- Pré-candidato ao GDF diz que experiência dirigindo por aplicativo da empresa UBER impulsionou criação de proposta para criar plataforma gerida por cooperativa, com apoio institucional do Governo do DF
O pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSB, Ricardo Cappelli, anunciou a proposta de criação do Bora DF, um aplicativo de transporte administrado por uma cooperativa de motoristas, com apoio institucional do Governo do Distrito Federal. A iniciativa surgiu após o início de uma experiência em que passou a dirigir por aplicativo para conhecer de perto a realidade dos cerca de 40 mil motoristas que atuam no DF.
Segundo Cappelli, a proposta busca reduzir o custo da intermediação das grandes plataformas e ampliar a parcela da renda que permanece com os trabalhadores:
“Não é possível a pessoa trabalhar o dia inteiro e ainda ver uma parte significativa do valor da corrida ficar com a plataforma. Depois vêm a gasolina, a manutenção, o seguro e a depreciação do carro. A gente não pode tratar isso como se fosse normal.”
Para participar da experiência, Cappelli obteve a habilitação para atividade remunerada e passou a realizar corridas em diferentes regiões administrativas. No primeiro dia dirigiu por cerca de três horas e meia, e no dia seguinte rodou mais de oito horas e afirmou que a vivência permitiu compreender melhor tanto a rotina dos motoristas quanto as dificuldades enfrentadas pelos passageiros.
Entre as situações observadas, ele cita a falta de integração do transporte público com os deslocamentos na região central de Brasília.
“Peguei passageiros que chegaram à Rodoviária do Plano Piloto e não encontraram ônibus para concluir o trajeto. Muitas vezes acabam recorrendo ao aplicativo porque não existe uma alternativa eficiente.”
Além da criação do Bora DF, Cappelli defende o fortalecimento do transporte complementar na área central da capital, por meio de linhas circulares e outros modais capazes de facilitar os deslocamentos de curta distância.
Pela proposta, o Bora DF seria desenvolvido com apoio do Governo do Distrito Federal, enquanto a gestão da plataforma ficaria sob responsabilidade de uma cooperativa formada pelos próprios motoristas.
“O dinheiro que fica nas plataformas pode permanecer aqui, fortalecendo a economia local e ajudando diretamente as famílias que vivem desse trabalho”, afirma Ricardo Cappelli.
A proposta tem como referência experiências desenvolvidas no Brasil e no exterior. Em Araraquara (SP), uma cooperativa de motoristas passou a operar um aplicativo próprio com apoio do poder público e tecnologia da empresa brasileira Bibi Mob. No cenário internacional, iniciativas como a The Drivers Cooperative, em Nova York, e a plataforma Eva, no Canadá, adotam modelos de gestão compartilhada e maior participação dos motoristas nos resultados da atividade.
Cappelli afirma que continuará dirigindo por diferentes regiões administrativas nas próximas semanas para ouvir motoristas e passageiros e aprofundar o diagnóstico sobre mobilidade urbana antes de detalhar o funcionamento da proposta.