Postou, perdeu o emprego? Entenda quando redes sociais podem gerar demissão por justa causa

by Amarildo Castro

Com novas gerações no mercado e exposição crescente da rotina profissional na internet, especialista explica os limites entre vida pessoal e relação de trabalho

Gravar a rotina no escritório, participar de trends durante o expediente, reclamar do chefe ou publicar críticas sobre a empresa nas redes sociais. O que para muitos trabalhadores pode parecer apenas uma forma de expressão, em alguns casos pode gerar consequências profissionais.

Com a entrada da Geração Z no mercado de trabalho, empresas têm enfrentado novos desafios relacionados à comunicação, comportamento e exposição digital. Uma geração que cresceu conectada trouxe novas formas de se relacionar com o trabalho, mas também novas dúvidas jurídicas.

Afinal, a empresa pode interferir no que um funcionário publica?

De acordo com o advogado trabalhista André Theodoro, não existe uma regra que permita ao empregador controlar a vida pessoal do colaborador, mas determinadas condutas podem ultrapassar esse limite.

“O trabalhador tem direito à liberdade de expressão e à vida privada. Porém, esses direitos não eliminam os deveres existentes dentro de uma relação de trabalho, como respeito, boa-fé e preservação de informações da empresa”, explica.

Segundo o especialista, o problema geralmente não está simplesmente em ter uma rede social ativa, mas no conteúdo publicado e nas consequências que aquela exposição pode gerar.

Comentários ofensivos contra colegas, gestores ou contra a própria empresa, divulgação de informações sigilosas, exposição indevida do ambiente de trabalho ou conteúdos que prejudiquem a imagem da organização podem resultar em medidas disciplinares.

“Cada situação precisa ser analisada individualmente. Uma crítica genérica é diferente de uma ofensa, assim como uma brincadeira no ambiente de trabalho é diferente de uma exposição que prejudica a empresa ou colegas”, destaca André.

Outro ponto comum atualmente é a gravação de vídeos no ambiente profissional. Segundo o advogado, empresas podem estabelecer políticas internas sobre o uso de celulares, câmeras e redes sociais durante a jornada.

“O funcionário precisa entender que estar no local de trabalho envolve regras. A empresa pode definir normas para proteger produtividade, segurança, imagem e informações internas”, afirma.

Para evitar conflitos, o especialista recomenda que empresas tenham políticas claras de conduta digital e que trabalhadores tenham atenção antes de publicar conteúdos relacionados ao trabalho.

“O ambiente digital criou uma falsa sensação de que existe uma separação absoluta entre vida online e profissional. Mas uma publicação feita em segundos pode ter reflexos reais na relação de trabalho”, conclui.

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