Projeto inovador de universidade aponta que El Niño de 2026 será um dos mais fortes já registrados na história e antecipa os impactos no Brasil

by Amarildo Castro
  • Pesquisa utiliza inteligência artificial, automação e análise integrada de estudos científicos e alerta para efeitos em cadeia sobre a produção de alimentos, geração de energia, logística e qualidade de vida da população

Pesquisa alerta para efeitos em cadeia sobre a produção de alimentos, geração de energia, logística e qualidade

Os principais centros de monitoramento climático do mundo convergem para um mesmo cenário: o El Niño iniciado em 2026 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da história recente e permanecer ativo até o início de 2027. A partir da integração dessas projeções, pesquisadores do Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI), com sede em Santa Catarina, desenvolveram um estudo inovador, que aponta elevada probabilidade de um Super El Niño, capaz de provocar impactos expressivos sobre a agricultura, a economia, o meio ambiente, a geração de energia e a saúde pública em diferentes regiões brasileiras.

O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores Fábio Henrique Moisés e Matheus Fernando Cunha, acadêmicos do curso de Engenharia de Software da UNIASSELVI, sob orientação do professor e coordenador dos cursos de Tecnologia da instituição, Pedro Sidnei Zanchett. A pesquisa reúne e cruza informações de organismos nacionais e internacionais, como NOAA, NASA, INPE, INMET, CEMADEN e Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI), utilizando automação, inteligência artificial e análise de dados para consolidar evidências e produzir uma visão integrada sobre o cenário climático esperado para o Brasil. 

Segundo a pesquisa, há 97% de probabilidade de o fenômeno permanecer até o início de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade considerada muito forte, condição registrada apenas em poucos episódios ao longo dos últimos 150 anos. Entre os impactos esperados estão secas prolongadas nas regiões Norte e Nordeste, ondas de calor e redução das chuvas no Centro-Oeste e parte do Sudeste, aumento das enchentes na Região Sul e reflexos diretos sobre a produção agrícola, os preços dos alimentos e a geração de energia elétrica.

“A inovação da pesquisa está em integrar inteligência artificial, automação e conhecimento científico para apoiar decisões em situações de risco. As mudanças climáticas exigem uma nova forma de interpretar dados. A tecnologia pode reduzir o tempo entre a identificação do risco e a tomada de decisão. Nosso foco é transformar informação em capacidade de resposta”, explica o professor Pedro Zanchett.

Impactos no bolso e na saúde do brasileiro

Os impactos do Super El Niño devem ir muito além das mudanças no clima. A pesquisa da UNIASSELVI aponta que a agricultura brasileira estará entre os setores mais afetados, embora de maneiras diferentes em cada região do país. Enquanto o excesso de chuvas poderá comprometer culturas como arroz e trigo no Sul, a estiagem e as temperaturas elevadas tendem a pressionar a produção de soja, milho, café e outras culturas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, além de afetar pastagens e aumentar o estresse térmico dos rebanhos. O resultado pode ser uma redução na produtividade agrícola e maior pressão sobre os preços dos alimentos.

Os reflexos também podem atingir diretamente a economia. A combinação entre perdas na produção agrícola, aumento do consumo de energia elétrica durante ondas de calor e necessidade de maior acionamento de usinas termelétricas pode pressionar a inflação e elevar custos para consumidores e empresas. Além disso, eventos extremos como enchentes e secas tendem a afetar a logística nacional, provocando interrupções em rodovias, ferrovias e operações portuárias, com impactos sobre o abastecimento e as exportações brasileiras.

Na área ambiental, os pesquisadores alertam para o risco de agravamento das queimadas na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, além da possibilidade de uma nova seca severa na região amazônica. No Sul do país, por outro lado, a tendência é de aumento das chuvas, favorecendo enchentes, deslizamentos de terra e outros eventos extremos capazes de causar prejuízos econômicos e sociais. O estudo também destaca que esses fenômenos podem acelerar a degradação de ecossistemas já fragilizados pelas mudanças climáticas.

A saúde pública também pode sentir os efeitos do fenômeno. Ondas de calor mais intensas tendem a elevar os casos de problemas cardiovasculares e respiratórios, enquanto a fumaça das queimadas pode comprometer a qualidade do ar em diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo, a alternância entre períodos secos e chuvas intensas favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentando o risco de doenças como dengue, chikungunya e zika, além de elevar a incidência de leptospirose em áreas sujeitas a enchentes.

Trabalho inovador para prevenção de desastres

Embora o artigo tenha como foco o comportamento do fenômeno climático, o objetivo principal da pesquisa é ampliar o uso da tecnologia na prevenção e na resposta a desastres naturais. O estudo faz parte de uma linha de investigação desenvolvida na UNIASSELVI voltada à criação de sistemas inteligentes de apoio à decisão, capazes de integrar grandes volumes de dados, automatizar análises e auxiliar gestores públicos na tomada de decisões diante de eventos extremos. 

“A proposta vai muito além de acompanhar previsões meteorológicas. Nosso objetivo é transformar informações dispersas em inteligência para apoiar decisões que podem reduzir impactos sociais, econômicos e ambientais provocados por desastres naturais”, destaca.

A iniciativa está conectada à tese de doutorado do professor, intitulada RADIAN, que propõe uma arquitetura de referência para sistemas de apoio à decisão voltados ao gerenciamento de desastres naturais. O projeto de iniciação científica amplia essa pesquisa ao investigar como inteligência artificial generativa, computação em nuvem e automação podem integrar informações produzidas por diferentes órgãos responsáveis pelo monitoramento climático e pela gestão de riscos. 

Para os estudantes que participaram do projeto, a utilização de inteligência artificial não substitui o conhecimento científico produzido pelos grandes centros de pesquisa, mas potencializa sua aplicação prática. “A inteligência artificial permite consolidar milhares de informações produzidas por diferentes instituições e transformá-las em análises capazes de apoiar decisões mais rápidas e fundamentadas. O desafio não é produzir mais dados, mas conectar o conhecimento que já existe”, destaca Fábio Henrique Moisés.

“O consenso entre os principais modelos climáticos internacionais é um sinal importante de que o país deve se preparar. Nossa pesquisa organiza essas evidências e demonstra como tecnologias inteligentes podem contribuir para aumentar a capacidade de resposta diante de eventos extremos”, acrescenta Matheus Fernando Cunha.

O trabalho completo desenvolvido pelo professor e pelos acadêmicos da UNIASSELVI pode ser acessado neste link: O Pacífico aquece outra vez: o Super El Niño que pode redesenhar o clima do Brasil

Sobre a UNIASSELVI

A UNIASSELVI é uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do Brasil. Com uma oferta diversificada de mais de 500 cursos, que incluem Graduação, Pós-Graduação, Profissionalizantes e Técnicos, nas modalidades presencial, semipresencial e a distância (EAD), a instituição se destaca pela sua abrangência e qualidade educacional. Presente em todos os estados brasileiros, a UNIASSELVI conta com uma ampla rede de mais de 1,3 mil polos e mais de 16 unidades de ensino presencial. É reconhecida como a única instituição de grande porte nacional a receber nota máxima no Recredenciamento Institucional, concedido pelo Ministério da Educação (MEC). A missão da UNIASSELVI é fornecer os recursos e o suporte necessários para que os alunos construam suas próprias histórias e alcancem o sucesso acadêmico e profissional, promovendo assim o desenvolvimento pessoal e profissional de cada estudante.

Postagens relacionadas

Deixe um comentário