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE).
A programação técnica do evento vai reunir mais de 40 autoridades e especialistas, que vão participar de palestras e painéis. Entre as presenças confirmadas, estão Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja e primeira mulher brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação; Ieda Mendes, Lourival Vilela e Arminda Carvalho da Embrapa Cerrados; Nuno Madeira da Embrapa Hortaliças; João Carlos “Juca” de Moraes Sá da Ohio State University; Saidi Mkomwa, da African Conservation Tillage Network (ACT); Emílio González, da European Conservation Agriculture Federation (ECAF); Maurício Roberto Cherubin, representando a ESALQ/USP e o CCarbon; Franke Dijkstra agricultor pioneiro do SPD; e, Marie Bartz, pesquisadora e filha de Herbert Bartz, considerado o “Pai do Plantio Direto”. Além deles, participarão produtores rurais da Itália, Alemanha, Paraguai e do próprio Brasil, para relatar suas experiências práticas no campo.
Para além das discussões em auditório, os participantes terão a oportunidade de acompanhar o manejo prático por meio de visitas técnicas programadas na região. As demonstrações em campo ocorrerão na Embrapa Hortaliças em parceria com a Emater/Coopermista, e nas instalações da Embrapa Cerrados, dentre outras áreas.
Informações sobre a programação completa e inscrições estão disponíveis aqui
O Sistema Plantio Direto visa a produção de alimentos, fibras e energia em harmonia com a natureza baseando-se em três pilares: o não revolvimento do solo (restrito à linha de semeadura ou covas para mudas), a cobertura permanente do solo (plantas vivas ou palhadas) e a diversificação de plantas na rotação de cultivos.
Esse sistema de produção conservacionista, comparado a sistemas que utilizam o preparo do solo, proporciona a redução da erosão hídrica e eólica dos solos, da emissão de gases causadores do efeito estufa, bem como o uso de combustíveis fósseis e de agroquímicos, o aumento da infiltração da água e a eficiência dos fertilizantes aplicados e a recuperação da matéria orgânica, da biodiversidade e da resiliência do solo, permitindo o desenvolvimento de uma agricultura sustentável.