- Fato ocorreu em 13 de junho, às 9h54 (de acordo com boletim de ocorrência) em uma pista atrás do Teatro de Arena, em uma via dentro do Complexo do Cave, e continua, segundo a família de Vinícius Albuquerque Rodrigues dos Santos, 40, (vítima), a mercê de esclarecimentos
- Eles acreditam ainda que teria havido negligências durante o episódio, fato negado pelo advogado que cuida do caso (do lado do jovem Yago), que estava presente no local e teria supostamente emprestado uma moto de alta cilindrada a Vinícius para um teste, outra contestação da família do rapaz que caiu da moto e faleceu
POR AMARILDO CASTRO
Passado quase um mês de um acidente ocorrido em 13 de junho deste ano de 2026, em uma via atrás do Teatro de Arena, no Complexo do Cave, no Guará, quando um homem identificado como Vinícius Albuquerque Rodrigues dos Santos, de 40 anos, caiu de uma moto, que segundo seus familiares era de alta cilindrada, a situação ainda continua misteriosa. O acidente foi às 9h54, conforme ocorrência policial e Vinícius veio a óbito em seguida, quando bombeiros tentavam reanimá-lo.
A comunicação chegou à 4ª Delegacia de Polícia às 10h10; onde desde então, segundo familiares de Vinícius Albuquerque, pairam várias dúvidas acerca do acidente, suspeitas de uma suposta negligência por parte das pessoas que conheciam Vinícius, ligadas ao Centro de Pilotagem Testa, que atua dentro do Kartódromo do Guará, onde Vinícius também fazia aulas de pilotagem.
Em um primeiro momento, a família de Vinícius, pelo fato de ele ter se matriculado no Centro de Pilotagem Testa, acreditava (e ainda acredita) que Vinícius estaria fazendo uma aula, mas dessa vez, em uma moto diferente, e de alta cilindrada, o que acharam muito estranho pelo fato de ele ser aprendiz.
Mas a versão foi contestada pelo advogado de Yago, Claudio Reis. Segundo ele, Vinicius treinou na academia com o Yago anteriormente, com motos de média e alta potência, mas no dia do acidente, o teste da moto não teria a ver com o Centro de Pilotagem Testa, sendo um acordo entre o Vinícius e o Yago, o teste da moto maior porque Vinícius tinha interesse em experimentar a moto de 1000cc visando uma compra semelhante, por isso, o experimento em via pública.
“Quando resolveu comprar uma moto grande teria pedido para experimentar a moto de 1000cc, que pilotou tranquilamente por cerca de meia hora, até que se acidentou. O fato ocorreu em via pública, sem ligação com com o centro de pilotagem cujos treinos se dão no circuito fechado, no caso, dentro do Cave, no kartódromo”, diz o advogado de Yago.
O acidente
Na versão do advogado de Yago, no momento do acidente o Vinícius parou a moto junto a Yago, falou com ele e arrancou em linha reta, uns 40 metros, em direção ao ponto de impacto. Esbarrou na guia e bateu numa cerca de tela. E acrescenta: “O Yago correu, verificou que ele estava respirando, chamou os bombeiros e abriu a viseira do capacete. A partir de então, a polícia foi acionada”, diz.
Muitas dúvidas
A partir de então, várias dúvidas, segundo a família da vítima (o Vinícius), surgem o tempo todo, desde o registro do boletim de ocorrência, até os dias atuais.
Um exemplo foi a situação do carro de Vinícius, que estaria um pouco distante do local do acidente, teria sido levado para a delegacia, e não se sabe como. Na versão do advogado de Yago, o mais provável é que policiais militares o teriam levado.
A família de Vinícius ainda reclama não entender o por quê de só ter sido avisada sobre o fato, do acidente, por volta das 13h e com Vinícius já sem vida há pelo menos três horas. “Eles, o pessoal do centro de pilotagem, que conhecia o Vinícius tinham o nosso telefone, não conseguimos entender por que demoraram tanto para nos avisar, e só fomos avisados pela polícia”, diz Núbia.
Questionado sobre esse fato pela reportagem, o advogado de Yago respondeu que tanto o Testa, pai de Yago, quanto o próprio Yago, assim como pessoas próximas estavam muito abaladas, e que não teriam condições de entrar em contato com a família de Vinícius para falar sobre a morte, nem no momento e nem horas depois, cabendo esse fato à polícia.
Família de Vinícius aguarda laudo que deve apontar estado da moto envolvida no acidente

Moto apreendida, mas laudo ainda não saiu
Após todo o episódio, a moto envolvida no acidente foi levada à delegacia para averiguação de alguns itens de rotina, a inspeção para um laudo técnico, mas até agora a família de Vinícius, assim como o próprio Yago ainda esperam o documento, que tem 30 dias para ficar pronto.
A família de Vinícius ainda questiona o estado da moto, que estaria com pneus lisos e sem muitos itens usados nas motos tradicionais, como retrovisores. Nesse caso, segundo o advogado de Yago, a moto tem aspecto feio porque é usada nos treinos, sem setas, espelhos, desnuda de quaisquer equipamentos que possam causar ferimentos no caso de quedas. Usa pneus slick, lisos, mais emborrachados e seguros para os treinos. O advogado de Yago assegura que a vítima estaria consciente da situação da moto.
Questionado pela reportagem sobre a proibição em vias públicas do uso de pneus lisos (para corridas ou treinos em autodromos), o advogado respondeu que a vítima estaria ciente da situação.
Perguntas que ainda aguardam respostas (segundo a família de Vinícius)
Questionada pela reportagem sobre o que ainda não teria sido respondido sobre as circunstâncias do acidente, como a própria família de Vinícius reclama, a tia da vítima, Núbia Albuquerque pontuou os seguintes itens:
– Por que a 4ª DP entrou em contato com a família somente às 13h para informar o óbito?
– Quem levou o carro de Vinícius até a delegacia?
– Por que o proprietário do Centro de Pilotagem Wesley Testa não entrou em contato com a família?
“Fomos nós que tivemos que ir até o local no dia 16”.
Por que foi entregue uma motocicleta de alta cilindrada a um aluno não habilitado e fora do ambiente do centro de treinamento?
– Por que o proprietário desativou suas redes sociais e nunca concedeu uma entrevista para prestar esclarecimentos?
“Nossa família não busca versões diferentes. Buscamos apenas a verdade. Vinícius não voltará, mas a verdade precisa aparecer. Esperamos que todos os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades competentes e buscamos Justiça pela morte do Vinícius”, diz Núbia.
A reportagem questionou ao advogado de Yago, se queria deixar alguma mensagem para a família de Vinícius, que respondeu:
“Há coisas que em respeito ao luto é melhor calar. Mas no momento certo serão ditas a juiz, promotor e delegado, por se tratar de questões processuais. O que se deve dizer é que o Yago e” o pai dele estão profundamente consternados com o fato”.
Diante de todos os fatos, a reportagem ainda tentou falar com o delegado responsável pela investigação na 4ª DP, mas foi informada que a investigação estaria em sigilo e que não poderia obter informações acerca do assunto.