Redação Enem: professor aponta 7 temas que merecem atenção em 2026

by Amarildo Castro
  • Especialista da Arco Educação destaca que o exame valoriza a análise crítica e o olhar atento às principais questões sociais do país

Com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se aproximando, candidatos de todo o país intensificam os estudos e um dos conteúdos que pode fazer a diferença na prova é o repertório utilizado na redação. Para além do domínio das disciplinas, a prova valoriza a capacidade de análise crítica, argumentação e conexão com o mundo real.

Segundo o professor Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, acompanhar as principais notícias do país pode contribuir tanto para as questões objetivas quanto para a redação, que tradicionalmente aborda problemas sociais de grande relevância. “O Enem busca avaliar o pensamento crítico do estudante, ou seja, como a pessoa se posiciona diante de questões atuais e estruturais do país. Ter bagagem sobre os acontecimentos recentes ajuda muito na construção de argumentos sólidos e coerentes”, afirma.

Celedônio ressalta ainda que o tema da redação costuma ser definido entre os meses de junho e julho. “O objetivo não é tentar adivinhar o tema da redação, mas identificar assuntos atuais que dialogam com características recorrentes da prova, como problemas sociais brasileiros, garantia de direitos, invisibilidade de determinados grupos e necessidade de construção de propostas de intervenção.”

A partir das discussões que ganharam força no país ao longo dos últimos meses, Ademar Celedônio selecionou sete temas que dialogam com questões recorrentes da redação do Enem e que merecem atenção dos estudantes durante a preparação:

  1. Desafios para a proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais brasileiros: O uso crescente das tecnologias expõe crianças e adolescentes a conteúdos inadequados, publicidade direcionada, coleta indevida de dados, cyberbullying e outras formas de violência. O tema envolve a responsabilidade compartilhada entre família, escola, Estado e empresas de tecnologia.

Por que é relevante? Novas leis e discussões sobre responsabilidade das plataformas e educação digital tornam o tema urgente e bastante atual.

Possíveis abordagens

  • educação digital e letramento midiático nas escolas; 
  • responsabilidade das plataformas pelos conteúdos e mecanismos de recomendação; 
  • proteção de dados pessoais e verificação de idade; 
  • cyberbullying, assédio e exploração sexual on-line – criação de canais acessíveis de denúncia e acolhimento; 
  • impactos do uso excessivo de telas na saúde mental; 
  • formação das famílias para a mediação do uso da tecnologia; 
  1. Desafios para garantir o direito à vida e ao futuro da juventude brasileira: A violência letal, a evasão escolar, o crime organizado e a falta de oportunidades atingem especialmente jovens negros e moradores das periferias. Discutir o futuro da juventude significa articular segurança pública, educação, trabalho, cultura e redução das desigualdades.

Por que é relevante? O tema reúne discussões sobre direitos humanos, segurança pública, educação, trabalho, cultura e desigualdade social.

Possíveis abordagens

  • desigualdade racial e territorial na distribuição da violência; 
  • prevenção da violência e atuação integrada das políticas públicas voltadas à juventude; 
  • acesso ao ensino, técnico e ao primeiro emprego; 
  • aliciamento de jovens pelo crime organizado; 
  • ausência de espaços culturais, esportivos e de lazer; 
  • saúde mental e perspectivas de futuro; 
  • valorização da participação juvenil nas decisões públicas. 
  1. Desafios para promover a alfabetização plena como condição para o exercício da cidadania no Brasil: A redução do analfabetismo não significa que todos os brasileiros consigam interpretar textos, informações públicas, dados científicos ou conteúdos digitais. A alfabetização plena envolve leitura, escrita, compreensão e autonomia para participar da vida social.

Por que é relevante?

Alfabetizar é garantir autonomia, acesso ao trabalho, à informação e participação social de forma plena.

Possíveis abordagens

  • ampliação e valorização da Educação de Jovens e Adultos; 
  • desigualdades regionais, raciais e socioeconômicas; 
  • combate à evasão e ao abandono escolar; 
  • formação e valorização dos professores alfabetizadores; 
  • alfabetização funcional e compreensão de textos; 
  • alfabetização digital e acesso às tecnologias; 
  • alfabetização científica para interpretar evidências; 
  • letramento midiático para enfrentar a desinformação; 
  • busca ativa de jovens, adultos e idosos fora da escola. 
  1. Caminhos para fortalecer a confiança da população brasileira na ciência e nas instituições de saúde: A desinformação, notícias falsas e interpretações equivocadas comprometem decisões individuais e políticas públicas essenciais.

Por que é relevante? A pandemia mostrou a importância da ciência. O tema permite discutir comunicação científica, educação, transparência e combate à desinformação.

Possíveis abordagens

  • educação científica desde a Educação Básica; 
  • combate à desinformação sobre vacinas e tratamentos; 
  • transparência na divulgação de riscos e eventos adversos; 
  • comunicação pública em linguagem clara e acessível; 
  • responsabilidade das plataformas na circulação de conteúdos falsos; 
  • valorização das universidades e instituições de pesquisa; 
  • formação de profissionais de saúde para a comunicação com a população; 
  • aproximação entre ciência, imprensa e sociedade; 
  • recuperação da confiança por meio de dados abertos e prestação de contas. 
  1. Desafios para identificar e incluir estudantes com altas habilidades ou superdotação na educação brasileira: Muitos estudantes com altas habilidades permanecem invisíveis porque as escolas não possuem instrumentos de identificação, profissionais preparados ou propostas pedagógicas adequadas. A inclusão também exige atender quem aprende em ritmo ou profundidade diferentes.

Por que é relevante? A nova lei sobre o tema em 2026 prevê mapeamento, atendimento especializado e valorização das potencialidades, inclusive da dupla excepcionalidade.

Possíveis abordagens

  • identificação precoce de diferentes tipos de altas habilidades; 
  • formação docente para reconhecer potencialidades; 
  • atendimento educacional especializado; 
  • enriquecimento e flexibilização curricular; 
  • aceleração dos estudos quando pedagogicamente recomendada; 
  • criação de centros e programas de referência; 
  • desigualdade de acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento; 
  • apoio socioemocional aos estudantes; 
  • combate ao estereótipo de que todo estudante superdotado tem desempenho elevado em todas as áreas; 
  • reconhecimento da dupla excepcionalidade, como altas habilidades associadas a autismo, TDAH ou dislexia. 
  1. Perspectivas para a inclusão das pessoas neurodivergentes na sociedade brasileira: Pessoas com autismo, TDAH, dislexia e outras condições ainda enfrentam barreiras educacionais, profissionais, comunicacionais, sensoriais e culturais. A inclusão depende não apenas do diagnóstico, mas da adaptação dos ambientes e da superação do capacitismo.

Por que é relevante? Avanços legislativos recentes indicam novos caminhos, mas a inclusão real depende de mudanças culturais, formação profissional e eliminação de preconceitos.

Possíveis abordagens

  • formação de professores para práticas pedagógicas inclusivas; 
  • adaptação de avaliações, metodologias e espaços escolares; 
  • acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento multidisciplinar; 
  • inclusão no ensino superior e nos processos seletivos; 
  • empregabilidade e adaptação dos ambientes de trabalho; 
  • criação de espaços com menor sobrecarga sensorial; 
  • combate ao preconceito, à infantilização e ao capacitismo; 
  • valorização da autonomia das próprias pessoas neurodivergentes; 
  • apoio às famílias e aos cuidadores; 
  • garantia de acessibilidade em serviços públicos, eventos e espaços culturais. 
  1. Perspectivas para o enfrentamento das calamidades climáticas e da degradação ambiental no Brasil: Enchentes como as do Rio Grande do Sul e o desmatamento da Amazônia mostram como eventos extremos e degradação ambiental atingem, sobretudo, as populações mais vulneráveis.

Por que é relevante?  O assunto permite discutir prevenção, planejamento, justiça climática e a responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade.

Possíveis abordagens

  • prevenção de desastres e sistemas de alerta; 
  • planejamento urbano e fiscalização de áreas de risco; 
  • adaptação das cidades aos eventos climáticos extremos; 
  • combate ao desmatamento e às queimadas; 
  • proteção da Amazônia e de outros biomas; 
  • recuperação de matas ciliares e áreas degradadas; 
  • justiça climática e proteção das populações vulneráveis; 
  • responsabilização de governos e agentes econômicos; 
  • educação ambiental e consumo sustentável; 
  • reassentamento digno das famílias atingidas; 
  • integração entre ciência, Defesa Civil e gestão pública; 
  • continuidade das políticas ambientais, independentemente das mudanças de governo. 

Como se preparar para qualquer tema?

Para o professor, o mais importante não é tentar prever o tema da prova, mas desenvolver repertório, capacidade de interpretação e argumentação. “Para atingir a nota 1000, é importante saber interpretar o problema, argumentar e propor soluções viáveis. Recomendo que os candidatos pratiquem redações com temas atuais para construir argumentos consistentes e propostas de intervenção.”

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Sobre a Arco Educação – A Arco Educação é o ecossistema de soluções pedagógicas e de gestão financeira líder na educação privada brasileira, atendendo a mais de 12 mil escolas e 4 milhões de alunos em todo o país. Com o propósito de ajudar as instituições de ensino a moverem o mundo, a Arco integra metodologias de ensino de ponta, consultoria dedicada e tecnologia proprietária e inteligência artificial para facilitar a gestão do aprendizado e potencializar os resultados de cada instituição parceira. Mais informações em arcoeducacao.com.br.

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