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| Candidato do PT ao governo de SP defende uso da tecnologia para promover acesso, qualidade de atendimento e redução do desperdício na saúde Candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) afirmou nesta sexta-feira (7) que saúde, educação e segurança não podem ‘sair da mesa’ do chefe do Executivo estadual. Citando recursos de tecnologia como aliados necessários para ampliar o acesso à saúde e reduzir filas de exames e cirurgias, o petista criticou o que considera desperdícios causados por “má gestão” na Secretaria estadual de Saúde e elegeu a regulação de leitos como uma necessidade urgente. Haddad participou do “Diálogos da Saúde”, promovido pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios particulares do Estado de São Paulo (SindHosp), na sede da entidade. “Temos recursos disponíveis e é preciso usá-los. A implementação de um prontuário único, vinculado ao CPF, pode integrar exames e dados, numa grande coordenação entre União, estados e municípios. A telemedicina e a inteligência artificial podem aumentar a produtividade e o acesso à saúde. A IA não vai substituir as pessoas, mas realizar tarefas para que as pessoas produzam mais”, afirmou Haddad. Durante o “Diálogos da Saúde”, mediado pelo presidente da entidade, Francisco Balestrin, empresários e executivos do setor fizeram perguntas diretamente ao candidato. O evento contou com o apoio da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios Particulares do Estado de São Paulo (FESAÚDE). Embora tenha dito que a disputa entre esquerda e direita não deve ser um “Fla x Flu”, Haddad fez críticas ao seu oponente na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, o atual governador e postulante à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado pela família Bolsonaro. O petista afirmou que o seu adversário terceirizou a gestão da segurança pública. “Crime organizado só se cria em Estado desorganizado: saúde, educação e segurança são assuntos do governador. Tem que puxar, não podem sair da mesa do governador. O (deputado federal) Eduardo Bolsonaro (PL) foi quem indicou o secretário de Segurança (Guilherme Derrite, licenciado para disputar o Senado). O atual governador terceirizou a segurança”, afirmou Haddad, em entrevista a jornalistas após o evento. Ao expor sua visão sobre o que considera prioritário para a redução da violência, Haddad mirou nas câmeras corporais incorporadas às fardas de policiais militares. “Falta integração e transparência em uma série de decisões. Por exemplo, a de deixar o policial ter o livre arbítrio de ligar ou desligar a câmera corporal. No período em que as câmeras ficavam ligadas, isso ajudou inclusive a proteger o policial, que tinha ali registrados todos os incidentes”. Citando sua passagem pelo Ministério da Educação, entre 2005 e 2012, o candidato apontou o Ensino Médio como um fator determinante para promoção da saúde e combate à violência. “Uma das minhas frustrações como ministro da Educação foi não conseguir mudar o currículo do Ensino Médio, que é central para tratar de assuntos como violência e saúde. É o momento em que se tem a oportunidade de explicar para o jovem assuntos que muitas vezes ele só vai aprender e descobrir fora da escola, como gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, uso de drogas ilícitas e abuso de drogas lícitas, sedentarismo, alimentação, entre outros”, afirmou. Economia Ministro da Fazenda durante o quarto mandato de Lula, até se desincompatibilizar para a disputa do governo, Fernando Haddad foi perguntado sobre o rumo da economia do país. Ele foi objetivo: “Deve seguir no caminho da reconstrução do superávit primário, mas feito de maneira adequada, sem prejudicar a base da pirâmide. Caso contrário, acaba comprometendo o poder de compra e, consequentemente, o crescimento da economia. Quando se faz os ajustes pedidos pela Faria Lima, compromete-se demais”. O petista adiantou ainda que pretende enxugar a máquina pública estadual, caso vença a eleição. “Vamos fazer revisão nos contratos de custeio, principalmente de terceirizados. Tem espaço. Vamos precisar fazer um saneamento das contas”. Os “Diálogos da Saúde”, realizados na sede do SindHosp, receberam no primeiro semestre deste ano os pré-candidatos à Presidência da República Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Fernando Haddad deu início ao ciclo de diálogos com candidatos ao governo do Estado de São Paulo. Os encontros visam a discutir propostas e temas ligados à saúde e a políticas públicas com impactos para o bem-estar da população. Os Inegociáveis da Saúde Fernando Haddad recebeu, do presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, o “Manifesto dos 5is”, documento que propõe uma agenda inadiável, voltada à transformação da saúde brasileira, defendendo a ampliação do acesso, o aumento da resolutividade, a melhoria da qualidade assistencial, a redução de desperdícios e a promoção de maior equilíbrio e sustentabilidade para o sistema de saúde. A premissa das proposições é a de que a saúde não pode permanecer à margem das grandes decisões nacionais e deve ser reconhecida como prioridade estratégica do país, acima de governos, ideologias e ciclos eleitorais. Os cinco compromissos da proposta são: (1) Paciente Único, que consiste no estabelecimento de uma identidade clínica única e longitudinal, para acompanhar cada pessoa, em vez de ter como foco os episódios clínicos; (2) Dados Estruturados, que tem foco na organização de informações estratégicas e operacionais que favoreçam a integração e a interoperabilidade do sistema; (3) Acesso Qualificado, garantindo o cuidado certo no tempo adequado, e não apenas cobertura formal; (4) Cuidado Padronizado, com linhas assistenciais bem definidas e priorização de desfechos clínicos, em favor da equidade; e (5) Desperdício Contido, sobre o enfrentamento de perdas clínicas, operacionais e financeiras por meio de governança clínica e corporativa, condição para a expansão e a sustentabilidade do sistema. “O objetivo dos Inegociáveis da Saúde é oferecer aos candidatos uma proposta suprapartidária, para incorporação aos planos de governo, comprometida com o futuro e elaborada a partir de necessidades urgentes identificadas por quem vivencia a saúde no dia a dia”, resumiu Balestrin. Crédito da foto: SindHosp/Divulgação |